Radioactivity (Kraftwerk, 1976)


Ao longo da vida passamos pelas mais variadas situações, adquirimos traumas, acumulamos experiências, e tentamos tirar um aprendizado de tudo isso para que possamos evoluir como pessoa, ou nos tornarmos melhor, ou nos conhecermos melhor.

Olhar para dentro de si pode trazer à tona uma série de sentimentos e pensamentos que nem todos estão dispostos a encarar, principalmente aqueles mais sombrios. A susceptibilidade a um cheiro, um sabor, um som, é única em cada pessoa, logo inexplicável. O agregado de experiências certamente entra na equação que pode explicá-la.

Alguns álbuns marcaram e outros marcarão nossas vidas das mais diversas formas. A juventude parece ser a época mais propícia para que essas “cicatrizes” sejam feitas.

Por isso mesmo, não recomendo esse álbum a pessoas suscetíveis a serem arrastadas para baixo por canções. Claro, a maneira como cada um se relaciona com a música é algo muito particular. No meu caso, Radioactivity é um álbum com efeitos não muito “reconfortantes”. Até hoje soa como o álbum mais sombrio do Kraftwerk. Ao seu instrumental gélido, que tanto pode servir de trilha sonora para um pré quanto para um pós apocalipse nuclear, soma-se o canto monocórdico, melancólico de matizes frias de Florian Schneider.

Considero-o como o álbum ‘dark’ da banda, conceito que vai desde a sua capa negra, até os temas tratados: radioatividade, ondas eletromagnéticas e de rádio: o mundo moderno e todas as suas mazelas mais perigosas e silenciosamente mascaradas. Um tratado sobre os diversos tipos de emissões invisíveis aos quais estamos expostos e o quanto isso é perigoso, enquanto homem, feito criança descobrindo o mundo a sua volta, insiste em “brincar”.

Àqueles em seu período de descoberta das paixões repentinas, gostaria de adverti-los que tive um encontro “estragado” após ouvir o mesmo durante num longínquo ano da década de 1990. O “bicho” me arrastou para uma maré de melancolia que melou o que poderia ser um encontro promissor. Se recordo-me disso até hoje é porque o acontecimento foi bem marcante, e ouvir o disco sempre traz essas lembranças.

Radioactivity sempre leva meus ponteiros aos níveis mais baixos. Ainda que os temas pouco tenham a ver com melancolia, a maneira como são cantados transmitem-na, de forma que se torna possível, inclusive, fazer um jogo com a letra e adaptá-la de acordo com as minhas percepções. Loucura? Não sei! Mas é assim que a audição desse disco se apresenta para mim, acaba sendo sempre uma trilha sonora para viagem interior.

Destaco as faixas: “Radioactivity”, “Radioland”, “Antenna” e “Ohm Sweet Ohm”.

PS: Recentemente adquiri o álbum em CD, muitos anos após me desfazer do vinil. E vai aqui uma confissão, tinha certo receio de adquiri-lo e continuo tendo de ouvi-lo.

FAIXAS:
1 – Geiger Counter 2 – Radioactivity 3 – Radioland 4 – Airwaves 5 – Intermission 6 – News 7 – The Voice of Energy 8 – Antenna [21:12] 9 – Radio Stars 10 – Uranium 11 – Transistor 12 – Ohm Sweet Ohm Bonus: 13 – Radioactivity (Single Edit) 14 – Antenna (Single Edit) 15 – Geiger Counter/Radioactivity (Live) 16 – Airwaves (Live) 17 – The Voice of Energy/Radio Stars/Ohm Sweet Ohm (Live)

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