SHOEGAZER WORLD #9 | Japoneses Shoegazeaholics


Capa de I'll Believe, do Stomp Talk Modstone

Há bandas que adotam o estilo Shoegaze e demoram anos para lançar um trabalho (alguém aí lembrou do My Bloody Valentine?). Outras, ao contrário, mantêm-se constantemente no circuito, seja gravando ou fazendo shows. E há o Stomp Talk Modstone, que não só grava mas parece que mora no estúdio, já que quase toda semana tem música nova deles na página do Bandcamp. Liderado pelo faz-tudo Takamitsu Kawashima, o STM é um elemento único dentro da cena Shoegaze, mesmo dentro do Japão. Porque, naquele país, há uma tendência das bandas adotarem letras na língua pátria após começarem cantando em inglês. O Modstone, não. Seus primeiros trabalhos eram cantados em japonês e hoje são em um inglês britânico de fazer inveja ao Mark Gardener. No dia 4 de janeiro a banda lançou “I’ll Believe”, seu single mais recente, que deve ser o primeiro de dezenas de trabalhos a saírem em 2022.

Do Japão para a Finlândia. O Chamber of Reflection é originário de uma terra em que o Black Metal prevalece. E não dá para dizer que a banda é uma “ovelha negra” entre seus conterrâneos. Apesar de elementos clássicos do Shoegaze estarem presentes, o clima soturno ao estilo Alcest é facilmente perceptível. Não que isso seja ruim, pelo contrário. Blackgaze é também um estilo encantador. A banda lançou seu EP de estreia chamado Above the Clouds no dia 14 de janeiro.

E quem diria que um dos melhores álbuns de Shoegaze/Dreampop no começo do ano seria brasileiro? Sim, os brasilienses do Moon Pics cometeram uma obra-prima chamada Memória, que lançaram pelo lendário selo Midsummer Madness no dia 14 de janeiro sem muita pompa nem pretensão. Mas a verdade é que Adriano Caiado tem um talento nato para belas canções e arranjos de guitarra. Lembro que o melhor disco nacional do ano passado na modesta opinião deste colunista também foi lançado em janeiro, o Clouds, do Nada_No. Espero que não seja mau presságio, já que no ano passado, pouca coisa boa nessa seara foi lançada nos meses seguintes.

Se há alguém que consegue misturar com maestria elementos de Shoegaze, Post-Punk e Darkwave em um mesmo caldeirão, esse é o alemão Alexander Leonard Donat, líder de uma série de projetos (o mais Shoegaze é o Fir Cone Children e o mais Darkwave é o Vlimmer, embora haja músicas parecidas nas duas bandas). É outro artista workaholic, que não para de lançar música no Bandcamp. Seu mais recente trabalho é o EP Erdgeruch / Space Dementia, que veio ao mundo no dia 14 de janeiro.

Abrimos a coluna com japoneses e vamos fechar com japoneses. O Plastic Girl in Closet, que faz aquela linha do Shoegaze mais pop, com um wall of sound delicado, mas presente, lançou no dia 13 de janeiro a versão remasterizada do álbum White Loud, que foi vendido apenas em seus shows em 2014. A banda canta em inglês, mas com um sotaque inconfundível de sua língua pátria.

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