SUEDE – Night Thoughts (2016)


“Mesmo movendo-se em sua zona de conforto, britânicos do Suede fazem um disco acima da média”

Algumas convicções se fortalecem de tempos em tempos: a incapacidade da Inglaterra formar um time competitivo e capaz de disputar uma Copa do Mundo é uma delas, o Suede lançar um disco que não seja bom é outra.

O Suede sempre foi uma banda cujos álbuns mantém uma aproximação entre si, e uma coesão interna que segue da primeira à última faixa, o que justifica a força de seus álbuns.

Há momentos mais altos e outros nem tanto, é verdade, mas mesmo com a saída de um integrante de essencial importância (o guitarrista Richard Butler), o Suede conseguiu e consegue se “reinventar” e manter o mesmo padrão de qualidade exalado em seus dois primeiros álbuns. Embora não tão inventivo, é verdade, e talvez isso explique a recente afirmação de Bret Anderson de que ter deixado Butler sair da banda é o maior arrependimento de sua vida.

O hiato de mais de dez anos que se seguiu após o lançamento de “New Morning “(2002), trouxe uma banda com apetite para compor novas canções, três anos se passaram desde “Bloodsports” (2013), e a banda retorna com a mesma fome que foi capaz de construir um álbum não só coerente, mas com imenso encantamento pop e de inegável qualidade.

Enquanto banda, o Suede tem características que a distinguem de uma vastidão que se aventura no universo musical: um excelente vocalista e uma excelente banda. Acrescente os anos de experiência e a exata medida sobre as bases que se assentam sua sonoridade.

De muitas formas, esse “retrospecto” evidencia o que esperar de “Night Thoughts”.

Diferente daquela sonoridade mais acústica e intimista que assomou “Bloodsports”, aqui o que faz valer é a proximidade com o álbum de três anos atrás. Se há mudanças, elas são mais em termos de enriquecimento dos arranjos, na base seguem o paradigma que norteia seus álbuns e canções: apurado senso melódico, riffs de guitarras que bebem no glam-rock setentista (o que se tornou uma de suas marcas registradas) e um vocalista que sabe como interagir com a canção, fazendo-a subir ou descer nos momentos certos.

Imbuídos da ideia de fazer um álbum conceitual, produziram também um filme usando as canções como trilha, e muitas das canções de “Night Thoughts” de intercalam sem intervalos.

Como é quase habitual nos álbuns da banda, as primeiras faixas do disco seguem aquela marcação mais pra cima, como se tivessem sido compostas para serem hits mesmo, apesar de que há uma introdução épica em “When You Are Young”, faixa que abre o disco, rememorando a abertura de “Dog Man Star”. Sua letra traz sentimentos nostálgicos impressos nos versos: “quando você é jovem não há nada certo ou errado”. Ela forma uma espécie de dobradinha com “When You Were Young”. Apesar de não serem em sequência, seguem o mesmo instrumental.

“Outsiders” e “No Tomorrow” são seríssimas candidatas a hit do álbum, e quiçá na carreira da banda. Seguem categoricamente o padrão Suede de canção pop, e o mesmo pode ser dito da intensa “I Don’t Know How to Reach You”, onde arrependimento e dor da perda dão o tom.

O descortinamento um tanto óbvio do início, dá lugar para contornos mais amplos como em “Pale Snow”, faixa curta e de climas viajantes, remetendo ao Suede do primeiro disco.

Num álbum de doze faixas, “Night Thoughts” apresenta ao ouvinte, fã ou não do Suede, algumas das melhores qualidades da banda, o que já o coloca entre os melhores de sua carreira, o problema é que seus concorrentes parecem estar um degrau acima por uma questão simplesmente temporal. Mas se o colocarmos ao lado de outros álbuns lançados recentemente, ele manterá seu brilho próprio.

Do meio para o fim, canções de sabor mais “amargo”, clima mais sisudo, como “Tightrope”, “Learning to Be”, “I Can’t Give Her What She Wants” e “The Fur And The Feathers” (climas eloquentes aqui), entrecortadas por “Like Kids”, uma canção que, assim como “What I’m Trying to Tell You” (destaque para os teclados de clima retrô), soa apenas…OK.

Como conjunto, “Night Thoughts” pende claramente para um lado mais introspectivo do Suede, seja no conteúdo das letras ou no número de faixas de contornos mais densos. É um álbum de uma banda madura que ainda tenta e consegue ser relevante, mesmo trabalhando em sua zona de conforto.

NOTA: 8,5

FAIXAS:
01. When You Are Young
02. Outsiders
03. No Tomorrow
04. Pale Snow
05. I Don’t Know How to Reach You
06. What I’m Trying to Tell You
07. Tightrope
08. Learning to Be
09. Like Kids
10. I Can’t Give Her What She Wants
11. When You Were Young
12. The Fur & the Feathers

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