O PRIMEIRO HOMEM (First Man, 2018)


“Premiado diretor de “Whiplash” e “LA LA Land” sai da zona de conforto ao filmar uma historia real e o resultado é decepcionante”

O diretor prodígio, Damien Chazelle, retrata em tom íntimo e contemplativo, aproximadamente dez anos da vida do célebre astronauta Neil Armstrong, conhecido mundialmente por ter sido o primeiro homem a pisar na Lua.

Neil, interpretado dignamente por Ryan Gosling, de “Blade Runner 2049”, é um homem fechado em sua própria dor e tão obcecado por seu trabalho a ponto de colocar esposa e filhos sempre em segundo plano. Sua esposa, interpretada pela excelente atriz Claire Foy, mais conhecida como a rainha Elisabeth da série “The Crown”, da Netflix, representa o lado mais humano, não só do casal, mas do próprio filme. Essa personagem carrega em si toda a inquietação e medo diante do risco de vida iminente em cada nova missão da NASA e contrasta com a obsessão fria e quase desumana de seu marido. Provavelmente a atriz será indicada a vários prêmios por este papel.

“O Primeiro Homem” começa quando Armstrong ainda era piloto de testes de avião no início da década de 60 e termina no final desta mesma década, durante o período de quarentena, após o mesmo retornar da Lua. Mas o filme não é sobre a viagem a Lua em si.

A abordagem é muito mais focada na trajetória do homem comum que decide colocar sua vida em risco ao ter que lidar e se submeter a tecnologia precária da época, mesmo sabendo dos acidentes e das mortes que ocorreram nos diversos testes e tentativas anteriores ao voo da Apolo 11.

Para dar ao público a sensação total de imersão e de proximidade do astronauta, o diretor usa e abusa de closes, planos fechadíssimos e câmera extremamente tremida, causando desconforto e sensação de desorientação durante o filme inteiro. Quando isso é feito nas cenas aéreas até que funciona bem para aumentar a tensão, mas o que incomoda é que esse recurso é utilizado até em cenas corriqueiras, como por exemplo, um jantar em família.

Várias sequencias são tão fechadas, que acabam ficando extremamente confusas. Não temos a noção exata do que está acontecendo, mas o diretor ao invés de nos esclarecer, opta por filmar um parafuso qualquer ou o ator chacoalhando por vários minutos seguidos durante um voo.

Se a direção opta por este caminho, o mesmo não pode ser dito do impecável design de som. Se existe confusão visual, o áudio coloca tudo em seu devido lugar e talvez seja uma das melhores características desse filme.

Outro problema do filme é o ritmo extremamente lento, no qual a passagem do tempo se dá de maneira truncada e esquisita. As cenas que impulsionam a história para frente são usadas com muita parcimônia e perde-se muito tempo com fatos irrelevantes.

“O Primeiro Homem” é um filme irregular, pretensioso no intuito de querer ser arte, porém naufraga em suas próprias intenções.

:: NOTA: 6,0

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:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Biografia, Drama, História
Duração: 2h21min
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Josh Singer, baseado no livro de James R. Hansen
Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll e outros.
Lançamento: 18 de outubro de 2018 (Brazil)
Censura: 12 anos
IMDB:
First Man

 

 

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:: Assista abaixo ao trailer:

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