FLEABAG (Fleabag, 2016 – 2019)


Cena de Phoebe Waller-Bridge na série Fleabag, da Amazon Prime

“Fleabag, série mais premiada de 2019, genialmente brinca de trazer o espectador pra dentro da história”

Baseada na peça teatral homônima, escrita e estrelada em 2013 pela excepcional Phoebe Waller-Bridge, na qual a mesma literalmente conversava com a plateia, Fleabag era considerado por muitos como algo impossível de ser adaptado para o cinema ou a TV. Ledo engano, pois a série acaba de se consagrar como a maior vencedora do Emmy em 2019, desbancando produções “favoritas” como Game Of Thrones e Chernobyl. Até o momento da publicação desse texto, Fleabag já acumula 32 prêmios e 50 indicações.

Trata-se de uma produção original do serviço de streaming Amazon Prime Vídeo em parceria com a BBC One. Já dada por encerrada por sua criadora, a série é composta apenas por duas temporadas, lançadas em 2016 e 2019. Cada uma contendo seis episódios de 27 minutos em média.

Fleabag é uma jornada engraçada, amarga e intrigante, que aborda temas como luto, solidão, família disfuncional, relações líquidas, sexo, desapego, relações abusivas, dor, amor, culpa e a busca por redenção de uma protagonista atolada em seu comportamento impulsivo, autoindulgente e depressivo. Tudo isso embalado em doses cavalares de sarcasmo, muita ironia e o costumeiro humor ácido britânico.

Além do texto afiado, repleto de piadas inteligentes e bizarrices comportamentais diversas, um recurso narrativo que chama bastante atenção aqui é a chamada “quebra da quarta parede”, ou seja a protagonista “enxerga” o público e estabelece um canal de comunicação exclusivo com o mesmo.

Várias produções já utilizaram esse recurso antes, de Curtindo a Vida Adoidado (1986), até Minha Fama de Mau (2019), porém nenhuma conseguiu o alcance e o resultado efetivo de Fleabag.

A genialidade capaz de pegar um recurso narrativo antigo e transformá-lo em algo novo, apenas estabelecendo novas regras de utilização a fim de enriquecer e aprofundar a relação do espectador com a protagonista é o que torna essa série ainda mais especial.

A sensação que a audiência tem ao ser incluída no roteiro como um personagem para o qual a protagonista lança inúmeros olhares e confessa os seus pensamentos mais íntimos e intensos provoca um sentimento de “amizade” e pertencimento para com a realidade proposta sem precedentes.

A metalinguagem ganha ainda mais força na segunda temporada, conceitos são aprofundados e a comédia estilosa da primeira temporada ganha ares de uma pequena obra prima ao imprimir um tom confessional irresistível embasado em um roteiro primoroso.

Phoebe Waler-Bridge, que interpreta a Fleabag, é também a produtora e a roteirista da série.  Ela é conhecida também pelo seu trabalho como roteirista da série de ação Killing Eve (2018) Atualmente está desenvolvendo o roteiro do próximo filme da franquia 007 a pedidos do ator Daniel Craig.

A série conta com excelentes coadjuvantes como a oscarizada Olivia Colman, de A Favorita e The Crown e Brett Gelman de Stranger Things.

Fleabag ou “saco de lixo” em uma tradução não literal, é a síntese exata da capacidade humana de rir de suas próprias dores, dilemas e fracassos como forma de suportar o peso dos dias.

Portanto é perfeitamente compreensível que a personagem fuja inúmeras vezes de sua realidade solitária procurando e encontrando toda atenção e carinho que precisa do outro lado da tela. A recíproca é verdadeira.

NOTA 9,5


NOTA DOS REDATORES:

EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
LUCIANO FERREIRA: –

MÉDIA: 9,5


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:: Assista ao trailer:

 

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