Os Paralamas do Sucesso – Sinais do Sim (2017)


Banda carioca retorna depois de oito anos com um álbum de inéditas e continua viva sem depender de apelar para seu passado

Quando se fala sobre esse trio carioca, difícil não se lembrar da importância que ele deixou para o Rock BR 80. Os Paralamas pode ser considerada como um dos pilares desse movimento genial e histórico de nossa música, todo ouvinte deveria escutar álbuns tão essenciais como ‘Cinema Mudo’ (1983), ‘O Passo do Lui’ (1984) e ‘Selvagem?’ (1986). A partir de ‘Bora-Bora’ (1988), Herbert Vianna e companhia passaram a fazer uma sonoridade mais encorpada, com ritmos latinos, instrumentos como sopros e teclados passaram a figurar mais nos trabalhos lançados. E de 1990 em diante, apesar das mudanças e das vontades na música brasileira, ainda produziram bons momentos como ‘Nove Luas’ (1996). Em 2001, um acidente com o ultraleve que Herbert pilotava acabou deixando o cantor numa cadeira de rodas e causou a morte de sua esposa. Poderia ser o fim de uma banda e de sua história. Mas não foi.

Em ‘Sinais do Sim’, décimo-terceiro trabalho de estúdio do grupo, nota-se uma pegada mais pop-rock. A cozinha regida pelos experientes Bi Ribeiro e João Barone continua acentuada, destaque também para as guitarras. Parece que o disco foi todo criado numa ambientação bem próxima aos 80’s.

Entretanto, se nos 80’s as letras eram engajadas e voltadas para o protesto, o grupo prefere seguir os tempos atuais, com letras de roupagem para esses dias e que variam nas temáticas: o ludismo envolvendo geografia de ‘Itaquaquecetuba’; pensar positivo e vencer as dificuldades em ‘Sinais Do Sim’; a poesia de amar alguém em ‘Teu Olhar’; e o temor de viver nos dias atuais, na furiosa ‘Medo Do Medo’. Essa última, inclusive, é um dos melhores momentos do álbum e carrega influências das letras dos Titãs fase 80’s e de Arnaldo Antunes. A letra é de autoria da rapper portuguesa Capicua.

O exercício da banda em ter canções em outra língua continua vivo. Espanhol e inglês também casam num álbum de língua portuguesa. ‘Cuando Pase El Temblor’ é de autoria do músico argentino Gustavo Adrián Cerat (Herbert alterna entre a língua espanhola e a portuguesa) e ‘Blow The Wind’ é o inglês que o cantor costuma desfiar em muitos dos álbuns da banda (detalhe que a letra é da própria autoria de Herbert, não estamos falando de um cover como fizeram com ‘Running In The Spot’, do The Jam). A ligação do grupo com a poesia também não fica de fora, a efusiva ‘Olha a Gente Aí’ tem trechos do poema ‘O Sino da Minha Aldeia’, do português Fernando Pessoa. Não se preocupem os fãs dos sopros tão comuns nos trabalhos do trio, o instrumento dá o toque necessário em ‘Não Posso Mais’ (cuja letra é de Nando Reis) e ‘Sempre Assim’ (com sua levada de ska).

Apesar de ‘Sinais Do Sim’ ter sua força maior na primeira metade e ser um tanto quanto regular, vale ressaltar a boa produção de Mario Caldato Jr., que também já trabalhou com Planet Hemp e Beastie Boys. Interessante é ver uma banda que seguiu em frente, que ainda recebe carinho dos fãs de trinta e cinco anos atrás e que não vive apenas do seu passado, busca continuar um caminho em tempos que talvez não sejam tão prósperos assim.

NOTA: 6,5

FAIXAS
01 – Sinais Do Sim
02 – Itaquaquecetuba
03 – Medo Do Medo
04 – Não Posso Mais
05 – Teu Olhar
06 – Contraste
07 – Cuando Pase El Temblor
08 – Corredor
09 – Blow The Wind
10 – Olha A Gente Aí / Citação do poema: Ó Sino Da Minha Aldeia – Medley
11 – Sempre Assim

:: Mais informações:
Allmusic
Site oficial
Twitter

:: Assista ao vídeo de ‘Sinais do Sim’:

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