CLUBE DOS CINCO (THE BREAKFAST CLUB, 1985)


Cena do filme O Clube dos Cinco, de John Hughes

“Drama atemporal sobre dilemas adolescentes mostrado de forma magistral”

O que torna um filme clássico ou o eleva ao status de filme Cult? Essa pergunta já foi utilizada, e vai continuar sendo sempre que um filme tenha o potencial de recusar-se a envelhecer ou, se envelhecer, que seja com dignidade.

Existem películas que atingem a condição de serem retratos de seu tempo e que revisitá-las, é como se pudéssemos voltar no tempo, nos trazendo um frescor, ou até mesmo uma lembrança de uma época, onde a inocência era a maior de nossas virtudes.

Revisitando Clube dos Cinco, um dos meus filmes favoritos, desta vez com um olhar mais crítico e diferente de quando mais jovem, pude perceber com “outros olhos” as inúmeras qualidades que ele me apresentou, e permanece cada vez que acompanho aqueles personagens.

Clube dos Cinco inicia quando cinco adolescentes são obrigados a passarem o dia de sábado da escola para cumprirem detenção por delitos que praticaram ao longo da semana, como uma forma de punição.

O elenco conta com jovens atores promissores à época. Emilio Estevez dava seus primeiros passos no cinema, tentando se desvencilhar da imagem do seu pai, como o atleta Andy; Molly Ringwald, a queridinha e musa adolescente dos filmes do diretor John Hughes, como a patricinha Claire; Anthony Michael Hall vivendo o nerd Brian; Ally Sheedy como a esquisitona; e Judd Nelson como o delinquente e adolescente problema John, na melhor interpretação de sua carreira. Completam o elenco, Paul Gleason como o diretor linha dura Richard Vernon, e John Kapelos como o faxineiro Carl, a pessoa mais sensata do elenco.

Magistralmente dirigido por Hughes, o filme capta os dramas, alegrias e tristezas que os adolescentes de diferentes famílias passam tentando se inserir nesse mundo que se abre com a transição para a vida adulta. O diretor, produtor e roteirista americano soube, como poucos de sua geração, captar e entender os dramas vividos por adolescentes. Os conflitos familiares, as suas visões de mundo, as alegrias e tristezas dessa fase tão crucial no desenvolvimento humano, são exploradas sob um olhar sempre humano. Os jovens, na visão do diretor, não pensavam somente em festas e curtição, mas como todo esse caldeirão de emoções os afetava de forma positiva e negativamente na sua futura vida adulta.

O filme é praticamente todo rodado dentro de uma biblioteca e em alguns cômodos da escola. John Hughes filma com bastante sensibilidade aqueles cinco garotos, até então normais para cada grupo que eles representam e como estes estão inseridos. Em comum entre todos a insegurança, e a busca por atenção de seus pais mesmo que seja da pior maneira possível.

Clube dos Cinco utiliza bastante de closes fechados para demonstrar a claustrofobia do lugar. A medida que avança, os closes vão se “abrindo” para mostrar que as visões de mundo vão se expandindo a medida que convivem com seus semelhantes, tirando-os de seu olhar simplista de seu próprio mundo.

Em certo momento, Brian pergunta aos seus colegas de confinamento se eles seriam amigos ao final daquele dia. Muitas questões são levantadas a partir daí, uma cena muito marcante. Outra cena tocante é a que o grupo conversa sobre a relação com os pais, e o resultado é assombroso. Hoje, com o olhar de pai, não gostaria que meus filhos me enxergassem da maneira como o grupo retratado no filme veem seus pais.

O que de início poderia ser uma comédia adolescente se transforma em um drama humano e de bastante sensibilidade. Vemos máscaras serem retiradas pouco a pouco, e conseguimos nos reconhecer naqueles personagens com o mesmo olhar de inadequação que o adolescente tem em relação ao mundo.

A trilha sonora, calcada em bandas oitentistas, permeia momentos importantes do filme. Muitas das letras revelam sensações passadas por esses jovens. “Don’t You Forget About Me”, a música tema, gravada pelo Simple Minds, fala das angustias adolescentes e fecha o filme com chave de ouro.

E como diria o personagem Carl ao diretor Richard Vernon, em uns diálogos mais singelos do filme: “Como você acha que seu eu adolescente enxergaria o adulto que se tornou?”.  Muito tocante esse questionamento, principalmente por enxergar em nós mesmos os adultos que nos tornamos e os adolescentes que nós éramos.

Clube dos Cinco é o retrato de uma época. Um filme para ser visto e revisto várias e várias vezes.

:: NOTA: 9,0


NOTA DOS REDATORES:

EDUARDO JULIANO: –
EDUARDO SALVALAIO: –
LUCIANO FERREIRA: 7,5
MÉDIA: 8,25


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:: FICHA TÉCNICA:

Gênero: Comédia, Drama
Duração: 1h37min
Direção: John Hughes
Roteiro: John Hughes
Elenco: Emilio Estevez, Anthony Michael Hall, Judd Nelson, Molly Ringwald, Paul Gleason, Ally Sheedy, John Kapelos e outros
Data de Lançamento: 15 de fevereiro de 1985 (USA)
Censura: 16 anos
IMDB: Clube dos Cinco

 

 


:: Assista ao trailer do filme:

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