Taylor Swift entrega em ‘Folklore’ álbum bucólico e esculpido em preto e branco


Taylor Swift, resenha Folklore

Folklore narra triângulo amoroso numa ilusória forma cinematográfica, trazendo parcerias  com Aaron Dessner, do The National, e Bon Iver.

A cantora norte-americana Taylor Swift abraça o Indie e o bucólico em seu novo álbum de estúdio. Dos lugares coloridos e alegres que impregnam as canções em Lover (2019), para o campestre ambiente forjado no preto e branco com tons de cinzas que marcam seu novo trabalho, desde canções sentimentais, sobre relacionamentos à beira do distanciamento, à bela capa nostálgica do álbum que define bem a atmosfera por trás das canções contidas em Folklore.

Swift parece estar em fuga recorrente do pop comercial,  algo que ficou perceptível em discos como: Red (2012), e 1989 (2014). A artista vem amadurecendo, tentando experimentar novas sonoridades, abandonando as batidas eletrônicas e explorando os sons do piano.  O álbum foi concebido em pleno isolamento social. Mudanças de planos, incertezas, inseguranças e medos que afligem a mente e acabam delineando caminhos e inspirando a imaginação artística. As letras são reflexos de sua vida, sempre confessionais e emotivas.

Os ventos que cercam a sonoridade do novo álbum ganham direção nas mãos do produtor Aaron Dessner. Ele transporta para as canções a melancolia contida na sonoridade do The National, a combinação reúne o melhor das duas partes, isso é evidente. Canções como “Cardigan” mostram os resultados dessa parceria e a mudança de caminhos que a cantora vem tentando seguir: “Quando você é jovem, eles pensam que você não sabe nada/Sorriso brilhante, batom preto/Politica sensual”. É uma canção intimista que descreve conflitos internos, momentos de vulnerabilidade e fragilidade.

Justin Vernon, do Bon Iver, faz um dueto com a cantora em uma das canções mais bonitas e sentimentais. A faixa é levada por singelos elementos eletrônicos e acordes de piano, uma balada pop da melhor qualidade: “Então, vá logo, não há quantidade de lagrimas que eu possa chorar por você/Todo esse tempo/Nós andamos por uma linha tênue/Você nem me ouviu (você nem me ouviu)”.

As colaborações contribuíram para os momentos doces e sentimentais do álbum. Por outro lado, abandonar o uso de guitarras e bateria tornou o álbum repetitivo e cansativo, o que não vai ser problema para os fãs.

Taylor segue centrada em composições de desilusões amorosas, algo que vem repetindo desde o início da carreira. Já que a cantora busca novos horizontes, sair da zona de conforto de composições sobre sentimentalismo e explorar novas temáticas para sua carreira seria o caminho a seguir. Talvez seja hora de abandonar a imagem adolescente fragilizada com situações amorosas e provar do poder de composição que possui.

Canções como “Mirroball” injetam gás à obra com suas guitarras agridoces. E “Mad Woman”, que acaba se distanciando da temática do disco, explora novos terrenos, num caminho para fugir das composições sentimentais. Aqui a narrativa é sobre conflitos com o empresário Scooter Braun: “O que você pensou que eu iria dizer sobre isso? /Será que um escorpião te ferra ao revidar? /Eles atacam para matar, e você sabe que eu vou… Toda vez que você me chama de maluca, eu fico mais maluca”, diz a letra.

Em um contexto geral, o álbum entrega bons momentos e soa melhor que Lover, de 2019. Faltou Taylor sair da zona de conforto e experimentar mais. Correr mais riscos e explorar seus limites. Em boa parte do disco ela acerta a mão, na outra deixa soa exaustivo. Não deixa de ser um bom álbum de canções pop com direito até sons de gaita como na boa “Betty” que narra os conflitos de um triangulo amoroso.

Em resumo, Folklore é um grande álbum na carreira da cantora mas carrega suas ressalvas.

DESTAQUES: “Cardigan”, “Exile”, “Mirroball”, “Mad Woman” e “Betty”.

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