COLDPLAY – Everyday Life (2019)


Foto Coldplay para divulgação do álbum Everyday Life
Foto: Divulgação / Tim Saccenti

“Coldplay abandona o Electropop insosso dos últimos álbuns para abraçar a World Music de maneira brilhante”

Talhado forçosamente como álbum duplo, dividido nas partes “Sunrise” e “Sunset”, apesar da duração de um álbum simples, o oitavo trabalho de uma das bandas britânicas mais bem sucedidas dos últimos anos deixa um pouco de lado as inclinações mais pop e dançantes dos últimos álbuns em busca de novos caminhos e experimentos.

Esses novos caminhos surgem através da parceria da banda com artistas paquistaneses e nigerianos, fazendo a banda passear por paisagens persas, budistas, árabes, norte americanas, com uma sonoridade pungente que remete a Paul Simon, U2, Peter Gabriel, e só perde força quando a banda veste novamente a melancolia que sempre lhe caiu bem, porém sem a mesma inspiração dos primeiros álbuns.

Outro ponto de destaque são as letras que, diferentemente dos outros trabalhos, tocam em temas mais abrangentes e difíceis de serem abordados como a intolerância religiosa em “Church”, racismo e violência policial em “Trouble In Town”, discriminação contra refugiados na excelente “Arabesque”, crítica anti armamentista em “Guns” e as mazelas da guerra na Síria em “Orphans”.

Para desviar o foco e não pesar demais nos discursos político/socias, obviamente a banda também navega por temas mais amenos

Quando versa sobre questões mais íntimas e melancólicas como o abandono parental na cortante balada “Daddy”, ou descreve uma amizade inabalável em “Old Friends”, ou emula um africano com saudades da sua terra natal em “Èkó”.

Fora da curva, temos ainda os corais gospel de “Broken” e “When I Need A Friend”, o manifesto lo-fi de “WOTW/POTP (Wonder of The World/Power To The People)” e a baladinha inusitada de sonoridade cinquentista “Cry Cry Cry”.

Como em quase todo álbum que se propõe a ser mais grandioso do que realmente é, este também acaba se perdendo em algumas faixas instrumentais belas porém dispensáveis (“Sunrise” e “بنی آدم”) e termina sem o mesmo frescor inicial com duas faixas, que apesar de corretas e bem executadas, são liricamente inofensivas e exercitam a fórmula de fazer canções fáceis e comerciais dentro do já consagrado estilo da banda.

Assim, “Champion of The World” e “Everyday Life” encerram o álbum trazendo o Coldplay que todos conhecem, e embora isso não seja algo ruim, acaba frustrando um pouco a expectativa pelo final apoteótico que a própria banda parecia anunciar com suas diferentes incursões sonoras e temáticas iniciais.

Embora este álbum seja uma grata surpresa e consiga tirar a banda do marasmo criativo confortável no qual se encontrava, talvez um pouco menos de medo de errar tivesse sido fundamental para que o Coldplay finalmente atingisse o tão desejado patamar de maior banda do mundo, mas infelizmente ainda não foi dessa vez, fica pra próxima.

NOTA: 8

 


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Salvalaio:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 8


::LEIA TAMBÉM:
STARSAILOR – ALL THIS LIFE (2017)
RIDE – THIS IS NOT A SAFE PLACE (2019)


::FAIXAS:
Part 1: “Sunrise”

01. Sunrise
02. Church
03. Trouble in Town
04. BrokEn
05. Daddy
06. WOTW / POTP
07. Arabesque
08. When I Need a Friend

Part 2: “Sunset”

01. Guns
02. Orphans
03. Èkó
04. Cry Cry Cry
05. Old Friends
06. بنی آدم
07. Champion of the World
08. Everyday Life

 


:: Veja o Vídeo de “Daddy”:


:: Ouça o álbum:

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