DESTROYER – ken (2017)


“Destroyer compõe um álbum recheado de referências oitentistas mas com personalidade”

O ken (em minúsculas mesmo) do título não é ken o namorado da Barbie. Pegue a edição de luxo de “Dog Man Star”, segundo álbum do Suede, e lá estará o motivo do título do novo álbum do Destroyer AKA Dan Bejar: a faixa “The Wild Ones”, uma das preferidas do cantor canadense, que inicialmente se chamava ‘ken’. “Não estava pensando em Suede quando compus o álbum, estava pensando nos últimos anos da era Thatcher”, ele adverte.

Fã confesso de bandas oitentistas, inclua aí The Church, The Cure, House of Love, de brit-pop e shoegaze, o músico parece envolto em uma espiral de recordações que se reflete nos climas que o novo álbum exala, enfatizando o uso de sintetizadores numa intensidade bem maior, o que contrasta em suas afirmações de que após dez anos voltou a compor na guitarra, pois ‘ken’ é um álbum recheado de ambientações cinzentas a cargo de sintetizadores em geral densos.

Os pés nos 80 estão bem marcantes em “In the Morning” e “Tinseltown Swimming in Blood”, que pegam emprestado do New Order a linha melódica de baixo e os sons proeminentes do sintetizador para criar um clima saudoso

Ambas não soam exatamente como New Order, mas dentro do arranjo há uma inserção dessas referências de forma propositada a criar o ambiente oitentista. Qualquer das duas poderiam estar na abertura do disco, mas acontece com ‘Sky’s Grey’, faixa lenta e com tons minimalistas que num segundo momento usa um sintetizador retrô para transformar-se numa balada luxuosa, com o vocalista assumindo seu lado crooner ao estilo Leonard Cohen.

Diferente dos antecessores, “Kaputt” (2011) e “Poison Season” (2015) , álbuns de veia mais orgânica e alguns elementos orquestrados, ‘ken’ engloba esse lado mais comum na discografia do Destroyer, mas em doses mínimas, nas faixas “Cover From the Sun” e “Saw You At The Hospital”, essa última uma balada acústica bem comum ao Destroyer. Ou na mescla dos dois lados tanto na citada “Sky’s Grey” e “La Regle du Jeu”, essa com início de música para pista de dança, que logo vira um pop/rock com direito a solos, uma das mais interessantes do álbum.

Mas é o lado eletrônico de sonoridade retrô fala mais alto. E além das duas citadas aparecerá em todas as outras faixas. Está lá em “A Light Travels Down the Catwalk” e “Rome”, ambas com toques minimalistas; uma batida eletrônica bate-estaca, raros elementos melódicos e sintetizadores densos. Embora “Rome” caia para um lado mais balada oitentista a la Bryan Ferry, assim como “Sometimes in the Wood”.

O que faz a diferença nas canções do Destroyer em ‘ken’ é a voz de Bejar e a inserção de elementos não usuais, que confere personalidade aos arranjos e não permite que o uso massivo de referências faça o álbum derrapar, o que poderia facilmente acontecer tanto nas duas faixas citadas no terceiro parágrafo quanto em “Ivory Coast” ou “Stay Lost”, com clima que remete a algo composto pela banda eletrônica “Tubeway Arms” no início dos anos 80.

NOTA: 7,0

FAIXAS:
01.Sky’s Grey
02.In The Morning
03.Tinseltown Swimming In Blood
04.Cover From The Sun
05.Saw You At The Hospital
06.A Light Travels Down The Catwalk
07.Rome
08.Sometimes In The World
09.Ivory Coast
10.Stay Lost
11.La Regle du Jeu

:: Assista ao lyric video de “Sky’s Gray”:

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