ENTREVISTA | Armando Louder (Plainsong)


Foto Armando Louder, Plainsong

Boas ideias devem ser louvadas, principalmente quando envolve formas de divulgação da música independente feita no país ou fora dele. A Plainsong (título de uma música do The Cure), plataforma nacional de streaming, surge justamente com essa proposta: “A Plainsong se dedica a trazer a você a melhor música no melhor do rock e eletrônico nos estilos post-punk, synthpop, dark wave, indie, shoegaze, eletrônica, ’80s revival e muito mais”.

Ao acessar o endereço da plataforma é possível ouvir dezenas de artistas independentes e adentrar num universo musical vasto e com diversos nomes do underground nacional, mas sendo possível encontrar também artistas como a banda oitentista nacional Finis Africae e seu álbum homônimo de 87; ou nomes conhecidos da cena alternativa obscura como a darkwave/ethereal de Scarlet Leaves, o pós-punk da carioca Herzegovina e da mineira Drowned Man e seu álbum de estreia, “Bats”, dentre muitos outros nomes interessantes a conhecer.

O ambiente é bastante amigável. Caso o ouvinte deseje se cadastrar, basta informar o e-mail, criar uma senha e pronto! Além de acesso as canções, será criado o seu ambiente, onde será possível adicionar artistas, faixas álbuns, e até uma playlist do que você ouviu. A plataforma conta também com uma página no Facebook, um blog, que traz informações musicais, e uma loja (ainda em processo de expansão) para a venda de produtos como camisetas, CD’s, vinis, etc. Há muito o que se descobrir dentro do espaço, incluindo uma seção com vídeos (que podem ser assistidos sem sair da plataforma) e Waves, com a separação das bandas de acordo com o gênero musical a que estão associadas.

A proposta que permeia a Plainsong: “Da subcultura para a ala ‘alternativa’, sonhamos com novas maneiras de nos conectarmos uns aos outros, buscamos formas de mostrar todo nosso apoio direto ao artista independente. E então criamos a plataforma para fazer isso”. Armando Louder é o “pai da criança”, com mais de 20 anos envolvido com música e divulgação através das diversas mídias disponíveis, dentre outros projetos. A ideia surgiu em 2017, por uma iniciativa de curadoria do festival Caxias Music Festival, no Rio de Janeiro, do qual é sócio e curador. Só em 2020 que a plataforma começou a funcionar e segue a todo vapor, incorporando novas opções a cada dia: “Já passamos por três atualizações”. Ele nos conta sobre tudo isso e mais na entrevista a seguir.


Gostaria que você falasse sobre teu trabalho no que diz respeito a projetos ligados ao universo musical e distribuição digital, inclusive sobre o Imusy.
R: Tudo começou quando, com minha carreira a aspirante de músico em 97, comprei meu primeiro computador, aquele jurássico 486 com o Windows XP e instalei a DAW Cakewalk, foi aí que fiz uma demo que se espalhou pela cidade de Duque de Caxias, município do Rio de Janeiro. Desde então buscando aprender mais sobre tecnologia comecei explorar tudo que era ligado a música e informação, criei um jornal de bairro com criticas musicais, fiz vários eventos na cena underground e me juntei a um projeto de rádio FM com um programa semanal. Me aventurando mais a me divulgar nessa área profissional fui indicado para fazer e cuidar do site do Dado Villa-Lobos e seu selo, o Rockit, desde então ele é meu cliente até hoje. Trabalhei no branding da Rádio Fluminense FM junto com Jose Roberto Mahr (Novas Tendências), na sequência me aproximei do Jorge Davidson, vice-presidente da extinta EMI (Universal Music Group), digitalizando todo seu acervo histórico musical e claro veio vários amigos e clientes da música me procurando, não vou citar para não ficar tão extenso. A Startup iMusy surgiu com uma mola propulsora de lançamentos musicais, quando vi a necessidade das bandas em subir suas obras para as plataformas digitais, comecei a receber muito material de diversos estilos do rock, mas chegou um momento que tive que parar, já que muita coisa não me agradava musicalmente. Minha missão já tinha sido cumprida. Junto com amigos montamos a StereoZero, uma rádio digital com uma vibe session, shows com convidados nas instalações do Labsonica – o laboratório de experimentação sonora e musical do Oi Futuro, durou apenas duas edições, que podem ser vistas no Facebook (aqui e aqui). Em 2019/2020 eu estava na volta da Rádio CIDADE no Dial, passei por vários setores até ficar na parte de projetos. Hoje sou sócio e curador de um Festival chamado Caxias Music Festival que acontece anualmente em uma praça no coração de Duque de Caxias (RJ), são três dias de muita música e arte ocupando dois palcos, com o conceito de levar o melhor do rock alternativo, clássico e underground para a baixada fluminense. Fechando, todas as segundas-feiras faço o Bloco Plainsong no programa Disconnection na Rádio Antena Zero São Paulo.

Sobre a criação da Plainsong, como e quando surgiu a ideia? Pode-se dizer que você é “o pai da criança”? E como o The Cure entrou nessa história?
R: Posso dizer que a ideia da Plainsong nasceu em 2017 por uma iniciativa de curadoria do festival chamado CMF (Caxias Music Festival), no Rio de Janeiro, (quando) adotamos uma abordagem de “Música Independente em Primeiro Lugar”, e começei a tarefa de conhecer as bandas pelas redes sociais. Em Julho de 2020 construí a plataforma, sabendo que a produção de música independente como sempre estava a todo vapor, pensei despretensiosamente em criar um modelo autossustentável que permitisse aos fãs, artistas e selos terem um ambiente colaborativo 100% independente e livre de amarras do mercado fonográfico. Enfrentamos também muitas situações na era digital, eu sempre soube desde o inicio da minha carreira que o mercado musical e as plataformas iriam te tratar como um simples conteúdo, por isso tentei encontrar a melhor maneira de servir os artistas. Digo que nossa música é como artesanato, por isso construí uma plataforma para as obras e que seja um ambiente acolhedor para usar e prosperar, conquistando novos fãs. Até me perguntam: e seu trabalho musical sai quando? Eu respondo que sou um pai que deixa de comer para dar para os filhos (risos). Haaa, o nome Plainsong, essa música me traz muitas lembranças desde o tempo que eu era quase um sócio fundador do fã-clube do Cure no Rio, ela me traz toda nostalgia, então o nome da plataforma teria que ser algo ligado a eles, com toda certeza.

Qual ou quais bandas deram o “start” para que o projeto fosse iniciado?
R: Olha, isso foi o mais legal de tudo, não imaginei que na minha primeira chamada eu tivesse um aceite 100% de todos os convidados. Finis Africae, Vox Lugosi, 1983, Cubüs, Herzegovina, Stenamina Boat, Kaust, Elegia, Signo 13, Permaneço Deitada, Drowned Men, Jenny Sex… entre muitos outros artistas.

Como funciona a parte de gerenciamento de conteúdo, divulgação nas redes sociais, blog, contato com artistas e mídia em geral?
R: Estamos fazendo um calendário mensal de gestão para as redes sociais, buscando uma forma diferente de gerarmos cada vez mais valor a cada artista, com promoções, player dinâmico, stories e até patrocinado. O Blog eu convidei alguns amigos para escreverem, para os próximos meses já iremos ter uma linha editorial mais continua sobre cada assunto. Ainda não tratei de fazer um comunicado oficial a imprensa alternativa, mas creio que esse dia está chegando.

Mosaico Plainsong

Inclusive percebemos que a loja está numa fase bem incipiente, com a Hezergovina sendo a banda que mais tem utilizado o merch.
R: O projeto é para ser uma Marketplace, onde o artista poderá construir sua própria loja e iremos ajudar divulgando. Mas no momento ela está passando por inúmeras validações no modelo de negócio, a banda Herzegovina, nossos fieis parceiros, nos abraçou para ser esse case de sucesso. Já temos data definida para tudo isso acontecer, e quando lerem essa entrevista acreditamos que teremos uma Marketplace pronta para artistas independentes, não só para músicos, para arte em geral. Tudo isso será importante para os artistas promoverem os seus trabalhos, e tocarem as suas carreiras com as próprias mãos.

Atualmente, quantos artistas estão na Plainsong? Existe um limite em relação a isso e ao número de ouvintes?
R: Já ultrapassamos a marca de 100 artistas sem contar com as coletâneas. Não existe limites, somos uma plataforma underground, os subgêneros do rock são nossa motivação, e queremos dar voz para a cada um que tem feito da música sua expressão de arte, ao mesmo tempo, buscamos sempre parcerias e novos agregadores a se juntar ao nosso universo musical gerado na plataforma.

Pensa em no futuro cobrar algo dos ouvintes ou a ideia é que a plataforma seja gratuita sempre?
R: Penso no futuro criar a cultura de doação ao artista, crowdfunding com assinatura ou mesmo uma forma de monetizar. Mas sempre será FREE para o usuário final. Somos diferentes de outras plataformas, os músicos não vão precisar ser máquinas de áudio, capazes de aumentar a produção para compensar a queda do valor de unidade do seu produto. Acho que as plataformas de streaming se abriram bastante, mas também criaram barreiras para os músicos. É difícil entender quais serviços existem para realmente ajudar e o que é realmente apenas “pay-for-play” reembalado com uma interface moderna. Em nosso grupo de artistas conversamos para entender cada necessidade e gerarmos ideias.

Supondo que tenho uma banda e quero disponibilizar meu trabalho na Plainsong, o que devo fazer? Quais requisitos precisam ser preenchidos?
R: A Plainsong, apesar de ser bem nichada e segmentada no post-punk e seus subgêneros, tem categorias que chamamos de Waves. Procuramos não ser mais uma plataforma de bandas de rock em geral, estamos em busca da subcultura musical presente no mundo. Então para isso você só precisa se identificar com os estilos. A parte de cadastro é bem simples, assim que preencher você já será um usuário, se tiver uma banda é só acessar o link “Artist Pro” e finalizar, assim que validarmos terá acesso ao painel do artista para preencher com release, fotos, álbum, eps ou singles e ainda poder divulgar seus videoclipes. Venha conhecer uma comunidade de experiências musicais e pessoais, não uma plataforma digital fria, junta-se a nós, cadastre-se na Plainsong.

Vasculhando a plataforma, que é bastante diversificada, sentimos falta da opção de incorporar a playlist em uma publicação. É um recurso que vocês pretendem adotar?
R: Já passamos por três atualizações, realmente está faltando esse recurso de embed playlist e com certeza ela já está na lista de updates dos próximos meses.

Já pensou em criar um aplicativo próprio para a Plainsong?
R: Já estou com os o aplicativo pronto para ser lançado, não lancei por ser tratar de um aplicativo musical e a Apple Store e Google Play exigem certas regras para proteger os direitos autorais, mas já estou cuidando dessa parte com o novo desenvolvimento.

De alguma forma a pandemia afetou a parte de gerenciamento da plataforma ou houve alguma alteração em relação aos acessos?
R: O nível de produtividade apenas cresceu na pandemia, isso teve um grande impacto, estamos tendo um grande número de acessos devido aos artistas internacionais que estão chegando.

Alguma possibilidade da criação de um selo?
R: Não pensamos em ser um selo, pois estamos elaborando o espaço para os selos subirem seu cast de artistas. Penso em criar coletâneas inéditas com as bandas ali presente. De qualquer maneira, isso é só o começo. A gente tem muito trabalho pela frente.

Estando envolvido no processo de gerenciamento, sobra tempo para curtir a plataforma enquanto ouvinte?
R: Posso dizer que a Plainsong é minha dedicação 100%, eu penso nela como CEO mas também como ouvinte, para fazer o bloco Plainsong no programa de rádio e sempre busco a possibilidade de trazer mais artistas para perto de nós.

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