CANDLEMAN (Candleman, 2018)



“Candleman é uma luz na escuridão num mercado um tanto quanto saturado de jogos”

Nada contra remasterizações, porém a indústria dos jogos precisa e ainda consegue mostrar que tem muita criatividade para lançar franquias novas. Muitos jogos provaram isso, mesmo apresentando uma reciclagem (bem feita) de grandes clássicos do passado. Tomando por base o gênero plataforma 2D/3D, nomes como “Unravel”, “Little Nightmares” e “Owlboy” mostraram boa história, jogabilidade convincente e entretenimento garantido mesmo que o jogador estivesse entre dezenas de influências do passado.

Para não ficar num lugar-comum, o jogo de aventura/plataforma precisa buscar algo novo ou que se destaque de tantos que infestam o mercado. A premissa de “Candleman”, as três primeiras fases, e os gráficos simplistas, não prometem tanto logo nos minutos iniciais. Esteja pronto para ser enganado.

Seguindo a velha escola dos jogos de plataforma, aqui não há segredos. Movimentação e botão de pulo (normal, não duplo). Nada de poderes, de especiais ou de algum equipamento para ajudar o personagem. A novidade que vai equilibrar a jogabilidade e dar um aspecto de estratégia fica por conta de você ser uma vela e, dessa forma, controlar o tempo entre ficar aceso e ficar na escuridão. Dez segundos, esse é seu tempo. Em “Candleman” o jogador precisa estudar o ambiente de forma rápida e atenta para não perder a iluminação da vela, ou para não usá-la à toa.

Os pulos devem ser calculados, aqui você não pode saltar de uma plataforma sem antes avaliar os danos. Também é importante vasculhar e memorizar o cenário, pois alguns objetos darão uma dinâmica maior para a movimentação da vela.

Estamos diante de um jogo que pode parecer simples e linear demais à primeira vista, entretanto com o avanço dos capítulos os perigos aumentam, a história se torna bem densa, os caminhos se tornam mais árduos e cautela nunca é demais (como a soberba fase em que a vela se vê num espelho). Outros momentos são grandiosos, repletos de reflexões e da (por que não?) descoberta de nosso personagem.

Importante ressaltar a função do narrador no jogo que vai preparando o jogador a cada nível conquistado, com toques de suspense, de aventura e mesmo de melancolia. O jogador entra na história como tivesse realmente diante de uma fábula moderna. Os produtores praticamente criaram uma personificação da vela, não há como não se sensibilizar com sua odisseia e a vontade de atingir seu objetivo.

Os capítulos finais levam nosso personagem ao extremo em momentos de tirar o fôlego. Nessa parte, o jogo ganha em dinamismo, não apenas isso, torna-se essencial o uso de stealth onde nossa querida vela precisa ter muito cuidado ao passar por inimigos mais fortes. A presença do claro e escuro também é muito bonito de se ver e colabora bastante na mecânica do jogo (usar as sombras é vital). Por sorte o jogo salva cada coletável que você pegou antes de morrer e tem checkpoints generosos e nunca exaustivos. Mas é importante lembrar que você tem 10 vidas (ou melhor, chamas) por cada fase.

“Candleman” tem poucos pontos negativos, e que não tiram os méritos na soma final, talvez o fator replay. Você termina o jogo e depois, caso tenha conseguido todos os coletáveis, não tem mais o que muito jogar. Não existem fases extras e, para os jogadores mais hardcores, poderia existir um modo de time attack. Claro que os produtores podem tirar muitas conclusões desse primeiro jogo para, quem sabe, investir nos próximos. E pode ter certeza que não queremos que essa vela apague tão cedo.

:: NOTA: 8,2


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::FICHA TÉCNICA:
Desenvolvedora: Spotlightor Interactive
Publicado por: Spotlightor Interactive, Zodiac Interactive
Gêneros: Aventura, plataforma 3D
Duração: entre 6 a 10 horas (isso sem olhar vídeos das fases)
Classificação: 10 anos
Preço: R$ 61,50 na PSN (costuma ficar em promoção com 50% de desconto)
Plataforma: PS4 (versão jogada), Xbox One, PC, iOS
Lançamento: 21 de agosto de 2018
Mais Informações: Candleman
::


::Assista ao trailer do jogo:

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