ALABAMA MONROE | The Broken Circle Breakdown (2012)


Alabama Monroe, cena do filme

“Sobre amor, desamor, nascimento, luto, felicidade, tristeza, música e silêncio”

“…Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar…”

 – Chico Buarque

São raras as obras que conseguem nos dar uma vaga ideia da imensidão e complexidade da vida e morte humana. Vários diretores já tentaram sem atingir metade da efetividade que o diretor belga Felix Van Groeningen consegue realizar em seu premiado filme, que chegou a ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2014 e que por conta disso teve um lançamento tímido nos cinemas brasileiros no mesmo ano, mas que só agora chega ao streaming nacional através da GloboPlay, também sem muito alarde.

O FILME MAIS ALEGRE DO MUNDO! (ou o amor, a música, o nascimento e a felicidade)

Um músico de Bluegrass (música Country acústica de raiz), conhece uma tatuadora pela qual passa a sentir uma paixão avassaladora. Os dois se entregam completamente a relação, passando a viver um pelo outro e não se desgrudam mais. Desse relacionamento intenso, surge uma parceria musical, ela passa a cantar em sua banda em shows cada vez mais enérgicos e como em quase toda história de amor real, são agraciados com o nascimento de uma filha linda.

A fotografia é baseada em tons quentes, a música é pungente, a química entre os atores Veerle Baetens, da série da Netflix, Tabula Rasa e Johan Heldenbergh, que também roteiriza o filme, é incrivelmente realista. A direção segue a intensidade do amor dos dois em sequências incrivelmente belas sem deixar espaço para dúvidas ou incoerências.

O FILME MAIS TRISTE DO MUNDO! (ou o desamor, o silêncio, o luto e a tristeza)

Logo na cena de abertura, vemos um casal inconformado e sua filhinha em uma difícil consulta médica, na qual a criança é diagnosticada com câncer. O peso da doença, os faz cair em desespero e num balé cinético silenciosamente ensurdecedor, se entregam a culpa vã num mundo cinza (fotografia em tons frios), no qual as visões de mundo começam a colidir. Ela, uma crente fervorosa em sua fé e ele, um ateu que não crê em nada após a morte.

O amor continua, mas não se reconhece mais. O futuro que parecia tão certo, de repente está por um fio. Os caminhos divergem e a sensibilidade genial do diretor em tratar temas extremamente pesados aflora em momentos de pura dor. Uma dor que perdura através dos tempos e que incomoda como uma ferida aberta, incapaz de ser cicatrizada por conta do inconformismo inerente a alma humana. A dor imensa da saudade dos que nos deixam e todo o vazio sufocante que se segue e se instaura incólume.

O JOGO DO 8 OU 80 (ou a sensação de montanha-russa)

Embora as descrições acima pareçam não se encaixar, graças a um trabalho de edição primoroso, que aposta em uma narrativa não linear na qual presente e passado se misturam cena após cena, as sensações acabam se complementando. Assim como se estivéssemos numa montanha russa, o filme nos entrega um forte retrato dos altos e baixos da vida sem chance para respiros ou alívios de qualquer natureza. A direção aposta na intensidade dos extremos.

Sendo assim, partimos da imensa felicidade a uma tristeza dilacerante em questão de segundos o tempo inteiro num exercício emocional recompensador e desgastante ao mesmo tempo, assim como a própria vida.

Ao final da jornada, percebemos que estamos diante de um drama pungente, inesquecível e marcante. Uma obra sentimentalmente difícil que, através de recortes certeiros, faz refletir sobre a imensidão dicotômica das emoções humanas e os desdobramentos implacáveis que a vida impõe na trajetória de cada um.

Cena do filme Alabama Monroe

NOTA DO RESENHISTA: Em respeito e solidariedade a todos que não puderam enterrar seus de familiares e amigos devido a pandemia do Covid-19, não daremos nota ao filme por julgarmos o tema central bastante delicado. Que as vítimas descansem em paz e que as boas lembranças permaneçam nos corações e mentes de cada um que os ama.


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Cartaz do filme Alabama Monroe

:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama, Musical, Romance
País: Bélgica, Holanda
Duração: 1h 51 min
Direção: Felix van Groeningen
Roteiro: Johan Heldenbergh, Mieke Dobbels , Carl Joos , Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeersch
Elenco: Johan Heldenbergh (Didier Bontinck / Monroe), Veerle Baetens (Elise Vandevelde / Alabama), Nell Cattrysse (Maybelle), Geert Van Rampelberg (William) e outros
Data de Lançamento: 17 de janeiro de 2014 (Brasil)
Censura:  16 anos
Avaliações: IMDB | Rotten Tomatoes

 


:: Assista ao trailer:

 

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