THE FLAMING LIPS – Oczy Mlody (2017)


“Apesar de um álbum difícil, Oczy Mlody mostra o The Flaming Lips ainda em forma”

Quem acompanha a série Game of Thrones sabe que uma de suas características é a morte de vários personagens que se poderia supor como principais. Após algumas temporadas a mensagem já está bem clara: não se apegue muito a nenhum personagem, pois ele pode morrer muito brevemente. Isso em nada tira o seu poder atrativo, pelo contrário, parece alimentar mais a curiosidade.

A música do The Flaming Lips traça um paralelo com GOT ao não se mostrar apegada a uma determinada sonoridade. Cada álbum apresenta facetas diferentes, mantendo-se alheia a modismos ou “ondas musicais”. Em paralelo, procuram manter-se antenados com as novas gerações, aproximando-se de artistas como  Miley Cyrus, através de parcerias.

O cenário é favorável, Wayne Coyne e sua trupe conquistaram uma reputação que lhes permite liberdade criativa. “Oczy Mlody” é a renovação do atestado, seu álbum anterior, “The Terror” (2013), com suas nuances contemplativas, também não era um álbum dos mais acessíveis.

Aqui há uma guinada em direção a novas experimentações, para compor uma sonoridade que se aproxima da ambient music, com instrumentações atmosféricas  e climas viajados, sem abrir mão de alguma psicodelia.

Nesse ‘novo’ terreno nem tudo que se colhe é de fácil digestão, e até as canções mais acessíveis carecem de tempo para serem absorvidas.

É um álbum difícil. Mais difícil ainda para esses tempos em que o hit é mais importante do que a obra como um todo, funcionando melhor como conjunto do que em faixas isoladas. Soa como um quebra-cabeças a ser montado a cada nova audição, com as peças podendo se encaixar de forma diferente. Apesar disso, várias faixas ganharam videoclip.

A parte mais “fácil” de ‘Oczy Mlody’ pode ser encontrada em faixas como a´ótima “Sunrise (Eyes of the Young)”, com um arranjo de estrutura recorrente em outras canções do grupo, encontrável em álbuns anteriores mais recentes; “The Castle” é outra com cara do Flaming Lips de outrora: lenta, vocal cheio de eco, base simples e sem grande mudanças, tem clima envolvente e viajadão. Há outras viagens bem interessantes no álbum, não há como deixar de citar a ótima “How??” ou “There Should Be Unicorns”, onde pop e estranheza se entrelaçam. Em vários pontos a associação mais próxima é mesmo com o álbum ‘Yoshimi Battles the Pink Robots’ (2002).

Se a aproximação com a cantora pop Miley Cyrus (que inclusive participa da faixa ‘We a Family’) “contaminou” de alguma forma a música do grupo? De forma alguma. Talvez tenha acontecido o contrário.

No microcosmo dos ‘lábis flamejantes’ o rótulo de pop acessível passa longe, não abrem mão das experimentações mais estranhas, algumas já se tornando comuns.

“Oczy Mlody”, título tirado do livro ‘Close to Home’ (Blisko Domu), do escritor polonês Erskine Caldwell’ – de onde também saiu o título de algumas canções -, com todos os seus pequenos elementos e climas espaciais, exige atenção do ouvinte, inclusive daqueles que acompanham a música do grupo há algum tempo e, mais ainda, daqueles que pegaram o bonde nesse ponto. Principalmente por ser um álbum de quase uma hora de duração. Aos que conseguirem chegar até o fim da estação, encontrarão no caminho belas surpresas e um dos melhores álbuns lançados pela banda desde o clássico ‘Soft Bulletin’ (1999).

NOTA: 8,5

FAIXAS:
01. Oczy Mlody
02. How??
03. There Should Be Unicorns
04. Sunrise (Eyes of the Young)
05. Nigdy Nie (Never No)
06. Galaxy I Sink
07. One Night While Hunting For Faeries and Witches and Wizards to Kill
08. Do Glowy
09. Listening to the Frogs with Demon Eyes
10. The Castle
11. Almost Home (Bliski Domu)
12. We A Family (Feat. Miley Cyrus)

:: Assista ao clip de ‘Sunrise (Eyes Of The Young)’:

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