A eletrônica equilibrada e de boas referências do Rival Consoles


Rival Consoles, foto

O britânico Ryan Lee West, de apenas 34 anos, é o músico que está por trás do projeto eletrônico Rival Consoles. Atuando desde 2007, a princípio o artista se apresentava com o nome de Aparatec. No mesmo ano, resolveu mudar o nome para Rival Consoles quando do lançamento do EP Decadent. O músico começou bem simples, usando instrumentos analógicos e pensando na sua música como um laboratório para experimentalismo e ensaios.

Os primeiros álbuns lançados ganharam boa repercussão entre críticos e ouvintes, sobretudo Howl de 2015. Não apenas isso, o músico somou experiência realizando turnês ao lado de nomes como Clark e Nosaj Thing. Também tem em seu currículo inúmeros remixes. Embora não tenha abandonado os instrumentos analógicos, adaptou-se com destreza aos instrumentos mais modernos dentro das múltiplas possibilidades de estúdios avançados, buscando a dinâmica sonora que a música eletrônica e seus gêneros variantes proporcionam. Logo o Rival Consoles passou a ser reconhecido como um dos nomes mais importantes dos últimos anos na cena eletrônica.

Electro-house, IDM, Techno. Para West, esses são os gêneros que melhor definem sua música. Porém, dentro da cena eletrônica, tal definição de gêneros é sempre complicada, acaba dispersa e incompleta.

Com seis faixas, curto para os padrões da música Eletrônica (35 minutos), Articulation, o sexto e mais recente trabalho do Rival Consoles, demonstra equilíbrio sonoro. Pode soar intimista e minimalista, entretanto não abre mão de batidas dançantes e dos climas hipnóticos preenchidos com muitos detalhes da Eletrônica e seus aparatos (faça uso de um bom fone de ouvido, de preferência). Isso já vale para a abertura com “Vibrations On A String” que, apesar de começar tímida, segue numa sonoridade crescente envolvendo mais riqueza instrumental e com o surgimento de batidas.

“Articulation” é uma daquelas canções que parecem ter sofrido diversas influências, de Kraftwerk até a cena Techno de Detroit (80’s), embora não seja logo perceptíveis. Loops, efeitos, mudanças de ritmo, é onde o músico extrapola as possibilidades de estúdio e cria um mosaico de sensações e nuances. “Melodica” não apresenta batidas, se deixa envolver pelo gênero Ambient ganhando características de faixa ideal para trilha sonora filme. “Still Here” segue por texturas de sintetizadores e soa tanto melancólica como etérea.

Articulation pode ser indicado para fãs da Eletrônica. Fará o ouvinte sentir-se nostálgico e lembrar de alguns nomes do passado, mas ao mesmo tempo está encaixado dentro do gênero na atualidade. Ao que tudo revela, West estuda a música que cria, passado e presente são lições que ele fez questão de aprender para revigorar o futuro de sua música.

DESTAQUES: “Vibrations On A String”, “Articulation” e “Sudden Awareness Of Now”.


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:: OUÇA O ÁLBUM:


Ouça o áudio de “Sudden Awareness of Now”:

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