GRIZZLY BEAR – Painted Ruins (2017)


NOTA: 8,5

Edward Droste e companhia voltam a criar um compêndio de canções interessantes sustentadas por arranjos primorosos dentro de um padrão indie-rock consistente e convincente.

O Grizzly Bear, após cinco discos de estúdio, já criou sua identidade e serve como referência para várias bandas que estão começando. Apesar disso, há sempre uma diferença nos trabalhos do grupo. Mesmo dentro de um padrão de elaboração, cada disco traz sua característica e pode causar no ouvinte inúmeras percepções, sentimentos, julgamentos. Pode soar mais intrincado ou mais acessível, pode ser mais barulhento ou mesmo mais melancólico. Fato certo é que todo álbum dos americanos precisa de inúmeras explorações e nada funciona numa primeira audição e sem a devida atenção. Isso é mérito hoje em dia, apesar de muitos optarem pela velocidade em assimilar algo, só para fazer uma pseudo afirmação de que entendeu aquela forma de arte.

Para ‘Painted Ruins’, vale tudo o que foi citado acima. Esse é outro trabalho do quarteto que precisa ser descoberto, e a cada faixa, um pouco do que o Grizzly Bear tem feito, fragmentos estilhaçados dos álbuns anteriores. Tanto que é errôneo dizer que esse disco está melhor ou pior que a anterior, ‘Shields’ (2012). Cinco anos de diferença. Como pode ser notado, o grupo não tem pressa em lançar algo. Não é por menos, as onze faixas completam um repertório que acaba funcionando igualmente, nada sobra, nada falta. É uma seleção de composições que carregam o cuidado nas construções harmônicas que Droste e companhia lapidam desde o début.

Pontuado por várias gerações, fases da música e claro, pela própria história do grupo, o novo álbum também é um recorte bem planejado e interessante para quem acompanha essa arte. Considero o quarteto como uma das bandas mais influenciadas por The Beatles, muito visível os traços da sonoridade Beatleriana em ‘Losing All Sense’. ‘Aquarian’ nos transporta para o rock psicodélico 70’s ajustado corretamente pros dias atuais, ‘Three Rings’ é uma canção que se encaixaria corretamente num trabalho marcante como ‘Kid A’ do Radiohead. Sim, isso mesmo. ‘Mourning Sound’ continua perpetuando o jeito Grizzly Bear de se criar uma música grudenta e radiofônica (como já haviam feito perfeitamente com os singles ‘Two Weeks’ e ‘Yet Again’).

Desde o primeiro disco (lá em 2004) até ‘Painted Ruins’, o Grizzly Bear vai mantendo o equilíbrio sem perder a qualidade, o esmero e a criatividade artística. Muitas bandas não conseguiram e acabaram caindo ou no limbo ou caminhando para um terreno perigoso. A turma de Droste não, continua num estado de aprimoramento e prefere seguir no seu jeito, na sua proposta, num percurso de valorizar a música e seus recursos: letras, arranjos, melodia, ritmo, acordes, criação e a boa recepção do ouvinte.

Saiba mais:
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