THE HORRORS – V (2017)


“Em seu quinto álbum, The Horrors executa a façanha de parecer comercial sem perder a personalidade”

Após três anos sem lançar material inédito, The Horrors apresenta seu novo disco, ‘V’, justificando seu título por se tratar de seu quinto trabalho. A capa tem uma arte que lembra muito a criatura formada por várias pessoas do curta Zygote, do diretor Neill Blomkamp. Talvez seja proposital, pois o que se vê é uma espécie de massa amorfa de cera a partir da qual aparecem os rostos dos integrantes da banda, trabalho do artista Erik Ferguson. Dá margem a interpretações, uma delas de que o álbum simbolize um organismo amorfo de muitas referências, tal como a criatura do filme citado.

Na interessante “Hologram”, a abertura com o uso pesado de sintetizadores, apresentando guitarras carregadas de efeitos, batidas eletrônicas que encolhem e crescem a todo instante, o ouvinte é conduzido para dentro de um intenso turbilhão instrumental, explodindo na voz cheia de eco de Faris Badwan, algo constante ao longo do disco.

Pela primeira vez trabalhando com um produtor, os contrastes se intensificam em seu quinto trabalho, com momentos de peso industrial e outros de pop eletrônico inspirado, a exemplo da faixa “Machine”, primeiro single do álbum.

Mesmo com todas essas influências a personalidade da banda ainda permanece intacta. “Depois de vários experimentos iniciados em ‘Strange House’, é como se a banda chegasse ao ponto que desejava”, afirma o baixista Rhys Webb.

Começando pela própria capa, o disco apresenta algo mais profundo, mais escuro e pesado do que foi produzido nos álbuns anteriores. As letras adquirem um conteúdo um pouco mais sombrio e distorcido, algo que acabou se tornando a temática do disco, embora não exista um elemento concreto que dê continuidade ou um tema lírico. É algo mais abstrato, do que em álbuns anteriores.

Há em ‘V’ influências do synth pop de bandas como Depeche Mode e do eletrônico do Nine Inch Nails, e a banda utiliza da melhor forma possível, não se atendo simplesmente a replicar estes sons. A fórmula básica do Horrors, melodias simples e lânguidas, estruturas tradicionais de voz e de verso interrompidas por guitarras e sintetizadores, não mudou. Mas as superfícies são mais grossas, as batidas estão mais fortes e os vocais se elevam no decorrer do disco.

Não é um álbum perfeito, há alguns erros e vários acertos.

Nessa nova empreitada o the Horrors executa a façanha de parecer comercial sem perder a essência ou a personalidade. Pode-se afirmar que “V” é uma consolidação de todos os pontos fortes que os The Horrors construíram nos últimos dez anos, bem empacotados e perfeitamente acessíveis sem sacrificar qualquer integridade artística. É o álbum que a banda precisava fazer.

:: NOTA: 7,5



:: FAIXAS:

01. Hologram
02. Press Enter to Exit
03. Machine
04. Ghost
05. Point of No Reply
06. Weighed Down
07. Gathering
08. World Below
09. It’s a Good Life
10. Something to Remember Me By

:: Assista abaixo o videoclip de “Something To Remember Me By”:

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