CASSIUS – Dreems (Universal Music, 2019)


Foto do duo francês Cassius para resenha do álbum "Dreems"

“Dreems passa pelo emotivo e dançante abrangendo releitura do Cassius de vinte anos atrás”

Entre tantas notícias tristes que frequentemente nos bombardeiam, uma passou um quanto que despercebida: a morte de Phillipe Zdar Cerboneschi no dia 20 de junho desse ano. Zdar era a metade do cérebro responsável pela dupla eletrônica francesa Cassius. Cassius vem de uma época onde a eletrônica teve um momento fortalecido com grandes nomes revelados ao mundo, isso nos 90’s. O duo chegou lá no final da década com o álbum 1999 (1999).

Acontece que os franceses não atingiram tanto sucesso como seus conterrâneos do Daft Punk, mas não por isso são menos importantes. Passaram pelo início desse século sem muito estardalhaço e continuaram lançando seus trabalhos. Pode se pensar que o Cassius esteja num mesmo patamar que o Orbital, Basement Jaxx e Underworld: não receberam os devidos e merecidos créditos por suas produções, entretanto precisam servir de referências em qualquer assunto que esteja ligado à música eletrônica.

Estamos em 2019, num ano que tantos veteranos fizeram bonito (a exemplo de Chemical Brothers) e Dreems nos transporta para 15/20 anos atrás, relembrando os trabalhos iniciais da dupla. A House Music que eles entendem. Nada de original. Um retorno. Ouvintes da eletrônica que vivenciaram aquela época se sentirão mais em casa.

Com colaborações bem variadas e de peso: Mike D (Beastie Boys), John Gourley (Portugal, The Man) e Luke Jenner (The Rapture), a dupla investiga seu próprio modus operandi fazendo uma releitura da sonoridade que a consagrou (mesmo que dentro de um pequeno círculo da cena eletrônica). A cantora francesa Owlle (que participa de três canções) e a inglesa Vula Malinga acompanham a essência do álbum e não deixam o status de que vocais femininos casam bem dentro da música eletrônica cair por terra.

Os múltiplos efeitos eletrônicos e vocais que rondam “Chuffed”, a incursão exata de rap em “Cause Oui!” e o clima dançante impulsionado por um baixo inquieto em “Calliope” confirmam a criatividade do duo mesmo dentro da house music original e típica que eles criaram. Dreems foi lançado no dia seguinte após a morte de Zdar. Porque a vida continua, a música não cessa. Não é um disco sensacional e perfeito, mas é a música ainda em pulsação, uma forma que o duo teve de continuar demonstrando seu carinho e respeito para com a música e para com nós, ouvintes.

NOTA: 7,0


NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 7,0


::LEIA TAMBÉM:
THE CHEMICAL BROTHERS – NO GEOGRAPHY (2019)
STEALING SHEEP – BIG WOWS (2019)


::FAIXAS:
01. Summer
02. Nothing About You (Feat. John Gourley)
03. Vedra
04. Fame
05. Don’t Let Me Be (Feat. Owlle)
06. Chuffed
07. Rock Non Stop
08. Cause Oui! (Feat. Mike D)
09. Dreams (Feat. Joe Rogers, Luke Jenner e Owlle)
10. Calliope
11. W18 (Feat. Vula Malinga)
12. Walking In The Sunshine (Feat. Owlle)


:: Mais Informações: Facebook/Twitter


:: Assista ao vídeo de ‘’Don’t Let Me Be”:

Anteriores HATCHIE - Keepsake (Double Double Whammy, 2019)
Próximo CONHEÇA A BANDA EX - ARTISTAS EM BUSCA DE NADA

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado.