WOLF ALICE | Blue Weekend


Foto de Wolf Alice de 2021
Foto | Jordan Hemingway

Passados quatro anos desde Visions of a Life (2017), e os londrinos do Wolf Alice retornam com Blue Weekend, seu terceiro álbum de estúdio. O novo disco foi produzido por Markus Dravs e gravado no ICP Studio, em Bruxelas, onde já haviam gravado o EP Creature Song: “Tínhamos uma nostalgia romântica pelo lugar e queríamos retornar. Parte forçados pelo lockdown devido a pandemia, parte por opção, em busca de distanciamento, esse contexto permitiu que Ellie Rowsell e seus colegas de banda pudessem trabalhar melhor as canções entregues neste novo álbum, muitas delas de autoria da vocalista, que também toca guitarra e outros instrumentos.

O reencontro com Ellie e sua banda mostra um trabalho centrado no canto da vocalista, com uma desenvoltura facilmente percebida como maior, surgindo em nuances diversas: gritada (Play the Greatest Hits), suave, em camadas, etérea, mas sempre envolvente e adquirindo novos contornos dentro do compêndio musical criado pelo grupo. Sem se fazer de rogada, musicalmente a banda vai do esporro grave e grunge ao orquestrado, passando inclusive pelo Reggae e momentos perto do épico. Isso faz de Blue Weekend o álbum mais diversificado e musicalmente mais rico do Wolf Alice. Não só isso, dentro da sua relativamente curta discografia de apenas três álbuns, este é o que apresenta as canções mais acessíveis, e isso não se deve ao fato de a banda ter entrado no gosto popular, mas pela capacidade que a maior parte delas possui de se fixar facilmente e ser cantarolada.

Na escalada de indicações, paradas e prêmios que se seguiram ao segundo álbum, shows, a parada por seis meses antes de darem início às gravações permitiu que o grupo retornasse arejado para o novo trabalho. As canções citadas são então são sintomas do amadurecimento e da diversidade de ideias na confecção do novo trabalho, espaçado por um período de tempo incomum para os tempos atuais, minimizado pelo contexto pandêmico, salutar para o grupo por permitir que pudessem focar em sua música.

+++ CRÍTICA |WOLF ALICE – Visions of Life

Se no álbum anterior “Don’t Delete the Kisses” era a faixa de maior grandeza e que elevava o grupo a um novo patamar ao se distanciar o mais possível de qualquer rótulo, aqui há várias faixas com esse potencial: “Lipstick on The Glass”, “How Can I Make It Ok?” (com toques de Enya) e “Delicious Things”, uma das melhores faixas do álbum e da carreira do grupo. Baseada numa linha de cheia de espaços vazios, típico do Reaggae, enquanto na letra Ellie fala sobre sua experiência numa festa em Los Angeles e o seu receio de ficar presa naquele mundo de glamour, e a dúvida se realmente pertence àquele lugar.

Em “Safe From Heartbreak (If You Never Fall in Love”, o canto de Ellie é próximo do erudito, lembrando as bandas do selo Hyperyum Records e suas “heavenly voices” (vozes celestiais); já “The Last Man on Earth” tem uma fórmula já bem conhecida de começar pequena e ir crescendo, criando um clima épico, uma tentativa esperta de criar uma canção para ser cantada em uníssono em shows com isqueiros e tal. Algo do tipo “Fake Plastic Trees”, do Radiohead, ou “Yellow”, do Coldplay, são os exemplos que surgem.

Blue Weekend está para o climático, com canções ambiências reflexivas. Inarredável não observá-lo pela perspectiva de uma extensão do lado mais autoral de Visions of Life, construído num movimento consciente dos fins a serem atingidos e, por isso mesmo, melhor lapidado. O resultado é o melhor álbum do grupo e, de quebra, o alvorecer de uma ótima cantora e compositora.


O ÁLBUM “BLUE WEEKEND”:

 


O VIDEOCLIPE DE “THE LAST MAN ON EARTH”:

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