10 PERGUNTAS PARA COMIDA DE FOGUETE


Foto de Paulo Víto (PV), da banda Comida de Foguete, para entrevista

Comida de Foguete é o nome do projeto do músico e produtor feirense Paulo Vítor, PV para os mais próximos. PV tem uma história na cena alternativa da cidade, participou da banda Magdalene and the Rock and Roll Explosion, tocando guitarra. Atualmente ele leva adiante o Netuno Estúdio e o seu projeto musical, que em 2018 lançou uma série de singles, precedendo o lançamento do álbum de título paradoxal “Slower But Faster” (Vitrola Portátil). Composto de dez canções, o álbum é um caleidoscópio de referências e influências, que vão da música regional a Talking Heads, passando por Pink Floyd e acrescentando elementos de psicodelia.

Numa época em que informação parece algo tão “vital” para bandas e público, a Comida de Foguete parece seguir o caminho inverso, com pouca ou nenhuma exposição até mesmo em sua página no Facebook. Há dois lados, olhando pelo positivo, isso gera certa aura de mistério, que acaba sendo interessante/intrigante, algo que foi perdido com essa nossa era da super-informação.

Mandamos nossas famigeradas dez perguntas para PV para conhecermos um pouco mais sobre Comida de Foguete. Acompanhem abaixo.


01 – Como e quando surgiu a banda?
PV: Não é uma banda, é uma autarquia aberta para colaborações (risos). Esse projeto nasceu a partir da minha solidão crônica e do meu inconformismo musical sintomático. O nome “Comida de Foguete” soa como uma brincadeira, mas parte do conceito de se alimentar daquilo que pode te elevar de alguma forma. Fora que o nome dá espaço para várias associações e não expressa nada muito sério, acho que foi justamente isso que me atraiu.

02 – Como vocês definiria sua música?
PV: Uma perspectiva é ver o trabalho como uma espécie de “pós-Low rock, porque tenta ser, acima de tudo, experimental, despretensioso e minimalista.

03 – Como funciona o processo de composição?
PV: Não existe uma rota ou processo definido, o que tento fazer é lidar com vários métodos diferentes dos quais não tenho a menor familiaridade.

04 – Qual a importância das letras na música da Comida de Foguete?
PV: Importância relativa. Às vezes tudo pode ser extremamente pessoal como tender para o aleatório.

05 – Quais suas principais influências musicais e não musicais (cinema, literatura, etc)?
PV: Elomar Figueiredo, Raduan Nassar, Isao Tomita, Debussy, Scriabin, Roman Polanski, Kubrick, Morphine, Minutemen, Far from Alaska e, principalmente, Talking Heads, são algumas das melhores coisas e que ainda me inspiram nos dias de hoje.

06 – Como enxerga sua música no panorama musical nacional?
PV: O cenário é absolutamente rico e diverso, mas no meio de tanta diversidade parece existir um limbo onde ninguém consegue sair, talvez isso seja meio indelicado de dizer, ou talvez seja ingênuo esperar um novo movimento musical brasileiro com alcance nacional que realmente faça a diferença no mundo. Pelo menos eu tenho dificuldade de enxergar isso agora, mas é isso que espero.

07 – Entre o processo de gravação e de shows, qual prefere?
PV: Gravação com certeza, o que para mim é quase como um ritual privado. Um show requer um outro nível de comprometimento e intimidade que me parece meio distante de realizar agora.

08 – Em que ponto se encontra o trabalho da Comida de Foguete no momento?
PV: A meta é lançar dois discos completos e começar a fazer shows.

09 – Quais bandas ou álbuns recomendariam para quem curte o som de vocês?
PV: Essa é bem difícil (risos). Mas acredito que a música do Daniel Johnson conversa bastante com a Comida de Foguete, pelo menos na ingenuidade e liberdade estética.

10 – Planos para o futuro e mensagem para os fãs.
PV: O plano é basicamente assumir um novo nível de comprometimento e não desistir. A música não é feita somente para entreter, mas deve ser para nos ajudar a pensar. Se não te ajuda a pensar, só distrai, ela não te leva para onde você deveria estar.
Para os amigos que acompanham, vos digo: estamos juntos até o fim. Amo vocês!


:: Discografia:
– Slower But Faster (2018)


:: Mais sobre o projeto: Facebook


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:: Ouça “Slower But Faster”:

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1 COMENTÁRIO

  1. Ângelo Fernandes
    Ângelo Fernandes
    31/03/2019
    Responder

    Bacana saber que tem mais gente (banda) fugindo do “lugar comum” no cenário feirense. As (boas) influências do Talking Heads realmente são bastantes claras em algumas músicas. É isso aí urge! – força ao cenário local/alternativo.

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