UM LUGAR SILENCIOSO (A Quiet Place, 2018)


“Um Lugar Silencioso é nada menos do que genial ao apostar todas as fichas em um dos personagens mais assustadores de todos os tempos: o silêncio”

Já vimos inúmeros filmes de suspense, terror ou crime no qual, em determinado momento da ação, a sobrevivência depende do silêncio de alguém tentando evitar ser encontrado pelo serial killer, monstro, zumbi, dinossauro, etc. A diferença entre todos esses e ‘Um Lugar Silencioso’ é que dessa vez o silêncio que mantêm os personagens vivos não precisa e deve ser feito apenas em alguns momentos, mas sim durante o filme inteiro.

Esse mero detalhe é capaz de elevar a tensão tão absurdamente a ponto de fazer com que o público acompanhe o filme fazendo um silêncio antes inimaginável para quem já está acostumado à falta de educação das plateias brasileiras, com suas piadinhas fora de hora, gritos, conversas paralelas e barulhos de toda ordem, principalmente em filmes desse gênero.

Importante salientar que esse “fenômeno” foi percebido também nas salas de cinema pelo mundo inteiro. Até a pipoca é mastigada com cuidado para não fazer barulho algum, tamanha a imersão que o filme provoca.

É impossível não fazer paralelos e traçar metáforas com o mundo real. Afinal, podemos até “gritar” contanto que ninguém nos ouça. O novo fascismo está aí. As ditaduras, os regimes totalitaristas, a falta de liberdade de expressão; a falta de representatividade que cala a voz de milhares de pessoas todos os dias no mundo inteiro encontra seu espelho nesse filme. E mesmo sendo um espelho não abertamente declarado, a forte mensagem subliminar permeia toda a projeção.

Escrito e dirigido pelo talentoso ator John Krasinski, o filme já começa nos colocando no meio da ação, sem dar a menor explicação prévia e, aos poucos, através de pequenas pistas e recortes de jornal, vamos entendendo o que aconteceu com o mundo. Só sabemos que há algum tempo atrás uma espécie de catástrofe assolou a humanidade e que os poucos sobreviventes precisam viver mergulhados em total silêncio, pois o menor ruído é capaz de atrair imediatamente coisas que matam em uma velocidade impressionante.

Essa falta de explicação nada mais é do que um recurso narrativo extremamente bem-vindo nos dias de hoje, pois não subestima a inteligência da plateia, e mesmo sem verbalizar explicações em diálogos desnecessários, até mesmo porque o barulho da voz pode ser fatal, o filme nos mostra o necessário para entendermos as regras de sobrevivência nessa realidade opressora.

Em um dos momentos mais inspirados e poéticos do filme, um pai leva o filho para caçar e o convida a ficar numa gruta atrás de uma cachoeira extremamente barulhenta, nesse momento pai e filho começam a berrar como loucos aproveitando um pouco a sensação de liberdade, pois sabem que o ruído deles será abafado pelo som muito mais alto da cachoeira.

Não poderia deixar de citar alguns aspectos que fazem de ‘Um Lugar Silencioso’ uma experiência bem acima da média, como a atuação visceral da Emily Blunt, responsável por um dos momentos mais desesperadores da história do cinema. O design de som é espetacular, capaz de nos mostrar que existem vários tipos de silêncio. E não poderia deixar de citar também a direção precisa de Krasinski, que coloca o espectador numa sensação de “montanha russa” constante, apresentando um filme simples, direto e que entrega exatamente aquilo que promete: medo!

NOTA: 9,5

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:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Drama, Horror, Sci-Fi
Duração: 1h30min
Direção: John Krasinski
Elenco: Emily Blunt, John Krasinski, Millicent Simmonds e outros.
Roteiro: Bryan Woods, Scott Beck, John Krasinski
Lançamento: 05 de abril de 2018 (Brasil)
Censura: 12 anos
IMDB: Um Lugar Silencioso

 

 

 

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:: Assista abaixo ao trailer do filme:

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