FEIRA NOISE 2018 :: COMO FOI O SEGUNDO DIA DO FESTIVAL


Scalene | Foto: Duane Carvalho

FEIRA NOISE 2017 – DIA 2 (SÁBADO)

Line-up do dia e horário previsto
Sangue Real 15:10 (Abertura)
Navelha 15:35
Casapronta 16:10
Marsa 16:50 (Cancelado)
Stephen Ulrich Band 17:35
Tuyo 18:15
Ponto Nulo no Céu 19:10
Erasy 20:05
Seu Pereira e Coletivo 401 20:45
Drenna 21:25
Nervosa 22:05 (Cancelado)
Lammia 23:15
Scalene 00:10

:: LEIA TAMBÉM:
FEIRA NOISE 2018 :: COMO FOI O PRIMEIRO DIA DO FESTIVAL
FEIRA NOISE 2018 :: TUDO SOBRE A 8ª EDIÇÃO DO FESTIVAL

Chegamos a Concha acústica do Amélio Amorim por volta das 15 horas, horário que estava previsto para início das apresentações e nos deparamos com a banda Casa Pronta passando o som no palco Spotify.

Com público espalhado e sol no rosto, a banda feirense Navelha iniciou os trabalhos do dia às 15:35H, no palco Sertões. com som limpo e bem equalizado, deram o melhor de si e fizeram um show agradável com seu rock básico e direto. No set list, chamou atenção a cover de “Não vou ficar” do Roberto e Erasmo Carlos, e o single autoral “Cansei”. Tocaram ainda uma canção inédita com viés mais pop e encerraram às 16:12h com a plateia mais animada e engajada do que quando começaram, deixando um saldo final positivo.

Apenas um minuto depois, a banda de Alagoinhas, Sangue Real, que estava prevista para abrir os shows do dia, subiu ao palco Spotify e com cinco integrantes: um DJ, três vocalistas e um “dançarino”, declamaram seus Raps com temática forte e contundente sobre violência e a criminalidade no recôncavo baiano. Não perderam a oportunidade de alfinetar a equipe de reportagem da TV Subaé, afiliada da Rede Globo, que estava presente no momento, por supostamente terem cortado a apresentação da banda em um evento local chamado Quinta na Praça. Ao longo da apresentação do seu rap gangsta foram acompanhados de barulhos de tiro. Pareceu não terem empolgado o publico, que apenas assistiu sentado e disperso. Com dez anos de estrada a Sangue Real tem como destaque a belíssima voz de um dos seus vocalistas e uma história de muita luta. Encerraram a apresentação às 17:18h, com uma recepção extremamente fria da plateia.

Dez minutos depois foi a vez do Casa Pronta, projeto folk do vocalista da Clube de Patifes, Pablues. Subiram no palco Spotify com quatro integrantes e formação clássica de baixo, guitarra e bateria. Tocaram por cerca de quarenta minutos as canções do seu primeiro EP, “Nº18”, incluindo também alguns blues do Clube de Patifes, uma cover inusitada da canção “Breathe” do Pink Floyd, além de recitar poemas sobre justiça e copntra opressão. Com canções, em sua maioria, versando sobre a solidão, em alguns momentos a banda arrancou aplausos calorosos da plateia, que por sua vez permaneceu sentada, talvez pela sonoridade mais acústica e intimista da banda, em um espetáculo bem executado por seus integrantes, com destaque para o guitarrista solo, e que convidou todos à reflexão.

Após o anuncio de que não iria ocorrer a apresentação da banda Marsa, devido ao cancelamento da turnê que a mesma faria pelo Nordeste e apenas dois minutos após o término da apresentação do Casa Pronta, sobe ao palco Sertões, às 18:14h, a banda paranaense TUYO, que desde o início da apresentação já contava com uma boa parte da plateia encantada com sua sonoridade dreampop e lo-fi de belos vocais sussurrados e angelicais em arranjos eletroacústicos, remetendo muitas vezes ao som de bandas como The XX e Cocteau Twins.

Tuyo | Foto: Duane Carvalho

Com apenas três componentes e letras existenciais e confessionais, o trio é formado pelo guitarrista, DJ e arranjador Jean Machado e pelas irmãs Lilian e Layane Soares, conhecidas nacionalmente por terem participado do The Voice Brasil. Embora o volume do som estivesse claramente mais baixo, a banda encontrou uma plateia receptiva e sua apresentação intimista se tornou uma grata surpresa na segunda noite do Feira Noise, levando o público a cantar junto os seus maiores hits como “Solamento” e “Amadurece e Apodrece”. A banda encerrou a apresentação às 18:57h aos gritos de bis.

Três minutos depois, no palco Spotify, foi a vez da feirense Stephen Ulrich Band, apresentar seu pop rock com pitadas de ska, atraindo uma boa parte do publico presente. Intercalando as canções de seus dois álbuns, “Parque de Repressões” e “Sorte de Principiante”, os cinco integrantes estavam bem entrosados e fizeram uma apresentação com bastante energia, porém sem grandes novidades. Canções como “Long Plays” e “Apenas Bons Amigos” já estavam na boca do publico e o show pareceu agradar a maioria.

A também feirense Erasy, estreante no Festival, iniciou seu show no Palco Sertões por volta das 19:45h. Com um instrumental pesado, bastante denso, que explora cadências repetitivas e cheias de fuzz, coube ao grupo de Doom Metal chacoalhar a noite de sábado que começava a esfriar. Com o público um tanto discreto no início, aos poucos foi juntando gente para acompanhar o som da banda. No repertório músicas do recém lançado EP “Under the Midnoght” e músicas do seu disco anterior, “The Valley of Dying Stars”. Ao fundo do palco, uma lua cheia parecia observar a apresentação do quarteto: Leandro (guitarra), Joilson (baixo), Gilmar(bateria) e Luciano Penelu (voz), que aos poucos vem se mostrando como um dos grandes representantes do metal feirense. O show foi relativamente curto, com pouco mais de trinta minutos.

Ponto Nulo no Céu, banda catarinense, sucedeu a Erasy, só que no palco Spotify. Com letras de cunho político-social e uma mensagem de força, perseverança e respeito, trouxeram para o festival grooves ousados e riffs que alternam peso e melodia na tônica do show. O instrumental do grupo é pesado e às vezes bastante alto, quase eclipsando o vocal de Dijjy, cujas letras optam pelo português. Um dos destaques da banda é a precisão e potência nas baquetas, some a isso uma banda afiada no palco. Houve até roda de pogo em algumas canções. Ao longo de dez canções, banda conseguiu agitar o público que se amontoou na frente do palco, finalizando pouco depois das 21h.

Seu Pereira | Foto: Duane Carvalho

De volta ao Palco Sertões, a noite onde o rock teve mais espaço no Festival, viu a carioca Drenna iniciar seu show logo após a PNNC. Com quase dez anos de carreira e tendo a frente a cantora e guitarrista de mesmo nome, o quarteto apresentou seu rock alternativo com guitarras envoltas em efeitos diversos. A sonoridade da banda lembra Pitty no início de carreira com toques mais melódicos. O início do show foi bastante animado, com a vocalista fazendo o público agitar geral. Dentre as canções apresentadas, a versão inusitada para “Roda Viva”, de Chico Buarque, faixa gravada como single pela banda, e um dos pontos altos do show. Tudo corria bem no festival: noite de céu limpo, público curtindo a festa, o som muito bom nos dois palcos…até a apresentação dos paraibanos do Seu Pereira e Coletivo 401 sofrer com uma intervenção inesperada.

Já no início do show dava pra perceber que os PA’s estavam desligados, causando estranheza a queda na qualidade do som durante a apresentação do grupo. Pouco depois de iniciarem o show, parte da banda se retirou do palco e ficamos sem entender o que estava acontecendo. Só posteriormente é que viemos a saber de todo o imbróglio causado pela Prefeitura Municipal de Feira de Santana através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que junto com fiscais e a soldados da Polícia Militar, queriam que o Festival fosse suspenso, após queixas de uma pessoa residente nas imediações da arena do CCAM. Verdadeiro absurdo!

Enquanto a situação era resolvida, no palco o vocalista Jonathas segurava a peteca fazendo um improvisado voz e violão, enquanto o público cantava as músicas junto, mostrando o quanto o trabalho do grupo era conhecido. Depois de um tempo parado, o show retornou por volta das 22:30h com o som um pouco melhor, mas não no patamar das bandas anteriores. O som da banda mistura um samba, com rock, com elementos de música nordestina e funk. O público foi ao delírio com músicas como “Otário” e “Já Era”.

Devido aos problemas já citados, a apresentação da Nervosa foi cancelada e a Lammia foi agendada para o dia seguinte. Com isso, antecipou-se o show de uma das atrações mais esperadas da noite, o quarteto de Brasília Scalene. Com o público na mão, a banda destilou seus sucessos de forma concisa, e pode-se afirmar que foi a grande atração dessa segunda noite. Com uma carreira consolidada, inclusive com participação e segundo lugar em um concurso num programa de TV, fizeram uma apresentação perfeita e sem surpresas com boa interação do público presente. A música do grupo mostra influencias de bandas como Thrice, Queens of The Stone Age e Radiohead, somado a ritmos brasileiros, aliando momentos de calmaria com momentos de grande explosão das guitarras, com elementos sutis de eletrônica. Tocaram dez músicas, com presença maior de faixas do álbum “Magnetite, num show de aproximadamente uma hora.

:: Cobertura do dia por:
Eduardo Juliano (Sangue Real, Navelha, Casapronta, Stephen Ulrich Band, Tuyo)
Isaac Martins (Ponto Nulo no Céu, Erasy, Seu Pereira e Coletivo 401, Drenna, Scalene)

Previous NORTH ATLANTIC OSCILLATION – Grind Show (2018)
Next STEREOLAB :: Reedições e retorno

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *