RESIDENT EVIL 2 (2019)


Cena do jogo resident Evil 2, da Capcom

“Resident Evil 2 mostra a importância de ressuscitar um jogo que foi ícone do Survival Horror dos 90’s”

O pedido e o sonho de muitos jogadores mais nostálgicos foi atendido: Resident Evil 2 é lançado. Considerado como um remake, mesmo assim a Capcom diz que prefere não usar essa palavra para a nova e revitalizada versão do jogo que cativou muita gente lá em 1998 e até hoje é um dos responsáveis pelo enorme sucesso da franquia.

Preferindo não arriscar em algo muito novo e distante da versão original, a Capcom manteve muitas características presentes do jogo de 1998: os velhos e conhecidos ambientes como a delegacia e os esgotos da cidade, os puzzles para o avanço da história, o tirano (ou o famigerado Mr. X) que persegue Leon e Claire, criaturas horrendas afetadas por uma experiência de laboratório (como os temíveis ‘lickers’).

De qualquer forma, duas coisas não poderiam faltar: os personagens que ficaram na cabeça de muitos jogadores e aquela sensação de survival horror e de constante perigo rondando a cada porta aberta ou corredor percorrido. Na questão dos personagens, o jogo atual mantém os velhos conhecidos, porém existe o toque de sensibilidade e de aumentar ainda mais a questão da humanidade neles, como é o caso da garotinha Sherry e do tenente Marvin Brannagh (talvez uma das partes mais tristes do jogo).

O clima de survival horror continua como necessário e relembra muito os primeiros jogos da série.

A delegacia ganha realces em cada canto como sangue espalhado, anotações rasgadas, corpos caídos, portas trancadas e objetos quebrados, tudo para oferecer exatamente uma ideia de caos e de um vírus contagioso e incontrolável. Porém, em relação ao jogo de 1998, existiu um cuidado em mostrar mais a parte externa da cidade e adicionar cenas que revelassem melhor o que aconteceu com alguns personagens e como algumas ações ocorreram ao redor da delegacia.

Resident Evil 2 era considerado por muitos como menos difícil que o primeiro jogo, contudo aqui algumas jogadores podem mudar de ideia pois não há abuso de munição, alguns caminhos estão mais perigosos e existem muitos inimigos mortais espalhados pelo cenário. Os próprios zumbis sempre oferecem risco ao personagem porque alguns, mesmo caídos, ainda te agarram facilmente e outros acabam te encurralando quando você menos esperava. Claro, tudo dentro de uma lógica plausível (bem diferente dos zumbis do exagerado Resident Evil 6).

A mecânica está excelente e é quase certo não causar nenhum motivo de discórdia entre os fãs da série (tanto novos como antigos). Um sistema já conhecido como armazenamento em baús e combinação de ervas e objetos não poderia faltar. Tão bem utilizado no Resident Evil 1 Remake, o recurso de usar alguma arma secundária (faca ou granadas) para afastar a temível criatura que te agarra e dessa forma escapar de uma morte iminente ficou bem adequado para a dinâmica dessa versão. A pólvora que pode ser encontrada pelo cenário também possibilita criação de diferentes tipos de munição com um processo simples e descomplicado de combinação (herança do Resident Evil 3?).

A Capcom foi inteligente ao criar três tipos de dificuldades: da mais fácil onde a mira é automática e os inimigos são mais fracos até a mais difícil onde inimigos são bem rápidos e mais resistentes.

Além disso o salvamento não é automático e cabe ao jogador encontrar as famosas fitas de tinta (‘ink ribbons’) para pode salvar nas máquinas de escrever pelos cenários e articular, dessa forma, sua estratégia. Essa última opção, oferece um grande jogo para os jogadores da velha escola do survival horror. Cada canto passa então a ser ainda mais perigoso.

Quatro histórias (Leon e Claire em dois cenários cada um, A e B), o quarto sobrevivente também não ficou de fora (o cenário de Hunk faz o jogador mais experiente suar de frio de tantos perigos pela frente) e até uma DLC gratuita que conta com a história curta de alguns personagens que surgem no jogo principal (como Robert Kendo da loja de armas) deixam esse jogo com um fator replay considerável e incita o jogador a tentar todos os modos de jogo possíveis.

Única bronca é que alguns itens, cofres, puzzles e combinações de armários poderiam ter mudado conforme cada dificuldade escolhida, o que deixaria o fator exploração no jogo ainda mais amplo. Da mesma forma, o jogador faria sempre um caminho diferente a cada vez que jogasse a história. Mas isso é mínimo num jogo repleto de qualidades e que mantém a tradição de ser ícone inquebrável do gênero survival horror.

Ainda existem desafios para os jogadores: tentar bater recordes, terminar em menos tempo, ganhar armas com munições infinitas, terminar o jogo até sem salvar. Só os grandes jogos fazem isso, gerar toda uma atividade e burburinho entre os jogadores pelo mundo criando inúmeras possibilidades e descobertas, isso não apenas na data de seu lançamento, mas durante muito tempo.

A Capcom aprendeu que revitalizar e relançar jogos da série Resident Evil, foi muito bom para ela. Agora já começam os rumores acerca do terceiro jogo que será muito bem-vindo caso acompanhe essa tendência. E ainda podemos pensar que existem outros jogos importantes como Dino Crisis (1999) e Hunting Grounds (2005).

NOTA: 9,5


::NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 9,5


::LEIA TAMBÉM:
LITTLE NIGHTMARES (2017)
THE EVIL WITHIN (2014)


::FICHA TÉCNICA:
Desenvolvedora: Capcom R&D Division 1
Publicado por: Capcom
Gêneros: Survival Horror
Duração: 30 a 40 horas
Classificação: 16 anos
Preço: R$249,90 na PSN (costuma ficar em promoção com 67% de desconto)
Plataforma: PS4 (versão testada), Xbox One, PC
Lançamento: 23 de Agosto/2019
Mais Informações: Resident Evil 2
::


::Assista ao trailer do jogo:

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