Feira Noise 2017, como foi o segundo dia do Festival


Foto: Rafael Santos/Márcio Santana

Feira Noise 2017 – Dia 2 (sábado)

Line-up do dia
Sofie Jell (Abertura)
Ronco
Barro
Iorigun
Ventre
Mombojó
Mad Monkees
Belzeblues
Novelta
Maglore
Dead Fish (Encerramento)

Com a alta expectativa gerada pela qualidade das atrações da sexta-feira, o segundo dia começou com problemas logísticos para nós do site. Devido a uma falha na logística preparada para a cobertura do Festival, quando chegamos na arena do CCAM as bandas Sofie Jell e Ronco, já haviam se apresentado.

Chegamos a tempo de ver o cantor/guitarrista/compositor/produtor pernambucano, Barro e sua banda fazerem uma das apresentações mais interessantes do segundo dia. Misturando rock com pop e elementos regionais, tudo isso aliado à utilização de um sampler (eletrônico), o artista realizou um show envolvente, agradando o pequeno e “tímido” público ali presente. No repertório, de um show de aproximadamente 40 minutos, canções de ‘Miocárdio’ (2016) seu único álbum. Dentre elas, “Ficamos Assim”, “Mata o Nêgo” e “Nouvelles Vagues”, esta última cantada em francês.

Com cerca de uma hora de atraso, era por volta de 18:30 h, quando a Iorigun, uma das revelações do rock feirense na atualidade, subiu ao palco, provavelmente o maior que já se apresentaram, e fizeram um show coeso, mandando bem seu indie-rock de guitarras dedilhadas. Tocaram na integra seu recém lançado EP “Empty.Houses//Filled.Cities”, e mais três canções. Com uma apresentação de cerca de trinta minutos, agitaram o pequeno público que se encontrava. O ápice do show foi justamente a última música, o hit “Downtown”. Como já havia acontecido no show do 2º Fervura, no Offsina, chamaram ao palco o amigo Lucas Laudano, guitarrista e vocalista da Sofie Jell, que deu uma canja na guitarra. Comparando com o show do 2º Fervura, pode-se dizer que o show ficou um pouco aquém, tendo em vista fatores como: maior espaço, com a equalização do som ainda não bem ajustado e horário da apresentação. Vale uma observação/dica, Iuri Molde (guitarra/vocal), nos momentos de maior empolgação acaba subindo a voz e perdendo o alcance.

Ainda não habituado ao ritmo de um festival, que oferece a oportunidade de conhecer artistas interessantes, o público ainda chegava ao Amélio Amorim quando o power trio carioca Hugo Noguchi (baixo), Gabriel Ventura (guitarra) e Larissa Conforto (bateria), pela primeira vez em Feira, despejaram os primeiros acordes de sua música no ar, começando sua apresentação com uma pegada pesada. À vontade no palco, executaram canções longas de instrumental que segue por muitos caminhos, com direito a alguns experimentalismos. A música do trio mescla momentos de distorção intensa com passagens mais melódicas/viajadas, adornadas em algumas canções pelos backings da baterista Larissa.

Politicamente engajados, gritaram o “Fora Temer”, talvez uma das frases mais ouvidas da noite e fizeram um discurso contra a aprovação da Lei Contra o Aborto em caso de estupro. Apesar do calor da entrega da banda em palco, apresentando algumas faixas do álbum ‘Carnaval’, incluindo a faixa homônima e “Bailarina”. A recepção do público foi morna. Tocaram cerca de meia hora, e já no epílogo jogaram um incidental com a música “Sonhos” (Peninha).Fizeram um final apoteótico com a potente “Pernas” e seu refrão : “Deixa escorrer pelas pernas e se perder pelo caminho”. Para uma banda que explora o vocal/letras de forma imprescindível, meio chato que em algumas canções o vocal se tornava pouco audível, na terceira canção quase não se ouvia a voz de Gabriel.

Foto: Rafael Santos/Pedro Henrique/Márcio Santana

Enquanto os pernambucanos da Mombojó se preparavam para entrar no palco, constatamos a imensidão da fila para pegar a ficha para comprar algo para beber ou comer, um dos pontos a serem observados nos festivais vindouros. Além disso, a fila se estendia para o local onde deveria ficar as pessoas que estavam assistindo o show próximo ao palco.

Mal subiram ao palco e a Mombojó já avisou que o show seria curto. Com uma discografia de cinco álbuns e um EP, quarenta minutos para se apresentar foi realmente pouco. O que não impediu de a banda empolgar os fãs de sua música, que se achegaram para perto do palco e dançaram com sucessos da banda como: “Cabidela”, faixa de abertura, onde o jogo de luzes no palco foi intenso; a nostalgia de “Entre a União e a Saudade”, as referências eletrônico/psicodélicas do Stereolab na agitada e dançante “Papapa”, momento em que o show dos pernambucanos ficou mais envolvente, e a pegada quase surf music de “Deixe-se Acreditar”. O show teva ainda a participação de Barro em uma das músicas. Com uma postura que parece um tanto distante, o vocalista Felipe S. buscou interagir com a platéia, mas a parte de se relacionar ficou mesmo com o baixista Missionário José, uma figura no palco, e que também gritou a frase da noite. Foi um show burocrático.

A malemolência da Mombojó deu lugar aos cearenses da Mad Monkees, a banda mais pesada do festival. Com peso nas baquetas e pedal duplo no bumbo, distorções de guitarra no talo e letras em inglês, a banda apresentou as canções do seu álbum homônimo, variando entre o metal e o stoner rock. Agradaram ao público que gosta de sons mais pesados, com algumas passagens de suas músicas lembrando até Metallica.Um show tecnicamente correto e dentro do que se espera de uma banda nesse estilo. O vocalista e guitarrista Felipe Cazaux parecia muito feliz em estar participando do festival e interagia com o público constantemente, embora sua palavra preferida fosse “caralho”, que ele repetiu durante todo show.

Foto: Rafael Santos/Márcio Santana

Sábado foi o dia com o maior público em todo o festival, foi também dia de revival. Com um longo tempo distante dos palcos, a Belzeblues fez o que se pode chamar de apresentação especial. Reunidos para essa edição do Feira Noise, Duda e banda fizeram a alegria dos quarentões ao desfilar canções clássicas da banda, onde o bom e velho rock’n’roll e blues se uniram, sob as bençãos do padrinho Marcelo Nova. Apesar de a voz não aguentar todo o show, Duda mostrou-se um frontman divertido, que se diverte e busca divertir a plateia com suas tiradas. Entre erros e acertos, devido à falta de entrosamento, foi um show além de divertido, nostálgico. Era visível a expressão de felicidade de todos que estavam ali no palco, e o público, dos 20 aos 40, também gostou da apresentação do grupo. Algo que muitos dirão ter sido histórico.

A Novelta subiu ao palco com uma formação diferente daquela que esteve no Feira Noise de 2015 (saíram Filipe e José Cordeiro, entraram Luyd Andrade e Eduardo Quintela), musicalmente a banda mostrou-se entrosada e à vontade no palco para apresentar suas músicas com influência do stoner rock. Com som bem equalizado, permitindo-se escutar todos os instrumentos e a voz, o quarteto feirense usou um sample para abrir o show e apresentou canções do EP “Quintais Abertos”: “Santa Poeira”, “Ancorado”, “Êxodo”. Por sinal, fizeram um arranjo diferente para “Êxodo”, tornando-a inclusive mais veloz que o normal. Wendel, com seu rebolado de cintura dura, divertia o público em “Ice Cream Rock’n’Roll”, música da também feirense Tangerina Jones, momento em que o guitarrista Rodrigo subiu ao palco. “Santos Populares” também ganhou uma introdução com um sample que ia recitando a letra, finalizaram com o que parece ser uma música nova da banda, tendo a participação de Lucas, da Sofie Jell, nos vocais e trechos da conversa gravada do senador Romero Jucá: “Com o Supremo, com tudo”. Talvez o show mais diversificado da Novelta, com Wendel repetindo algo habitual e a ser corrigido, afastar-se do microfone antes de terminar a frase.

Se na noite anterior os queridinhos eram os rapazes da Selvagens à Procura de Lei, o sábado teve o seu, a soteropolitana radicada em São Paulo, Maglore. Já era domingo quando a banda subiu ao palco, não sem antes o vocalista Teago Oliveira ouvir o canto da meninas de “lindo, tesão, bonito e gostosão”, ao qual agradeceu envaidecido.

Com a maior parte do publico em frente ao palco, e agora novamente um quarteto, a Maglore abriu o show com “Me deixa legal”, do álbum “Todas as Bandeiras” (2017). E o show foi calcado mais em canções do novo disco e algumas do “III”. O clima foi de cumplicidade entre público e banda, algo que já tinha acontecido na noite anterior com os Selvagens. Teago é um vocalista que tem carisma, mas já tinha o público na mão antes mesmo de começarem a tocar. Fizeram o show mais longo do festival com cerca de uma hora e vinte minutos de duração, o que permitiu que apresentassem uma diversidade de canções: ” Se Você Fosse Minha”, “Jogue Tudo Fora”, “Ai Ai”, “Eu Consegui Perder Meu Grande Amor”, “Calma”, “Valeu, valeu” (com uma introdução suingada que lembra Foals), “Mantra”, um dos hits da banda, momento em que uma galera subiu ao palco para encerrar o show cantando junto com a banda e emocionou.

Com uma longa pausa após o show da Maglore, a Dead Fish, banda mais longeva a se apresentar no festival, subiu ao palco próximo das duas da madrugada Boa parte do público já tinha ido embora quando começara a executar seu hardcore enérgico de letras afiadas contra o stabilishment, inclua aí o governo e a Rede Globo. Quem ficou, pogou e pulou muito com o som da banda. Destaque para a postura de palco enérgica do vocalista Rodrigo , que pulava junto com o público. Fizeram um show correto, dentro do que se espera de uma banda de hardcore, pecando na demora para subirem no palco, que fez com que muita gente não visse todo o show da banda capixaba.

:: Cobertura do dia por:
Ângelo Fernandes
Isaac Martins
Luciano Ferreira

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