Baseado em uma história real, ‘O Primeiro Homem’ é decepcionante


O diretor prodígio, Damien Chazelle, retrata em tom íntimo e contemplativo, aproximadamente dez anos da vida do célebre astronauta Neil Armstrong, conhecido mundialmente por ter sido o primeiro homem a pisar na Lua.

Neil, interpretado dignamente por Ryan Gosling, de “Blade Runner 2049”, é um homem fechado em sua própria dor e tão obcecado por seu trabalho a ponto de colocar esposa e filhos sempre em segundo plano. Sua esposa, interpretada pela excelente atriz Claire Foy, mais conhecida como a rainha Elisabeth da série “The Crown”, da Netflix, representa o lado mais humano, não só do casal, mas do próprio filme. Essa personagem carrega em si toda a inquietação e medo diante do risco de vida iminente em cada nova missão da NASA e contrasta com a obsessão fria e quase desumana de seu marido. Provavelmente a atriz será indicada a vários prêmios por este papel.

“O Primeiro Homem” começa quando Armstrong ainda era piloto de testes de avião no início da década de 60 e termina no final desta mesma década, durante o período de quarentena, após o mesmo retornar da Lua. Mas o filme não é sobre a viagem a Lua em si.

A abordagem é muito mais focada na trajetória do homem comum que decide colocar sua vida em risco ao ter que lidar e se submeter a tecnologia precária da época, mesmo sabendo dos acidentes e das mortes que ocorreram nos diversos testes e tentativas anteriores ao voo da Apolo 11.

Para dar ao público a sensação total de imersão e de proximidade do astronauta, o diretor usa e abusa de closes, planos fechadíssimos e câmera extremamente tremida, causando desconforto e sensação de desorientação durante o filme inteiro. Quando isso é feito nas cenas aéreas até que funciona bem para aumentar a tensão, mas o que incomoda é que esse recurso é utilizado até em cenas corriqueiras, como por exemplo, um jantar em família.

Várias sequencias são tão fechadas, que acabam ficando extremamente confusas. Não temos a noção exata do que está acontecendo, mas o diretor ao invés de nos esclarecer, opta por filmar um parafuso qualquer ou o ator chacoalhando por vários minutos seguidos durante um voo.

Se a direção opta por este caminho, o mesmo não pode ser dito do impecável design de som. Se existe confusão visual, o áudio coloca tudo em seu devido lugar e talvez seja uma das melhores características desse filme.

Outro problema do filme é o ritmo extremamente lento, no qual a passagem do tempo se dá de maneira truncada e esquisita. As cenas que impulsionam a história para frente são usadas com muita parcimônia e perde-se muito tempo com fatos irrelevantes.

+++ Leia a crítica de ‘Maudie – Sua Vida Sua Arte’, de Aisling Walsh

“O Primeiro Homem” é um filme irregular, pretensioso no intuito de querer ser arte, porém naufraga em suas próprias intenções.


FICHA TÉCNICA:

Gênero: Biografia, Drama, História
Duração: 2h21min
Direção: Damien Chazelle
Roteiro: Josh Singer, baseado no livro de James R. Hansen
Elenco: Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Kyle Chandler, Corey Stoll e outros.
Lançamento: 18 de outubro de 2018 (Brazil)
Censura: 12 anos
IMDB:
First Man

 

 

 


 

 

Previous LITTLE NIGHTMARES (Little Nightmares, 2017)
Next BEACON – Gravity Pairs (2018)

2 Comments

  1. alexandre
    10/01/2019

    eu gostei do filme, acho que é bom, pra mim sua critica foi equivocada

  2. 11/01/2019

    Olá Alexandre. Ficamos felizes pelo seu comentário e normal que tenha discordado do ponto de vista do nosso resenhista. Mas seria interessante expor quais são os equívocos que você encontrou no texto. Abraço.

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *