‘Mulan’ é um épico de guerra deslumbrante e grandioso que pouco remete ao desenho de 98



É irônico constatar que justo o live-action da Disney mais caro até o momento, orçado em duzentos milhões de dólares, é o que menos teve interesse em repetir ou emular o desenho animado no qual deveria ter sido inspirado.

AS DIFERENÇAS

Enquanto os live-actions de Cinderela (2015), A Bela e A Fera (2017) e O Rei Leão (2019) seguiram os desenhos clássicos à risca, e Aladdin (2019) e Dumbo (2019) sofreram apenas algumas “atualizações” para os nossos tempos, Mulan mantém a mesma história, mas modifica radicalmente sua principal característica: a linguagem.

Portanto, aos fãs da animação original, sentimos informar que não devem esperar por números musicais, alívios cômicos, romance inocente, animais falantes ou aquela ocidentalização exagerada que tanto incomodou o público chinês na versão animada de 1998.

Nesta nova versão, o filme dialoga mais com o público adulto e mergulha de cabeça no longo poema narrativo chinês ‘A Balada de Mulan’, que foi difundido durante o período das Dinastias do Norte e do Sul (420 – 589)  e que versa sobre a guerreira Hua Mulan, retratada gloriosamente como uma heroína que, disfarçada de guerreiro, toma o lugar do pai adoentado no exército. Talvez mirando no imenso público chinês e nas crianças que assistiram a versão de 98 e agora, já crescidas, apreciam outro tipo de filme.

A EQUIPE

Capitaneando o projeto está a excelente diretora neozelandesa Niki Caro, de Encantadora de Baleias (2002), Terra Fria (2005), Anne with an E (2017), dentre outros, que se declara uma apaixonada por filmes de artes marciais, o que pode ser facilmente constatado pelo modo como filma as sequências de ação, homenageando filmes como O Tigre e o Dragão (2000) e O Clã das Adagas Voadoras (2004).

Os atores e mestres em artes marciais Jet Li e Donnie Yen, que interpretam o imperador e o comandante Tung respectivamente, garantem o realismo fantástico e a beleza das coreografias, trabalhando também como consultores atrás das câmeras.

Outro aspecto definitivo para o distanciamento entre a animação clássica e este filme é que foram chamados os roteiristas da trilogia Planeta dos Macacos, Rick Jaffa e Amanda Silver, que aqui repetem com sucesso as batidas narrativas de tensão crescente com foco principal na guerra motivada por vingança da citada trilogia e imprimem um tom sério e urgente à protagonista, interpretada com muita competência pela atriz, ícone da TV chinesa, Yifei Liu.

AS POLÊMICAS

Adiado inúmeras vezes devido a pandemia do COVID19, o filme, que estava previsto para chegar aos cinemas em março, foi surpreendentemente disponibilizado pela Disney em seu canal de streaming, Disney+, agora em setembro. Porém para assisti-lo, os assinantes devem pagar 30 dólares, aproximadamente 160 reais, se fizermos a conversão. Um valor impraticável para o mercado brasileiro, que por sinal, ainda não conta com os serviços da Disney+ e, portanto, não tem previsão de lançamento por aqui.

Muitos donos de redes de cinema também se frustraram com a notícia. Um deles, na França, postou em suas redes sociais um vídeo enfurecido destruindo o cartaz do filme, pois, segundo ele, esse é justamente o tipo de filme que ajudaria a reerguer os cinemas financeiramente após tanto tempo fechados.

Como se não bastasse, a atriz Yifei Liu, que interpreta a Mulan, se manifestou a favor do uso da força policial durante os protestos pró-democracia em Hong-Kong no ano passado. Vários ativistas pelos direitos humanos foram às redes sociais pedindo o boicote ao filme na Ásia.

A APRECIAÇÃO

Visualmente impactante, soberbamente fotografado, com um senso de ação arrebatador e enervante, efeitos especiais excelentes, uma trilha sonora pungente e que soube aproveitar muito bem a melhor composição do desenho de 94 (Reflection), batalhas grandiosas e uma inspiradora história secular sobre família, honra e empoderamento feminino.

Mulan é o típico blockbuster feito para ser visto em uma boa sala de cinema lotada, com direito aos gritos entusiasmados da plateia e aplausos ao final.

Não existe nada de revolucionário nisso, aliás não fosse a triste pandemia pela qual passamos, talvez esse filme até passasse despercebido em meio a tantos outros grandes blockbusters que foram adiados ou cancelados nos últimos meses, mas o fato é que a experiência de ver Mulan na TV de casa desperta grandemente a falta imensa que uma sala cinema nos faz.

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FICHA TÉCNICA:

Título Original | Ano: Mulan | 2020
Gênero: Ação, Drama, Aventura
País: EUA / Canadá / Hong Kong
Duração: 1h55min
Direção: Niki Caro
Roteiro: Rick Jaffa, Amanda Silver
Elenco:  Yifei Liu, Donnie Yen, Li Gong, Jet Li, Jason Scott Lee,  Yoson An e outros.
Data de Lançamento: 04 de setembro de 2020 (USA)
Censura: 12 anos
Avaliações: IMDB | Rotten Tomatoes

 

 


TRAILER DO FILME:

 

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