TORO Y MOI – Outer Peace (2019)


Foto de Chaz Bear para resenha de Outer Space

“Ter liberdade e investigar outros gêneros musicais: tarefa do Toro Y Moi em ‘Outer Peace'”

Liberdade. Essa parece ser a palavra de ordem de alguns artistas. E certamente ela se encaixa muito bem para o Toro Y Moi. Projeto do músico Chazwick Bradley Bundick, ou melhor, Chaz Bear, que mudou de nome antes de lançar o disco anterior, ‘Boo Boo’ (2017). Desde quando iniciou sua carreira, Toro Y Moi sempre esteve disposto a mudanças, e talvez daí chegue o termo liberdade. O artista cria asas, pensa no próximo trabalho, é livre para mudar seus conceitos, as ideias e até mesmo seu processo de criação. Com sua imaginação, ele pode tudo, até mesmo enganar o ouvinte que esperava um trabalho parecido com o anterior. E para um artista que começou no clima da chillwave em ‘Underneath The Pine’ (2011) e andou por sonoridades ligadas ao rhythm’and’blues e soul music em ‘Boo Boo’ (2017), podemos esperar muitas novidades.

‘Outer Peace’ é um momento em que Chaz chega em sua paz interior (não só a exterior como o título sugere). Vencidos os problemas que rondavam o músico dois anos atrás, como mudança de lar e rompimento de namoro, Toro Y Moi se sente bem disposto agora e todo o processo de criação aconteceu à vontade em seu novo lar, como a própria capa do álbum e o vídeo de ‘Freelancer’ sugerem. Alguma coisa do disco anterior permaneceu, a soul music permanece em faixas como ‘New House’ (uma alusão ao novo lar do músico? Quem sabe?). Entretanto, o novo trabalho é mais alegre e dançante, muito menos melancólico e enevoado.

Múltiplas influências serviram para o processo de criação de ‘Outer Peace’. Outros gêneros dão as caras, como sempre revelando a versatilidade do Toro Y Moi.

A House Music de ‘Laws Of The Universe’, onde até James Murphy (LCD Soundsystem) é citado, e a guinada para o funk na divertida ‘Freelance’ caracterizam um músico sempre em constante mudança e procurando investigar novas sonoridades ou mesclá-las tudo num caldeirão. Nem mesmo Kraftwerk fica de fora, e ‘Who Am I’ parece bem inspirado no quarteto alemão. A cantora convidada Abra confere um charme a mais na romântica ‘Miss Me’.

‘Outer Peace’ tem sim seus momentos mais fracos, felizmente eles não se sobressaem sobre os momentos mais criativos/inspirados do álbum. Novamente, comprova um músico que pode atravessar por momentos ruins, contudo se recupera e sempre chega com algo novo ou em processo de evolução. Como o músico ainda é bem novo e gosta de abraçar muitos gêneros, podemos esperar por muito mais novidades em sua carreira.

:: NOTA: 6,8
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NOTA DOS REDATORES:
Eduardo Juliano: –
Isaac Lima: –
Luciano Ferreira: –

MÉDIA: 6,8
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::LEIA TAMBÉM DE EDUARDO SALVALAIO: GRAND SALVO – SEA GLASS (2018)

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capa de outer space de toro y moi

:: FAIXAS:
01. Fading
02. Ordinary Pleasure
03. Laws Of The Universe
04. Miss Me (feat. Abra)
05. New House
06. Baby Drive It Down
07. Freelance
08. Who Am I
09. Monte Carlo (feat. Wet)
10. 50-50 (feat. Instupendo)

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:: Mais Informações:
Facebook
Site oficial

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:: Assista ao vídeo oficial de ‘Freelance’:

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3 COMENTÁRIOS

  1. Avatar
    Ângelo Fernandes
    19/01/2019
    Responder

    Parabéns Salvalaio, mais uma boa resenha. Quanto a este novo trabalho do TYM, achei fraco, dentro dos trabalhos que ele vinha lançando. Tenho acompanhado o artista já há um bom tempo, que por sinal, é um dos mais produtivos e talentosos da década. Mas aqui “pisou na bola”.

  2. Avatar
    Eduardo Salvalaio
    31/01/2019
    Responder

    Obrigado pela visita e pelo comentário, Ângelo. Realmente esse novo disco do Toro Y Moi deixa a desejar, sobretudo para quem conhece os trabalhos do músico desde os primórdios. O disco, infelizmente, não funciona como um todo e, como citei na minha resenha, ainda existem bons momentos. Mas podemos ter certeza que ele está sempre em constante mudança e experimentando novas sonoridades e gêneros, o que sempre nos convida para a curiosidade. Ele precisa voltar a alcançar a mesma qualidade total de ‘Underneath The Pine’ (2011), criar todo um disco bom do início ao fim, não importa para qual gênero tenho optado em ficar.

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