A bela surpresa Neo-Psicodélica do quarteto Plasticland


Foto da banda psicodélica Plasticland

Na época em que comecei a me interessar e comprar vinis muitas das vezes comprava coisas totalmente no escuro. Às vezes era a capa que por algum motivo chamava a atenção, às vezes era porque o disco estava com o preço baixo. E às vezes pedia pra tocar na loja e saía de lá com o disco embaixo do braço mas sem ter conseguido ter qualquer noção do que tinha ouvido.

No caso desse do Plasticland, algum dos amigos descobriu perdido na prateleira de alguma loja de discos (esse foge à memória de qual loja teria sido) e toda a turma curtiu e foi lá esgotar o estoque.

Totalmente desconhecidos para todos nós , a música do quarteto de franjas pegou na veia de todos que tiveram a oportunidade de conhecer. O grupo encantou com sua sonoridade garagista recheada de Psicodelia já na abertura, com a arrasadora versão para “Alexander”, da banda de garagem oitentista Fuzztones. Há ainda a versão para “Magic Rockin Horse”, da banda sessentista Pinkerton’s Assorted Colours, de Tom Newman.

E a gente olhava a capa, tentava se aprofundar um pouco mais a respeito daquela totalmente obscura banda que fazia um som tão interessante e com potencial, mas um verdadeiro mistério inclusive de como o disco teria chegado por essas bandas e numa quantidade bem razoável.

Plasticland, Color Appreciation
Primeira versão do disco, lançada em 1984

O fato é que o disco vinha com o selo da gravadora Enigma (nada mais apropriado), responsável por lançar no país alguns outros álbuns de bandas totalmente obscuras, como o Sleep in Safety, dos também desconhecidos 45 Grave, que eu também comprei.

Puxando um cadinho pela memória, lembro que nessa época comprei um punhado de discos sem quaisquer informações, artigo de luxo possível de encontra das revistas Bizz da vida, a única fonte de informação sobre bandas mais alternativas – a seção Zona Franca era uma das minhas preferidas. Mas, como já comentei em outras edições dessa coluna, repito que nessa época a grana era bem curta e malmente dava para compra os discos, imagina poder compra as revistas e os discos!

Então, esse álbum do Plasticland tem várias boas faixas, além da já citada “Alexander”. A trinca que abre o álbum já é um belíssimo cartão de visita com a sequência de viagens lisérgicas de “Disangaged from the World” e “Her Decay”, essa última com uns backing vocals melodiosos (algo que o Ride também viria a utilizar alguns anos depois) e um solo de guitarra envenenado num Fuzz de timbre totalmente sessentista que mais parece uma máquina do tempo.

Às vezes a sensação era que o Plasticland era uma mistura de Echo and the Bunnymen com The House of Love mas influenciado pelo Pink Floyd da fase The Piper at Gate of Dawn e pelas bandas de garagem dos anos 60. E, no fim, a banda não soa exatamente como nenhuma dessas bandas. Até porque o vocalista Glenn Rehse canta mais no estilo das bandas psicodélicas sessentistas de garagem.

Na época, o que era gostoso de ouvir nesse disco do Plasticland é que era um disco que não puxava meu humor pra baixo como muitos dos discos da minha coleção. Ou seja, rolava solto, descompromissado, às vezes até criando um clima meio radiante, viajado e “feliz”.

Plasticland álbum 1985
A capa do disco na versão da Enigma

O Lado B começa com a devastadora “Elongations”, com seus menos de dois minutos numa clara declaração de que a intenção era de que tínhamos que colocá-la para tocar novamente. Por sinal, a maioria das faixas do disco são curtas, muitas com menos de dois minutos. A sequência iniciada em “Color Apreciation” é dos momentos em que a Psicodelia se torna mais intensa, seguindo com “Wallflowers” e “Euphoric Trapdoor Shoes”. “Rattail Comb” é outra das preferidas do disco, que no fim das contas tem um resultado bem positivo, já que não há faixas ruins.

+++ Leia também a coluna Lista de 7, com covers de bandas dos 60’s

O disco foi lançado em 1985, e é a estreia do Plasticland, banda de  Milwaukee, Wisconsin. Anos depois, com o advento da internet, foi possível se aproximar um pouco mais da história da banda e de sua discografia. E ao recuperar a Revista Bizz em formato digital, acabei encontrando algumas pequenas citações sobre a banda, inclusive um artigo que fala sobre quatro discos da gravadora Enigma que estavam sendo lançados no país pela RGE. O que explica como o Plasticland e outras bandas “indie do indie” vieram calhar com seus discos em alguma lojinha desse lugar uma vez chamado “Trashland”.

PS: O álbum foi lançado em 1984 com o título ‘Color Appreciation’ pelo selo francês Lolita. Em 1985, foi relançado pela Enigma Records apenas com o nome da banda, com uma capa mais colorida/psicodélica e com a sequência das faixas diferente.


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