IT – A COISA: CAPÍTULO 2 (2019)


“I T, A COISA: CAPÍTULO 2 SE APRESENTA COMO FILME DE TERROR COMPETENTE, QUE PECA PELO EXCESSO E QUE NÃO SUPERA O PRIMEIRO CAPÍTULO”

Se me perguntassem a mais ou menos 3 anos atrás, sobre o que eu achava sobre a produção/ refilmagem de uma das obras mais extensas em termo narrativo de Stephen King, eu ficaria um tanto quanto reticente. Por ser um livro muito longo e de narrativa bastante detalhista, sua transposição para o cinema teria certa dificuldade em ser readaptada.

A primeira versão feita como filme para Tv data de 1990, tinha bastante falhas narrativas. O fato de ter sido feito para a tela pequena, fez com que obra tivesse uma falta de cuidado com o roteiro, e o elenco escolhido diferenciando e muito nas versões adultas e infantis. De excepcional apenas o trabalho de Tim Curry dando vida ao palhaço Pennywise, que é digno de aplausos.

Com todos esses receios, a produção se passaria em duas partes, a primeira trataria o confronto com o temido palhaço quando crianças e o segunda se daria o confronto final das crianças agora adultas. Com o lançamento do primeiro capítulo, o que se viu foi um filme de terror bastante competente, com boas atuações e uma direção muito segura. Mesmo apoiado em sustos e com muito uso de Jumpscares o filme funcionava muitíssimo bem. O elenco infantil dá um show de interpretação, em especial Finn Wolfhard já conhecido de Stranger Things, e os talentosíssimos Sophia Lillis e Jack Dylan Grazer. Ancorado em boas interpretações e um bom roteiro, o filme se mostrou como um bom terror lembrando e muito filmes da década de 80 evocando uma nostalgia que se mostrava atraente.

Se as expectativas estavam com certa desconfiança sobre o primeiro capitulo, muito diferente foi com a segunda parte. À medida que o elenco ia sendo escolhido, e víamos as semelhanças com as crianças, e a qualidade dos atores escolhidos mais a expectativa aumentava. A escalação de nomes como James McAvoy, Jessica Chastain e Bill Hader dentre outros só reforçava o cuidado que a equipe técnica estava tendo com o trabalho que tinham em mãos. Escrito novamente por Gary Dauberman, sem a parceria de Chase Palmer e Cary Joji Fukunaga, parecia novamente ser um sucesso.

A medida que o filme conseguia uma boa legião de fãs, deu-se a noticia que o projeto foi pensado em dois capítulos, e que o roteiro dessa continuação já estava escrito, sendo necessário apenas alguns ajustes no texto original.

Com o sucesso do It capitulo 1, foi injetado doses maiores de investimento, e ao que tudo indica, deram uma certa anabolizada no texto. Todas as características que foram acertadas na produção anterior continuaram lá, mas foram feitas mudanças que deram um certo problema de andamento no capítulo 2.

O filme tem inicio com uma cena chocante, fato corriqueiro nos dias atuais e acabou sendo normalizada principalmente na sociedade brasileira. Por vezes pensei que o filme teria esse tom, mas se não abandona essa ideia, vai sendo deixada de lado, talvez seria uma forma de criticar comportamentos cada vez mais comuns do ser humano. Ponto para o roteirista em utilizar a cena, mas soou meio deslocada de todo o filme. Passados 27 anos vemos Mike o único membro do Loser’s Club que ainda tinha ficado em Derry, observar que voltaram a acontecer eventos violentos na cidade, como o desaparecimento de mais crianças. Desse ponto de partida, vemos a busca deste em entrar em contato com todos seus amigos que saíram da cidade para viverem suas vidas. O ponto negativo do roteiro se dá pelo fato de que todos os outros membros que são brancos prosperaram na vida enquanto este foi apenas o único que continuou na cidade e como sabemos Mike é negro.

O desdobramento do encontro vai se dando de forma perfeita e percebe-se que no primeiro arco do filme, este funciona perfeitamente bem, sem interrupções onde o momento de reencontro é filmado de forma muito intima entre os membros. A medida que estes vão se lembrando dos acontecimentos a história começa a fluir.

E a partir que começa o problema maior do roteiro, procurando um apelo nostálgico ao filme anterior, foram colocados mais cenas com os atores mirins, fazendo com que se tornasse bastante desnecessárias aquelas cenas, já que tudo sobre os garotos já tinha sido contado no capitulo anterior. Flashbacks excessivos cansam o expectador durante o segundo ato, coisa não acontecida no filme anterior.

O filme só retoma o rumo quando entramos no terceiro ato, e apresenta o andamento semelhante ao primeiro ato com um final muito bom que se não chega a ser catártico como muitos esperavam, mas se mostra muito humano e que nos faz recordar de nossas amizades de infância e como estas são responsáveis para nos tornar os adultos que somos hoje em dia, em que é necessário olhar para nós mesmos e ver o quanto nossa criança interior foi relegada com o passar do anos.

As atuações são muito boas, com um elenco tão diverso e com quase o mesmo tempo de tela, o diretor consegue com habilidade equilibrar as atuações. De destaque temos Bill Hader que entrega um personagem complexo e que poderia ser explorado mais a fundo. Conseguimos perceber mesmo com pouca explicação o que levava Mike a utiliza de tantas brincadeiras com tons misóginos.

A fotografia de Checco Varese é muito rica visualmente, chegando a ser quase impecável, seja pelo uso do vermelho dos balões, e com uma paleta de cores incríveis, fazendo com que a ameaça sempre esteja presente no ar. Outra característica marcante é a maquiagem utilizada por Bill Skarsgård que dá vida mais uma vez a Pennywise, sempre ameaçador com sua cabeça gigante, cicatrizes muito refinadas e uso excessivo de baba que o palhaço exibe, como se sempre estivesse salivando quando encontra suas presas. A personagem deveria ter mais tempo de tela, pois sua presença sempre causa ameaça, asco, repulsa.

O filme também sabe equilibrar o gore e humor na medida correta, mesmo se mais violento que o capítulo anterior. Tem algumas cenas que são muito pesadas, mas nada excessivo visualmente. Uma das piadas mais interessantes do filme e que são utilizadas algumas vezes durante a projeção, é o fato de a todo momento questionar que Stephen King como escritor não consegue fazer bons finais em sues livros, fato que ocorre com um dos personagens do filme.

A trilha a cargo de Benjamin Wallfisch também se preocupa com a imersão naquele universo, fato trazido no capitulo anterior, trazendo uma trilha pulsante, as vezes irritantemente calma, ou muitas vezes ensurdecedora trazendo pavor ao expectador nas cenas de maior tensão. Todas essas sensações são sentidas durante toda a projeção.

O ponto que pecou bastante foi o uso excessivo de CGI, muitas das vezes com formas e monstros muito borrachudos muitas vezes não conseguia mostrar o impacto visual que as cenas exigiam. O uso excessivo de Jumpscares, tal como o capítulo anterior também foi utilizado a contento. Por mais que soubéssemos  que viria o susto, nunca vinham de forma gratuita, sempre causando impacto na sua conclusão.

Por todos esses aspectos I, A Coisa, Capítulo 2, consegue ser impactante na medida certa, mas peca pelo excesso em utilizar os personagens mirins. Estes personagens já tinha dado sua contribuição no filme anterior, não seria o caso do não aparecimento, mas a redução do tempo em tela. Pelo andamento do filme o que se percebe que houve decisões externas que modificaram o andamento do filme e com isso prejudicando o seu resultado final. O filme quando se propõe a apresentar uma historia de terror coesa acerta como poucos, mas também quando erra, perde a mão feio.

It, A Coisa, Capítulo 2, está longe de ser um filme ruim, mas peca pelo excesso, pela falta de dosagem do conteúdo abordado.

NOTA: 7,5


NOTA DOS REDATORES:

EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: – 7,0
LUCIANO FERREIRA: –
MÉDIA: 7,5


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IT, A COISA (IT, 2019)

 


:: FICHA TÉCNICA:
Gênero:  Drama, Fantasia, Horror
Duração: 2 h e 49 min 169 min
Direção: Andy Muschietti
Roteiro: Escrito por Gary Dauberman baseado no livro It A coisa de Stephen King
Elenco: James McAvoy, Jessica Chastain, Jay Ryan, Bill Hader, Isaiah Mustafa, James Ransone, Andy Bean, Bill Skarsgård, Jaeden Martell, Finn Wolfhard, Sophia Lillis, Jeremy Ray Taylor, Chosen Jacobs, Jack Dylan Grazer, Wyatt Oleff,
Data de Lançamento: 5 de setembro 2019 (BRA)
Censura: 18 anos
IMDB: IT: Capítulo 2

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