‘Sweep It Into Space’ é um exercício de variações sobre o mesmo tema



Décimo segundo álbum de uma carreira de quase quarenta anos, Sweep It Into Space é o quinto álbum do Dinosaur Jr. desde 2005, quando a banda foi reagrupada com sua formação originária de 1984. Há 16 anos, após anos um período de separação, Lou Barlow e J Mascis deixaram de lado suas turras e resolveram reformar o combo, trazendo Murph de volta às baquetas.

O grupo esteve em hiato discográfico após o lançamento de Hand it Over (1997), álbum totalmente composto e executado por Mascis, o que já vinha acontecendo desde Green Mind (1991) e se tornou maior ainda em Where You’ve Been (1993), quando o guitarrista de vocais indolentes tomou a banda para si  – Mascis é multi-instrumentista, e começou na música tocando bateria no Deep Wound, sua primeira banda com Lou.

Passados cinco anos desde Give a Glimpse of What Yer Not (2016), pouco ou nada mudou na sonoridade do grupo. A presença de Kurt Ville na produção, tocando e fazendo backing vocals em algumas faixas não são suficientes para tirar a música dos Dinos de seu paradigma: riffs distorcidos sob o comando de efeitos fuzz, solos rápidos e curtos, duas faixas compostas por Lou (que fogem do padrão de J), e um momento ou outro mais tranquilo, com ênfase em levadas acústicas ao violão.

Ler as entrevistas recentes do grupo deixa bem claro o funcionamento da banda: Mascis faz as demos em seu estúdio caseiro e envia para os outros colocarem suas partes, e tudo é juntado e gravado posteriormente.

Fica claro também que eles sabem que musicalmente nada muda já há algumas décadas, e pouco se importam em relação a isso, a ideia é seguir tocando e oferecendo aos fãs um novo conjunto de canções para serem somadas ao repertório nos shows e não tocar apenas os hits do passado.

A cada novo álbum, é possível encontrar duas ou três canções que podem vir a se tornar parte integrante do setlist do grupo. “I Ain’t” é a mais forte candidata da lista de doze que compõem o novo álbum, possui alguns dos elementos clássicos do grupo: um refrão ganchudo (invertido de posição no arranjo), melodia grudenta e riffs em profusão; “I Ran Away” tem uma pegada semelhante, limadas as distorções e é outra boa faixa do álbum”, bem como “Hide Another Round”, que segue um formato bem parecido, mas com distorções em alta, inclusive do contrabaixo. E “And Me”, apesar de uma boa canção, soa como se a banda estivesse emulando “Just Like Heaven” pela sua própria ótica.

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No contexto do álbum, o que há de mais diferente em Sweep It Into Space são as canções de autoria de Lou, em que o músico canta e toca guitarra: “Garden” e “You Wonder”, e a interessante arte da capa, um trabalho do artista visual alemão Andy Hope 1930 (Andreas Hofer).

No mais, as canções de Sweep It Into Space poderiam constar em qualquer dos álbuns lançados após a volta, muitas delas devem até mesmo ter sido compostas durante as gravações destes. Há pouco ou nenhuma variação de efeitos e timbres de guitarra, a distorção fuzz comanda tudo e leva as canções adiante. Dinosaur Jr chega em 2021 soando cada vez mais como um Dinossauro sênior, cansado e mais do mesmo.


Capa do álbum Sweep It Into Space, do Dinosaur Jr

INFORMAÇÕES:

LANÇAMENTO: 23/04/2021
GRAVADORA: Jagjaguwar
FAIXAS: 12
TEMPO: 44:57 minutos
PRODUTOR: J Mascis e Kurt Ville
CURIOSIDADES: As gravações do álbum começaram no outono de 2019, com Kurt Ville, e foram interrompidas devido a pandemia | O estúdio Amherst’s Biquiteen é na casa de J Mascis | Ville toca guitarra de 12 cordas em “I Ain’t”
DESTAQUES: “I Ain’t”, “Garden” e “You Wonder”

 


O ÁLBUM ‘SWEEP INTO SPACE’, DO DINOSAUR JR:


O VIDEOCLIPE DE “TAKE IT BACK”:

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