O Slowcore renasce em ‘Return’, estreia do quarteto Deathcrash; OUÇA


Foto da banda Deathcrash

Gênero totalmente outsider, o chamado Slowcore ou Sadcore, é difícil alguma precisão e até mesmo diferenciação entre um e outro, teve um boom de bandas ali pelo fim dos anos 80 e início dos anos 90, com alguns nomes surgindo de pronto sempre que se puxa conversa sobre o assunto: Codeine, Idaho, Duster, Red House Painters e Low. Aos instrumentais de cadencia lenta e envolvente, guitarras distorcidas ou melódicas, somam-se letras de temas em geral sombrios, gerando canções longas que podem ser intercaladas por momentos mais explosivos, embora a atmosfera seja sempre soturna.

São características encontráveis em Return (OUÇA AO FINAL) álbum de estreia do quarteto Deathcrash, oriundos da cena de Londres assim como os muito comentados Black Country, New Road e com quem fizeram alguns shows. As semelhanças param por aí. Enquanto o BCNR costuma criar arranjos crescentes que tendem a começar pequenos e irem galgando as alturas para atingir a catarse, em pelos menos uns 80% do percurso o Deathcrash mantem-se firme em seus climas morosos e vocais sussurrados em que a melancolia parece escorrer em cada verso das doze canções que compõem o álbum. Nos outros 20% o direcionamento para alternância de climas mostra uma banda próxima do Post-Rock de bandas seminais como os escoceses do Mogwai ou a cult band norte-americana Slint.

Return (2022) é uma jornada de mais de sessenta e cinco minutos e poucas variações de andamento, soando quase como um longo mantra para induzir hipnose. Isso não impede que ali no meio se encontre algum momento mais voltado para o bucolismo, vide a bela instrumental e acústica “Matt’s Song” ou algum esporro sonoro como em “Wrestle With Jimmy”.

++Leia a crítica de ‘Hey What’, do Low

Sobre a sonoridade da banda, em entrevista o guitarrista Matt Weinberger deixou claro como gostam de nadar contra a maré ao “ressuscitarem” um gênero surgido há mais de 30 anos e relativamente esquecido, ainda que muitos dos atos que surgiram naquela época esteja ainda em atividade: “Quando começamos a tocar música em Londres, havia um certo tipo de música em voga, um Pós-Punk bastante agressivo e rápido… Talvez isso tenha nos levado a fazer um tipo de música mais lenta”.



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