ARES | Primeira Temporada


Cena da série Ares, da Netflix

“Críticas sociais, terror psicológico, clima sobrenatural e muitas questões não respondidas na mediana Ares”

Criar um panorama que trata das diferenças ou mesmo da luta entre classes sociais vem ganhando muito espaço em produções cinematográficas. Recentemente tivemos duas produções interessantes com essa temática: Parasita (2019), do coreano Bong Joon Ho, e O Poço (2019), do espanhol Galder Gaztelu-Urrutia.

Da mesma forma, Ares, a série holandesa da Netflix, dialoga um pouco com essa questão, critica muito o imperialismo holandês. O cenário da trama engloba também terror, mistérios e o sobrenatural.

Rosa (Jade Olieberg em boa atuação) é uma humilde estudante de Amsterdã que vive sua rotina entre as aulas da faculdade e sua casa. Cuida da mãe, que sofre de transtornos mentais, e frequentemente tenta o suicídio. A vida de Rosa muda quando recebe o convite do amigo Jacob (Tobias Kersloot) para participar de uma seita secreta.

A série dá pistas do que iremos encontrar pela frente logo numa galeria de arte que Rosa entra. Quadros opulentos mostram as grandes navegações holandesas, um tempo de avanço comercial e de pessoas arianas felizes ostentando suas prosperidades. Meio que hipnotizada, ela mal sabe que entrará num mundo onde a elite dita as regras e que alguns sacrifícios serão necessários para se obter ascensão social.

Cena da série Ares, da Netflix

É com muita hesitação que Rosa entra no mundo secreto de Ares. Só depois fica sabendo que esse é um lugar onde o membro aceito deve ter toda uma submissão e dedicação à seita, se privando exclusivamente do mundo externo. Voltar para sua casa e cuidar de sua mãe torna-se complicado. Nesse mesmo espaço, ela percebe coisas estranhas e diferentes. Seu amigo Jacob descobre algo escondido em Ares, inclusive essa parte rende um bom momento ao trabalhar com uma fotografia sombria, dando pistas dos segredos que podem realmente habitar o lugar.

Rosa passa a agir de forma estranha, ao mesmo tempo, mostra sua forte personalidade, mudando o que está em sua volta, muitas vezes causando inveja ou mesmo simpatia entre os integrantes de Ares. Ela é pobre e filha de pai negro, características que fogem da tradição machista e elitista da seita.

A entrada da estudante na seita e as transformações que passam a ocorrer mexem com a psicologia de muitos integrantes, envolvendo mortes, cargos, desequilíbrio e revelações conflitantes. A própria estudante descobre muitos fatos importantes envolvendo os costumes da seita e até sua vida familiar.

[SPOILERS] Em certo momento, vários membros decidem o que fazer com um dos principais integrantes da seita que havia suicidado e cuja morte deveria passar a ideia de acidente trágico de carro para sua família durante o funeral. Logo após, em volta do corpo, os próprios integrantes usam um taco de beisebol para desfigurar o rosto e o corpo do rapaz. Apesar de já falecido e de estar coberto por um pano,  a passagem causa uma certa angústia, um tanto por conta da apatia, indiferença e a mentira de algumas pessoas presentes no local. [FIM DOS SPOILERS]

A série não foi bem aceita por alguns espectadores por seu clima assustador e (talvez) por suas cenas de Gore. Apesar disso, esse elemento não é forçado e gratuito, surge para criar no espectador a ânsia de estar num lugar que preza pela obediência e escalada de cargos, e na seita, tal qual na sociedade, existe a típica pirâmide, da base para o topo (integrantes novatos, integrantes mais velhos e presidente). Esforços não são medidos, e a estrutura hierárquica do lugar pode ser corrompida expondo sua própria verdade ou intenção.

Cena da série Ares, da Netflix

Um dos pontos negativos da série é dar muito foco em apenas dois personagens: Rosa e Jacob. São os dois que, exatamente, trazem toda a revelação do lugar, seja por meio de metáforas, seja por meio das descobertas ou até mesmo por transformações corporais. Há também a questão de que tudo poderia ser mais compacto e render um filme de 120 a 150 minutos, pois muitos dos episódios ou cenas acabam não trazendo tanta ênfase na trama.

A série deixa lacunas oportunas para uma segunda temporada, da mesma forma que foi October Faction, que não tinha lá tanto conteúdo para uma série. Muitas perguntas ainda precisam ser respondidas, sobretudo em relação ao impactante episódio 8 e seu desfecho. Outros personagens que também surgiram na série, mas que não foram totalmente explicados, e que parecem ter ligação com a seita em tempos mais remotos, podem dar uma dinâmica maior para uma segunda temporada. Vamos aguardar e esperar para ver qual a carta que os produtores tem em mãos.

NOTA: 6.5


NOTA DOS REDATORES:

Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:
MARCELLO ALMEIDA: –

MÉDIA: 6,5


:: LEIA TAMBÉM:
RESENHA: O POÇO (El Hoyo / The Platform , 2019)
RESENHA: OCTOBER FACTION (October Faction, 2020 – Primeira Temporada)


Poster da série Ares, da Netflix

::FICHA TÉCNICA:

Temáticas: Terror Psicológico, Sobrenatural, Drama
Emissora: Netflix
Temporadas: 1 (a segunda ainda não foi confirmada)
Episódios: 8 (com duração entre 25 a 32 minutos)
Criadores da série: Pieter Kuijpers, Iris Otten e Sander van Meurs
Diretores: Giancarlo Sanchez e Michiel ten Horn
Elenco: Jade Olieberg, Tobias Kersloot, Lisa Smit, Robin Boissevain, outros
Censura: 16 anos
Avaliações: IMDB | Rotten Tomatoes

 

 

 


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