‘True Detective’ traz narrativa dos tempos dos grandes filmes policiais



O presidente Barack Obama pediu que a HBO antecipasse alguns episódios. Muitas discussões e assuntos foram disseminados pelas redes sociais. Ganhou boas avaliações em inúmeros sites. Fez até quem não gostasse de série ficar com curiosidade para experimentar. E não é por menos, ‘True Detective’ é um compêndio de tudo que o cinema de qualidade merece (e deve) trazer.

O roteiro seguro, a narrativa envolvente e sinuosa, o clima e os diálogos que remetem ao melhor da Literatura policial, diversas influências cinematográficas (por exemplo, David Lynch), plano-sequência** com 6 minutos de tirar o fôlego (quarto episódio), o desfecho de cada episódio, a possibilidade de não entregar suspeitos logo de início e fazer o espectador pensar em hipóteses.

Outro ponto positivo da série e que logo convence o espectador é a construção dos dois personagens principais: Rustin Cohle (Matthew McConaughey) e Martin Hart (Woody Harrelson). Sobretudo o primeiro, que traz uma carga psicológica muito forte.

O espectador precisa ficar atento nos diálogos da dupla, na filosofia de Cohle. Vale acentuar o antagonismo de ambos: Rust é um cara introspectivo, sem família (os motivos serão explicados ao longo da série) e é repleto de digressões em seu repertório, enquanto Martin é o policial linha dura, metódico, e que tenta viver com uma certa hipocrisia ao lado da família (outro destaque vai para Michelle Monaghan que representa o papel de Maggie, esposa de Martin).

A série se passa em dois planos temporais. Nos anos 90, com os dois detetives investigando assassinatos envolvendo rituais, e o outro, 17 anos depois, com Martin e Rust narrando depoimentos sobre o caso para outros dois detetives que agora também enfrentam (possivelmente) o mesmo serial killer. É neste aspecto que a série causa redemoinhos na cabeça do espectador, pois, a cada episódio, é possível que muitos fãs tenham seu próprio julgamento sobre os suspeitos e sobre o que realmente aconteceu. No passado, muitas pontas ficaram soltas, e agora, com nossos protagonistas já mais velhos, tudo parece se encaixar.

Voltando a frisar sobre as atuações, destaco a mudança nas interpretações de Matthew McConaughey, antes um ator de comédias românticas, agora enfrentando papéis mais complexos e intrincados. Se o ator não ganhasse o Oscar pelo filme ‘O Clube de Compras Dallas’ (2013), certamente angariaria alguma premiação pelo personagem Rust Cohle.

Ressalto também a bela abertura, onde imagens e música combinam perfeitamente com o que o espectador vai se deparar na série. A canção ‘Far From Any Road’ é da banda The Handsome Family. A série também contou com grande nomes musicais, tais como T Bone Burnett, Grinderman, School of the Seven Bells, Black Rebel Motorcycle Club, entre outros.


 

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