Pitty, Larissa Luz e Karina Buhr falam sobre a carreira e o trio “Respeita as Mina”


Foto: Candice Regina

Com uma proposta muito interessante, as cantoras baianas Larissa Luz, Karina Buhr e Pitty , se apresentaram no trio “Respeita as Mina”, no dia 12 (domingo), no circuito do Campo Grande. A proposta do projeto é unir forças para levar uma mensagem pelo fim da violência contra as mulheres, a cultura do assédio, e para que haja mais respeito. No dia 10 (sexta-feira), Magno Costa, apresentador do programa Alternativa Ativa e membro da banda Vilões de Brinquedo, esteve no camarote onde elas apresentaram uma prévia do show e entrevistou as cantoras, que falaram sobre suas carreiras e sobre a proposta.

Pitty, essa é a segunda vez que você vai se apresentar no trio elétrico. Lá no inicio da sua carreira, especificamente nos tempos da Inkoma, você já se imaginava tendo esse tipo de experiência artística ou era uma ideia que você rejeitava no começo?
Pitty: Eu não imaginava porque não tinha nem espaço pra imaginar isso. A gente não tinha essa oportunidade. A gente tinha que procurar e criar, na verdade, o nosso espaço, porque a gente não tinha essa oportunidade. Então não era nem uma coisa que você almejava, entendeu? Você fazer hardcore numa cidade como Salvador, você fazer rock numa cidade como Salvador, é você abrir o seu espaço. Mas você almejar o espaço que já existe porque ele não existia. Então a gente procurou fazer as nossas coisas. E até hoje existe, existe o palco do rock, onde eu e todas as pessoas que gostavam de rock sempre nos refugiamos, e que é um lugar, um espaço que continua existindo.
Mas ter essa oportunidade de juntar todo mundo, é massa porque … Cara, esse negócio de segregar é foda, sacou? A ideia não é essa. A ideia é que cada um respeite o seu…o seu gosto, o seu contexto e que todo mundo possa conviver. Acho que essa é minha ideia de democracia. Essa é minha ideia de convivência entre sociedade, sabe?

Tanto você quanto Larissa, tem em comum, parcerias com a cantora Elza Soares. Como foi pra vocês duas, trabalharem com ela?
Larissa: Foda!

Pitty: Sonho!
Larissa: É, um sonho!
Pitty: Ela é foda. É uma honra, na verdade.
Larissa: É uma honra, um grande presente poder ” tá ” desfrutando da parceria, da voz, da companhia dela que já é uma inspiração, já é uma coisa que alimenta, que faz a gente querer ser … querer mais.


E de quem partiu o contato pra fazer as respectivas parcerias?

Pitty: No meu, eu mandei a música pra ela. Eu bem xavequei ela, assim (risos) e ela curtiu a música e aí … e aí rolou. Na verdade, eu dei a música pra ela de presente. Assim, eu falei: “é sua, papapa”, e ela me chamou pra gravar junto.

A letra é sensacional!
Pitty: Obrigada.


Muito poética, profunda até, né? Tem um peso emocional incrível.

Pitty : Valeu, obrigada.

E você, como foi sua experiência com Elza, Larissa?
Larissa: Eu cantei na festa da Natura, que a gente tinha gravado no mesmo edital. Ela me viu cantando e aí me chamou: ” Chama ela ali!”. Falou várias coisas incríveis. E aí a gente começou ali uma relação, trocou contato. Quando eu fechei o conceito do disco sobre mulheres negras e tal, eu liguei pra ela, convidei, ela na hora falou: “Com certeza!”. Cê tem uma onda! E aí eu fiquei : o que?

Karina, entre tantas facetas artísticas, prêmios e reconhecimento da crítica, tem algo que você tenha vontade de fazer em sua carreira que ainda não teve oportunidade de realizar?
Karina: Rapaz, eu não costumo ficar pensando nisso não senão dá uma agonia danada né? Ficar correndo atrás do negócio. Eu tô achando massa tudo que eu tô fazendo assim, é muito de encontro, de encontros como esse encontro aqui por exemplo, que caiu do céu, esse convite. E a gente chega e faz o negócio. E ao mesmo tempo que a gente combina, na hora a gente improvisa um monte de coisa. Isso pra mim é muito especial, sabe? Não necessariamente focar com Fulano. E tem outras coisas, sei lá.
Um dia toca o telefone: Marina Lima chamando pra fazer uma música no disco dela; ou tocar com Mestre Valter, no Maracatu Estrela Brilhante. Pra mim, cada dia é uma coisa massa. Não fico muito, “ai, sei lá, quero encontrar Madonna”.

Essa é para as três. Falem um pouco da proposta de viés social do projeto do trio “Respeite as Mina”. É de suma importância pra nossos leitores ter conhecimento acerca disso.
Karina: É uma coisa que é bem louca falar no carnaval, porque tá todo mundo louco mas tem que falar “mermo”. E ao “mermo” tempo, você fica batendo de frente, né? O tempo todo com um monte de coisa. Tipo, hoje mesmo, eu vendo televisão, tinha um trio que o camarada tava o tempo todo dizendo: “Dá bebida pra sua amiga que ela vai descer mais fácil”, e ele emendava com “tô vendo as novinhas descendo, as novinha descendo, as novinha descendo “. Aí é uma queda e um plus, como se diz lá em Recife.
Então tem um monte de coisa naturalizada de violência que todo mundo só “vai, vai, vai, vai, vai “, não “saca” né?
Quer misturar com diversão. O problema não é descer não, é ótimo descer, bunda no chão, maravilhosa, a gente também desce. Mas, sabe? Às vezes parece que é ótimo só ordem, ordem, ordem, ordem, ordem: “Dá, vai! Dá bebida pra ela que ela desce”. Aí a gente chega aqui, RAWR. (Risos)

Quero agradecer a atenção de vocês. Dizer que vocês são muito bem humoradas e simpáticas. E desejar um bom show.

ENTREVISTA: Magno Costa
FOTO: Candice Regina

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