O adeus ao Kiss, uma das bandas que “formataram” o Rock


Kiss Live 2023

A adolescência é um período de transformações profundas as quais não só formamos nosso caráter como também moldamos nossas preferências, que nos seguirão para todo e sempre. E é justamente dessa época que a minha relação com o Rock and Roll foi iniciada.

Por mais que em casa eu tenha crescido num lar musical, a entrada no ensino médio (no final dos anos 90) foi um ponto de ruptura para que o que antes era só flerte se tornar uma relação longa, duradoura e para toda a vida. E se você teve os amigos certos nessa época, com certeza, eles te apresentariam ao Kiss.

Meu primeiro contato com a banda foi via o disco ao vivo Alive III, que um colega de sala tinha herdado (ou surrupiado) da coleção do seu irmão mais velho. E foi amor à primeira vista. Lá estão não só os maiores hits da banda como “Rock and Roll All Nite”, “Creatures of the Night”, “Heaven’s on Fire”, “I was Made for Lovin’ You”, “Lick it Up”, “Forever”, “Love it Loud”, “God Gave Rock n Roll to You II”, entre tantos outros. O álbum mostra também como o quarteto consegue conciliar carisma e performance, características estas que acompanharam por toda e longeva carreira de 50 anos de estrada.

Na época, a banda ainda tinha um público cativo e, ainda sim, conquistava novas gerações. Prova disso é a alta rotatividade nas rádios e na MTV de canções como “Pshyco Circus”, presente no álbum de mesmo nome lançado em 1998.

O status camaleônico do Rock geralmente é atribuído a David Bowie, mas o Kiss durante sua longeva carreira promoveu diálogos com estéticas sonoras do seu tempo como na sua fase Disco/Pop Music, nos álbuns Dynasty (1979) e Unmasked (1980), ou no flerte com o Grunge em Carnival of Souls (1997).

O legado construído por Paul Stanley e Gene Simmons (únicos membros da formação original na atualidade) é imensurável, mostrando que o poder de alcance da banda transcende o Rock em si, mas foi essencial para a criação e/ou a solidificação de subgêneros como o Glam Metal, o Hard Rock e o Heavy Metal.

Discos clássicos, como Destroyer (1976), são exemplos de como o grupo criou hinos que, até hoje, permanecem vivos por gerações como “Detroit Rock City”, “Shout It Out Loud”, “Beth” e “God of Thunder” definem a geração setentista.

Assisti a uma apresentação do grupo em 2015, em BH, no Ginásio do Mineirinho, na qual tive a oportunidade de ver toda a magia e mística do grupo, que sempre soube fazer do palco um espetáculo visual a parte.

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Atualmente, o Kiss está em turnê mundial de despedida (será?), a End of the Road Tour, na qual tem feito shows arrebatadores com hinos de diversas fases que deixam claro que a saída do grupo dos holofotes em nada interferirá na relação da banda e seus fãs, que seguirão (tal como numa religião) disseminando a palavra para todo e sempre.


 

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