IDLEWILD – Interview Music (2019)



“Interview Music é o Idlewild com o mesmo pique de antes, embora falhe em alguns momentos.”

A banda escocesa Idlewild surgiu em meados dos 90’s e logo ganhou notoriedade tornando-se uma das queridas daquela época. Porém, foi depois de 2000 que os escoceses chegaram com maturidade para lançar três discos fundamentais na carreira: ‘The Remote Part’ (2002), ‘Warning/Promises (2005) e ‘Make Another World’ (2007). Por si só, essa tríade discográfica colocaria o grupo numa situação confortável para a lista de bandas que poderiam entrar na história da música.

O Idlewild passou por seus momentos conturbados depois de alguns louros colhidos. Fato normal na trajetória de muitas bandas. Saída de integrantes, o líder e vocalista Roddy Woomble começou a pensar em carreira solo, o grupo teve a necessidade de arrumar um tempo para refletir. O espaço de lançamento dos álbuns passou a ser maior. Mas eles voltaram e ‘Interview Music’ é o oitavo disco tendo a produção por conta de Dave Eringa (bem conhecido por trabalhar bastante com o Manic Street Preachers).

O Idlewild arrisca para os padrões atuais ao criar um disco longo que passa dos cinquenta minutos e treze faixas. Nessa soma total, infelizmente, algumas canções se sobressaem a outras. Há um desequilíbrio que, embora não afete a identidade da banda, também não representa plenamente a capacidade criativa dela.

As boas vindas são dadas com a genial ‘Dream Variations’ que traz o Idlewild que conhecemos, com um instrumental pesado sem perder uma postura pop-rock incisiva, fazendo um final viajante e climático vertendo ao space rock. ‘There’s A Place For Everything’ traz uma pegada mais atual, carrega um refrão grudento e parece ter se inspirado em bandas com uma sonoridade mais dançante como The Rapture e Islands. ‘Interview Music’ é a banda bem experimentalista, colocando distorções na guitarra, os vocais de Woomble mais agressivos.

‘Same Things Twice’ dá um soco no estômago, sem deixar o ouvinte tomar fôlego, uma das criações com mais teor punk feitas pelo grupo. ‘I Almost Didn’t Notice’ acalma os ânimos e traz instrumentos mais brandos numa espécie de balada. ‘Mount Analogue’ mescla a união de guitarras e sopros numa boa sintonia, faixa essa que tem uma sonoridade com maior influência do blues.

‘Miracles’, ‘Forever New’ e ‘Bad Logic’ são canções fracas no álbum, representam momentos onde a banda não consegue extrair seu potencial e falha em arranjos que poderiam ser mais rebuscados e conquistar os ouvintes. Claro que na soma final ‘Interview Music’ soa mais brilhante do que morno, mesmo que em canções específicas, e isso ainda garante o Idlewild como uma banda para se prestar atenção e que não pode parar.

:: NOTA: 6,8


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 6,8


::LEIA TAMBÉM:

THE CHEMICAL BROTHERS – NO GEOGRAPHY (2019)

IDLEWILD – MAKE ANOTHER WORLD (2007)


 

::FAIXAS:
01. Dream Variations
02. There’s A Place For Everything
03. Interview Music
04. All These Words
05. You Wear It Secondhand
06. Same Things Twice
07. I Almost Didn’t Notice
08. Miracles
09. Mount Analogue
10. Forever New
11. Bad Logic
12. Familiar To Ignore
13. Lake Martinez


:: Mais Informações: Facebook/Site oficial


:: Assista ao vídeo de ‘Dream Variations’:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Avatar
    27/04/2019
    Responder

    Meus preferidos são o “100 Broken Windows” e “The Remote Part”. Precisaria ouvir os outros com mais calma, e esse novo também. É uma banda que gosto, mas acho que meio que se perderam.

  2. Avatar
    Eduardo Salvalaio
    03/05/2019
    Responder

    É, a fase inicial da banda rendeu bons discos e a colocou numa posição confortável naquela época. Que o diga os discos que você citou. Esse novo poderia ter ficado mais curto. De qualquer forma, a banda ainda possui seu poder de criação, mesmo que ainda centrado na época antiga dela.

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