MIDSOMMAR: O MAL NÃO ESPERA A NOITE (Midsommar, 2019)



“Segundo filme do jovem diretor Ari Aster, usa a arte como catalisadora do expurgo”

Após estrear brilhantemente em 2018 com Hereditário (2018), um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos, Ari Aster, atualmente com apenas trinta e três anos, demonstra muita maturidade e um domínio absurdo do gênero terror.

A pretensão dele também é igualmente absurda ao propor uma desconstrução quase total das características mais marcantes do citado gênero. Portanto, não espere em Midsommar cenas contendo os famosos “jump scares” (sustos) ou cenas escuras em lugares sombrios e claustrofóbicos. O que testemunhamos é exatamente o oposto disso tudo: muita luz, cores belíssimas, natureza pungente, planos abertos e quase sempre mostrando varias pessoas em cena, mas nem por isso o filme deixa de ser no mínimo perturbador e incômodo.

A história acompanha Dani, interpretada magistralmente por Florence Pugh, uma garota que vive um relacionamento amoroso enfadonho e um tanto quanto abusivo, sustentado apenas pela falta de coragem do namorado em terminar com ela.

Dani acaba de sofrer uma perda familiar muito trágica. Para escapar de uma depressão certeira, acaba acompanhando o namorado e alguns amigos dele, estudantes de antropologia, em uma viagem até a ensolarada Suécia, durante os festejos culturais do solstício em uma comunidade rural isolada, sobre a qual pretendem escrever uma tese acadêmica.

Lá, a noite dura apenas poucas horas, o clima é lindamente bucólico e o povo da comunidade local é extremamente pacífico e acolhedor, até que alguns costumes culturais bizarros começam a ser revelados, chocando a todos.

Antes de mais nada, importante salientar que a beleza das cores e da fotografia do filme impressionam. Parece que estamos diante de um grandioso quadro pintado a mão, o que acaba contribuindo para o tom de fábula da história.

Outro ponto que chama a atenção no filme é a excelente trilha sonora, marcada por canções folclóricas estranhas e acordes dissonantes de violinos em meio a batidas eletrônicas, trazendo tensão e brincando com os nervos da platéia.

Com som, atuações e imagens irrepreensíveis, o filme esbanja um entretenimento sensorial fora do comum, oferecendo uma verdadeira tour por uma comunidade pagã, seus costumes milenares e pelo horror provocado pelo desconhecimento. Infelizmente o mesmo não pode ser dito sobre a originalidade do roteiro, que bebe muito na fonte de filmes como o clássico O Homem de Palha (1973) e mais recentemente em Apóstolo (2018), da Netflix. Se a trama não traz grandes novidades, a forma na qual os arcos são desenvolvidos e as diversas camadas genialmente sobrepostas são no mínimo surpreendentes.

Escrito pelo diretor após o término de um relacionamento complicado, Ari Aster acaba transformando a sua própria dor em arte a fim de expurgar seus próprios demônios e por este motivo entrega ao público um filme visceral e catártico, banhado em um terror psicológico repleto de símbolos e significados. Um filme sobre a morte de um relacionamento, sobre depressão, sobre senso de coletividade e pertencimento, sobre intolerância religiosa e cultural e sobre os inúmeros lutos pelos quais passamos ou provocamos ao longo da vida.

NOTA: 8,5


NOTA DOS REDATORES:

EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
LUCIANO FERREIRA: –
MÉDIA: 8,5


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Cartaz do filme Midsommar, de Ari Aster

:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Horror, Drama, Mistério
Duração: 2h27min
Direção: Ari Aster
Roteiro: Ari Aster
Elenco: Florence Pugh, Jack Reynor, Vilhelm Blomgren, William Jackson Harper, Will Poulter e outros
Data de Lançamento: 19 de setembro de 2019 (Brasil)
Censura: 18 anos
IMDB: Midsommar

 

 

 


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