FEIRA NOISE 2018 :: COMO FOI O TERCEIRO DIA DO FESTIVAL


Zimbra | Foto: Duane Carvalho

FEIRA NOISE 2017 – DIA 3 (DOMINGO)

Line-up do dia e horário previsto
Lerry 14:30 (Abertura)
P1 Rappers 15:10
Hiran 15:50
Dona Iracema 16:30
Zimbra 17:10
Sons de Mercúrio 17:50
Clube de Patifes 18:30
Zuhri 19:10
Roça Sound 19:50
Iorigun 20:40
Boogarins 21:20
Duda Beat 22:50

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Depois de dois dias de festival com céu aberto, o terceiro e último dia se apresentava cinzento e com a chuva sendo uma das certezas da tarde A outra certeza era do tempo menor para a apresentação das bandas, devido a ter entrado mais uma banda no line up do dia, a Lammia, e também para que o Festival acabasse mais cedo, devido aos contratempos do dia anterior.

Ainda não era 15:00h quando o P1 Rappers fez a abertura do domingo com seu rap e hip-hop mesclados a elementos regionais. O público ainda estava chegando a Arena do Amélio Amorim. Com rimas interessantes, letras de protesto, que não pouparam o presidente eleito, serviram como um bom anfitrião para início dos trabalhos, apesar do pequeno público. O vocalista lembra um dos caras da dupla Milli Vanilli. Apresentaram um set de seis canções para um público um tanto tímido ainda.

A sequência foi com DJ Lerry e um som morno, sem nada de novo. O grito: “Original” a todo instante se tornou um tanto cansativo. Enquanto o DJ pilotava sua pickup, o público seguia “arrochando”? Foi o momento vergonha alheia do festival. Enquanto isso, a chuva parecia que ter espantado uma parcela do público, já que pouca gente se fazia presente na Arena.

Não conseguimos assistir a apresentação da Lammia, pegamos apenas o finalzinho do show e conseguimos comprar o EP de seis faixas do grupo por módicos R$ 5,00. Não foi para redimir do fato de não termos visto o show…um pouquinho, talvez. Mas a verdade é que é importante não só ir aos shows das bandas, para que o cenário independente nacional se fortaleça, é importante contribuir, principalmente adquirindo o material das bandas que gostamos, O final do show da Lammia agradou bastante, principalmente os vocais de Carmen Cunha, que canta muito.

Dona Iracema | Foto: Duane Carvalho

A banda de Vitória da Conquista, Dona Iracema, uma das boas surpresas desse festival, subiu ao palco Sertões com seu autodenominado “Catincore Iracemático” (título de seu EP mais recente) e derrubando as fronteiras sonoras. Com um som pesado e suingado, misturado com ritmos regionais, e uma vocalista com bom domínio de palco e público, a banda esquentou e muito o clima da tarde de chuva tímida, enquanto público que se achegou pra acompanhar a banda de tímido não tinha absolutamente nada. Fixeram uma das melhores e mais divertidas apresentações do Festival, ratificando que na Bahia tem boas bandas barulhentas. Tocaram as canções com muita fúria e vibração, num show catártico com direito a rodas de pogo e homenagem a vocalistas trans como Lara Jane Grace, do Against Me.

Depois do calor que Dona Iracema provocou no Palco Sertões, ver o rapper Hiran apresentar seu hip-hop, acompanhado de um DJ, no palco Spotify, pareceu um tanto deslocado, principalmente porque o show do cantor, que tem conseguido bastante respeito Brasil afora, foi bastante morno. Em determinados momentos era como se ele se divertisse mais com o próprio show do que o próprio público. Num palco menor talvez o resultado fosse um pouco melhor. Fez um show curto, menos de trinta minutos, onde apresentou canções de seu álbum “Tem Mana no Rap”, lançado recentemente.

Sons de Mercúrio, um quinteto de Feira de Santana, estreando no Feira Noise, trouxe para o festival sua música de “coloração” pop/rock com elementos de música regional. Com apenas um ano de formada, a banda apresentou um repertorio de seis canções, tocadas de forma competente para um público disperso. Fizeram um show correto, sem grandes sobressaltos, onde chama a atenção o bom trabalho vocal dos três cantores e o entrosamento dos músicos.

A banda santista Zimbra era uma das veteranas do dia e parecia ser uma das mais esperadas, público colado ao palco e cantando junto a letra de várias canções. O grupo faz um pop/rock recheado de baladas românticas que cativam adolescentes, arrancando gritinhos eufóricos, lembrando Coldplay. Durante a apresentação o vocalista Rafael Costa Mandou uma mensagem sobre “não romantizar as emoções” e sobre a importância dos fãs adquirirem os produtos da banda. Tocaram dez canções, inclusive uma recém lançada. Finalizaram com o hit “Viva”, o ponto mais alto do shows, que deixou o público extasiado.

O público não parecia preparado para o rap jazz da banda soteropolitana Zuhri. A formação é pouco convencional, inclui baixo, guitarra, bateria, sax e teclado, mais três vocalistas, e a música tem muito groove e elementos de acid jazz. Interessante que ao vivo esses elementos soam mais fortes e interessantes do que em seu primeiro EP, “Andamento”. Durante uma das seis canções que apresentaram, jogaram um incidental de “Wave”, de Tom Jobim. A banda é afiada e, se equalizar em estúdio os elementos de hip-hop e jazz que apresentam ao vivo, pode vir a produzir trabalhos bem interessantes. Em alguns momentos lembraram US3.

Clube de Patifes | Foto: Rafa Profilm

Comemorando vinte anos de carreira, a banda feirense Clube de Patifes, subiu ao palco Spotify com um show especial. Composta pelos cinco integrantes habituais e mais um convidado especial na percussão, a banda destilou seu som inconfundível, mas não sem antes, pedir licença, em uma abertura emocionada, referenciando sutilmente o candomblé. A receptividade da plateia começou intensa, porém a cada canção ia se tornando mais moderada. No repertório, blues rocks de sucesso como “Radiola” e “Voodoo” fizeram os fãs cantarem junto. O show foi tecnicamente perfeito, demonstrando o entrosamento que só os muitos anos de estrada proporcionam. Ao final, tivemos discurso político inflamado ao lado de discursos de agradecimento ao Feira Noise, deixando no ar uma sensação de medo e incerteza sobre os rumos do Festival nos próximos anos, diante das mudanças políticas e ideológicas que o país enfrenta.

Num misto de empolgação e surpresa, um público considerável se amontoou no palco Sertões para a apresentação do quarteto (agora transformado em quinteto) Iorigun, uma das bandas mais promissoras da recente safra musical feirense, quiçá baiana. Com uma performance intensa e de muita entrega, entregaram uma apresentação, que se não foi das mais perfeitas em termos de execução, foi poderosa, que é o que se espera de um show de rock. Apesar da voz detonada de Iuri, a banda fez uma apresentação marcante, tornando o palco pequeno. No setlist de oito faixas, a novidade foram as canções do recém lançado EP “Skin” que se somaram a “Empty.Houses / Filled.Cities”. Destaque para a versão de “In the Edge of Something Big”, escrita, segundo o vocalista, em homenagem ao presidente recém eleito. O momento mais intenso do show foi o hit “Downtown”, quase apoteótico.

A partir desse momento, o palco Sertões foi desativado e após meia hora de espera, uma plateia ensandecida ocupou toda a área em frente ao palco Spotify para acompanhar a banda feirense Roça Sound e seu caldeirão de referências sonoras como dub, dancehall, trapmusic e hip-hop. Falando a linguagem da periferia, a banda colocou todo mundo para dançar ao som de vários hits como “Chama o Motoboy”, “Tatudocerto” e “O que é que ela tem?”, reafirmando a empatia e o poder de fogo de seus quatro integrantes: Don Maths, Nick Amaro, Paulo Bala e o ‘mete dança’ Ed Murphy. Embora não tenham apresentado nada de novo, foi o show de maior participação popular da noite.

Boogarins | Foto: Duane Carvalho

Às 21:48h, sobe ao palco a banda de Goiás, Boogarins, com seu rock psicodélico e experimental. Causando estranheza em alguns e deslumbramento em outros, os seus quatro e entrosados componentes apresentaram um show com versões um pouco diferentes de canções dos seus três álbuns de estúdio, remetendo ao recém lançado EP ao vivo “Desvio Onírico” com vocais sempre em falsete, e canções com duração média de dez minutos, atestaram a qualidade e o entrosamento da banda, porém, em contrapartida, proporcionou uma resposta morna da plateia. A apresentação terminou com pouco menos de uma hora, quando a banda parecia não encontrar mais um meio de dialogar com seu público.

Era visível a ansiedade do público que permaneceu na concha acústica aguardando a última atração do festival. Parte do público entoava algumas canções da artista pernambucana radicada no Rio de Janeiro, mesmo sob chuva fina, enquanto a produção ainda preparava o palco. Duda Beat subiu ao palco visivelmente emocionada, com a voz embargada e agradecida por tanta gente tê-la esperado. Contando com guitarra, bateria e um tecladista/DJ, Duda soltou a voz acompanhada pela plateia em um show divertido e despretensioso. A cantora é capaz de ir do tecno brega, ao trip-hop melancólico em questão de segundos, flertando também com ritmos nordestinos e com a MPB. No repertório, canções do álbum autoral “Sinto Muito”, que versam exclusivamente sobre desilusão amorosa. O público cantou junto todas as músicas, incluindo a inédita “Chapadinha na Praia”. A cantora, extremamente comunicativa, ainda revelou que sua música favorita era o trip-hop “Pro mundo ouvir” e defendeu a canção na performance mais intensa de todo o show. Os violinos da bossa “Todo Carinho” ecoaram forte elevando o repertório a um patamar diferenciado para logo em seguida encerrar o festival com uma versão mais dançante do hit “Bixinho”. Passava pouca da meia-noite quando as “cortinas se fecharam”, encerrando o Feira Noise 2018!

O Urge! agradece imensamente ao Feira Coletivo, principalmente a Joilson Santos pela atenção dispensada sempre, e a todos que fazem o Festival Feira Noise. Parabenizamos a Vagalume Assessoria, na pessoa de Ana Paula Marques, pelo excelente serviço de comunicação e informação.

:: Cobertura do dia por:
Isaac Martins (P1 Rappers, Lerry, Dona Iracema)
Luciano Ferreira (Hiran, Sons de Mercúrio, Zuhri, Zimbra, Iorigun)
Eduardo Juliano (Clube de Patifes, Roça Sound, Boogarins, Duda Beat)

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1 COMENTÁRIO

  1. Avatar
    Nevson Caider
    28/12/2018

    Mais um “Feira Noise” na bagagem e uma excelente cobertura do evento. Boa Urge! Fiquei curioso e fui conferir a música “Viva”, da banda Zimbra [que suponho ser melhor do que 99% do que tocam nas FMs – eu só ouço as de notícia] e só aumentou a minha vontade de preparar uma lista [baseado na informações de vocês] de algumas das bandas que participaram do festival.

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