MARIANNE (MARIANNE, 2019-)



“Sem muitas características do cinema francês, série se apoia no estilo do terror tradicional americano”

Produções francesas de terror costumam agradar. Há todo um retrospecto de peso legado pelo país quando de trata desse gênero, tome como exemplo os filmes Eles (2006) e Mártires (2008). Marianne acaba não trazendo essa herança em sua trama e mesmo com um início bem curioso e interessante, entrega um final fraco e que de propósito é feito para abrir chances a uma segunda temporada, apesar de não ser convincente e de não justificar totalmente um começo que foi promissor.

Convenhamos que a trama traz uma premissa que realmente incita o espectador, sobretudo aquele que gosta do cinema que anda lado a lado a literatura. Pensando nisso, há de exaltar a ideia bem bolada de que cada episódio começa citando trecho de livro de algum escritor famoso (H.P. Lovecraft está entre eles).

Emma (Victoire Du Bois) leva uma vida de sucesso e de autógrafos, isso até por fim a uma famosa saga de livros de terror. A partir de então, se vê confrontada por uma amiga do passado e precisa retornar a sua cidade natal. As coisas pioram quando Emma é obrigada a reviver sua história de terror e que tudo citado em seu livro passa a ocorrer na vida real.

Para contar sua trama, a série usa os artifícios bem clichês e clássicos do gênero: a esquisitice de alguns personagens (como Madame Daugeron), simbologias (animais, amuletos e objetos religiosos), espiritismo, possessões, bruxas, tábua de ouija, sustos corriqueiros típicos do gênero (o rosto feio que surge, o espírito debaixo da cama e a voz distante que fica perturbando o personagem). Da mesma forma, os flashbacks são elementos importantes e fazem o espectador entender melhor os personagens, o passado do lugar e a verdadeira história por trás de Marianne.

A série também faz questão de trabalhar com a redenção do ser humano. É o caso de Emma. De início, a personagem vive sobre a sombra de seu orgulho, riqueza e não é cercada por tantos amigos, fazendo questão de se isolar. Porém, se vê obrigada a rever seu passado, o relacionamento com seus pais e as atitudes para com seus amigos de adolescência.

O quarto episódio, o melhor e mais sensível de todos, nos transporta para o passado da escritora e de forma triste, explica muito a respeito de sua índole e de como isso a influenciou no presente. Para apaziguar o terror constante, algumas cenas de humor bem leves são inseridas (detalhe para quando a escritora chega pela primeira vez na casa dos seus pais).

Trazendo um último episódio fácil de ser previsto, os episódios seguem entre a atitude da escritora em escrever ou não escrever o livro. Por conta disso, muitas partes e diálogos redundantes poderiam ser cortados. Há exageros como, por exemplo, a profusão de cenas onde olhos arregalados dos personagens brilham no escuro para indicar presença maléfica, entretanto a série também tem momentos inteligentes como a cena em que a luz do farol batendo constantemente na janela do quarto da personagem deixa uma sensação angustiante de que algo está a espreita.

A própria ilha onde a escritora viveu traz todo um clima de isolamento e bucolismo lembra muito os panoramas dos filmes inspirados em Stephen King, em que fugir não será tão fácil. O tom cinzento de alguns ambientes, a estrada que leva ao farol em parte engolida pela água do mar e a variação entre claro/escuro que deseja revelar um elemento surpresa por acontecer revelam que há uma parte estética interessante na produção.

Apesar da massiva propaganda da Netflix supervalorizando a série (como é de praxe em suas produções próprias), Marianne se equilibra entre episódios mornos e cenas intercaladas que realmente assustam, sobretudo para os fãs mais antigos do horror tradicional. Misturando elementos do cinema francês (embora em pequenas proporções) e recursos típicos de filmes hollywoodianos do gênero, pode ser um passatempo viável, mas é preciso se pensar bem numa segunda temporada mais estruturada para que a série não caia no esquecimento.

NOTA: 6,3


:: NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira:

MÉDIA: 6,3


:: LEIA TAMBÉM:
A MALDIÇÃO DA RESIDÊNCIA HILL (THE HAUNTING OF HILL HOUSE, 2018)
O TERROR (THE TERROR, 2018)


::FICHA TÉCNICA:
Temáticas: terror, bruxas, rituais, sustos,
Emissora: Netflix
Temporadas: 1 (por enquanto não foi confirmada a segunda temporada)
Episódios totais: 8 (duração entre 45 a 55 minutos cada episódio)
Criadores: Samuel Bodin e Quoc Dang Tran
Diretor: Samuel Bodin
Elenco: Victoire Du Bois, Lucie Boujenah, Tiphane Daviot, Ralph Amoussou, Alban Lenoir, Patrick d’Assunçao, outros
Censura: 16 anos
IMDB: Marianne

 


:: Assista abaixo ao trailer:

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