Possessor traz terror psicológico sobre identidade na era digital


Possessor, filme

Possessor é uma viagem visceral lunática sobre assassinatos na era moderna e sobre o quanto a tecnologia pode induzir a loucura: uma verdadeira odisseia científica do terror.

Possessor é o mais novo filme de terror psicológico que bebe na fonte da ficção cientifica para entregar uma história um tanto bizarra e neurótica. Detalhes que apontam o longa-metragem como um dos melhores filmes de terror tecnológico dos últimos tempos. O longa entrou na lista entre os diversos filmes que tiveram sua distribuição atrapalhada pela pandemia provocada pelo novo Coronavírus.

Quem assina a direção dessa odisseia esquizofrênica é Brandon Cronenberg, filho do conceituado diretor David Cronenberg. Brandon já é conhecido pelo seu trabalho em filmes como “Antiviral” (2012), quem assistiu já sabe mais ou menos o que vai encontrar em nesse novo trabalho do diretor.

A premissa do filme trafega por inovações tecnológicas, acompanha Tasya Vos, funcionária de uma empresa com características bem peculiares: usa a tecnologia de implantes cerebrais para hospedar o corpo de outras pessoas com intuito de cometer assassinatos para essa corporação, sem que sejam descobertos. Uma narrativa um tanto bizarra e angustiante que disserta sobre a identidade na era digital.

Vos recebe uma nova missão, invadir o corpo de Collin Tate (Christopher Abbott),  cuja a mente já está um tanto debilitada, o que vai levar ambos a uma tremenda batalha psicológica pelo controle e para elucidar o que separa a identidade dos personagens.

O longa repercute de uma forma estranha, é daquelas produções fica martelando na cabeça por algum tempo. É uma característica do diretor Brandon Cronenberg, que consegue criar uma atmosfera com cenas e universos bem inatos, ao mesmo tempo que traz uma identidade visual e narrativa para seus filmes.

O diretor trabalha muito com as cores. Há cenas em que deparamos com aquele vermelhão na tela, em outras, o azul e o branco. Os enquadramentos também não seguem um padrão, variando entre planos simétricos e outras assimétricos.

A fotografia ajuda a desenvolver essa atmosfera impactante do filme. Em boa parte do longa, ela é fria, sem vida e cinzenta. Detalhes que criam certo apelo visual, dando mais ênfase para as cenas de violência. Por falar em violência, o gore aqui é bem explicito. Brandon fez bem a lição de casa. Cronenberg (o pai) é conhecido por filmes um tanto peculiares, que soam nojentos, com sangue e deformações do corpo humano. É o caso de Videodrome (1983) e A Mosca (1986).

Brandon consegue dissertar sobre temas um tanto relevantes e contemporâneos de forma mais sangrenta e violenta possível. E faz o uso certeiro da ficção científica. Quem assistiu a série Black Mirror em muitos momentos irá se familiarizar com cenas e temáticas abordadas no filme.

A atuação de Andrea Risenborough é espetacular. A atriz conseguiu incorporar a proposta da sua personagem. Ela tem um olhar frio, sem vida, apática e sem sentimentos. Christopher Abbott, também está muito bem. O cara é responsável por momentos bem lunáticos e de surtos que beiram o delírio da mente humana. Algo que faz questionar os limites da sanidade, até que ponto é possível manter o equilíbrio.

O filme explora muito bem os conceitos da ficção científica, ele excogita as possibilidades de um futuro distópico, fazendo um retrato dos dias atuais, com tecnologias cada vez mais avançadas, mas sem deixar de lado o delírio psicológico. É um filme de terror com uma proposta um tanto criativa. Em alguns momentos é um pouco mais lento, mas isso ajuda no desenrolar da história e no desenvolvimento da atmosfera densa que envolve os personagens. Faz você se questionar o tempo inteiro que fim essa história bizarra vai levar. Vale “garimpar” e assistir.

LEIA TAMBÉM:

RESENHA: CAM | 2018
RESENHA: ESTRANHOS EM CASA | Furie (2019)


Possessor, cartaz

FICHA TÉCNICA:

Gênero: Horror, Sci-Fi, Thriller
País: Reino Unido | Canadá
Duração: 1h42min
Direção: Brandon Cronenberg
Roteiro: Brandon Cronenberg
Elenco:  Andrea Riseborough (Tasya Vose), Christopher Abbott (Colin Tate), Rossif Sutherland (Michael Vos), Tuppence Middleton (Ava Parse), Sean Bean (John Parse), Jennifer Jason Leigh (Girder) e outros
Data de lançamento: 25 de janeiro de 2020 (EUA)
Censura: ?? anos
Avaliações: IMDBRotten Tomatoes

 

 


TRAILER DO FILME:

Anteriores Thriller policial com toques de drama, Deadwind se garante graças a primeira temporada
Próximo Shoegazer Alive #19 traz novidades imperdíveis Shoegaze & Dreampop

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *