ANA FRANGO ELÉTRICO – Little Electric Chicken Heart (2019)


Foto Ana Frango Elétrico

“Little Electric Chicken Heart é sem dúvidas um dos melhores álbuns lançados em 2019”

Ana Faria Fainguelert nasceu no dia 07 de dezembro de 1997, no Rio de Janeiro. Filha de uma artista plástico e uma psicóloga,  começou muito cedo seu caminho pelo mundo da música. Aos seis anos fazia aulas de experimentação sonora, aos sete anos já tocava piano clássico em recitais. Aos dezesseis anos começou a compor as canções do seu primeiro trabalho, Mormaço Queima (2018). O nome Ana Frango Elétrico surgiu de uma história de família. Seu avô, na época de faculdade, foi apelidado de Frango Elétrico pelos colegas, por causa da dificuldade de pronunciarem o sobrenome Fainguelert, de origem russa.

Uma jovem artista carioca de 22 anos em plena ascensão artística, Ana mostra amadurecimento artístico, delineando os caminhos da sua música embasada em influências evidentes. É impossível ouvir o álbum e não lembrar dos Novos Baianos, Mutantes e Clube da Esquina. O que é atraente no disco é que ela sabe utilizar suas raízes e criar um som autêntico, diferente e novo. Por que não dizer? Um tanto ousado. O resultado é uma sonoridade meio que Bossa Pop Rock decadente com umas pitadas de Punk.

Ana entrega uma musicalidade espontânea e original em seu segundo trabalho Little Electric Chicken Heart. Apesar do título em inglês, as canções são todas cantadas em português, o que torna o disco ainda mais brasileiro.  O álbum é muito bem produzido e arranjado. Contou com um conjunto de excelentes músicos adeptos da cena contemporânea como: Antônio Neves (sopros, bateria, piano e Rhodes), Guilherme Lírio (bateria, guitarra e Drum Machine) e Vovô Bebê (baixo).

O álbum abre com a bela “Saudade”, introduzindo um piano/teclado melódico que logo vai se entregando à musicalidade brasileira. A guitarra chorada, com os arranjos de metais, vai fazendo viajar por essa onda psicodélica de memórias que surgem. Sentimentos que só esse espírito chamado saudade pode causar.  Letra e melodia deixam indícios de uma homenagem ao Samba e Bossa Nova, partindo do ponto de que Saudade é um tema muito enfatizado na música brasileira.

“Promessa e Previsões” é um vício frenético e pode ser considerada uma das grandes canções do disco. Lembra muito o Pop de Rita Lee, com uma mistura Bossa Rock que pode impregnar por horas e horas a cabeça. A letra tem uma pegada forte e um tanto caótica: “Cê pode não gostar, não vou mais falar palavra. Escrita numa roupa velha. Céu azul, longe na estrada”.  Ana satiriza a ideia de construção harmoniosa tradicional. Não se preocupa com a rima nos versos e deixa fluir os próprios pensamentos.

Aquela levada Pop anos 60, ritmada nos embalos de um Jazz Pop, com uma letra provocativa e ousada está em “Se no Cinema”: “Ah, se no cinema. Se sentisse a temperatura do amor. Do casal da tela, do sexo dela. O cheiro da cor. Ah, se sentisse”.

Mostra uma compositora lírica e um tanto cínica que denuncia a superficialidade dos relacionamentos modernos em tempos de redes sociais e aplicativos de relacionamentos como Tinder e outros, onde a presença, o contato físico vão se perdendo entre likes e compartilhamentos.

Na faixa “Tem certeza?” há a invocação a sonoridade dos Mutantes. Mostra o talento de Ana na guitarra, com um belo solo de guitarra. Mais uma vez, a harmonia de guitarra, com metais e sopros se encaixam muito bem.  Uma letra sarcástica que cai muito bem para os “nãos” da vida e dos amores, que estamos acostumados a levar diariamente: “Você tem certeza que não vai me aproveitar. Você tem certeza? Que não vai me aproveitar? Posso morrer cedo ou até me matar. Taquicardia no sofá”.

Uma canção doce que expõe o melhor da MPB, “Chocolate” chega grudenta e mexe com as lembranças e saudades de tempos que não voltam mais. Encontrar pessoas em bancas de jornais é algo cada vez mais raro, os avanços tecnológicos vêm colocando cada vez mais em extinção. Algo perigoso, tendo em vista que a maioria dos brasileiros são avessos e não possuem o habito da leitura. A tecnologia vai tornando as pessoas cada vez mais apáticas a leitura. Junte a isso, os ataques a Cultura e a Educação, difundidos por esse (des) governo. Nosso futuro chega a ser incerto.

Em “Vinheta”, uma passagem instrumental ligeira que dá ênfase ao instrumento principal de Ana, a guitarra. E fica claro que a moça tem talento de sobra. “Torturadores” é a radiografia do Brasil, talvez a canção mais politizada do disco. Traz a reflexão sobre a propagação do ódio e violência: “Pesquisando o nome e o endereço de torturadores. Só pra contar pros netos e porteiros. Que têm todo o direito de saber”.

O encerramento é com a ótima “Caspa”, um verdadeiro Samba raiz, conduzido por uma guitarra envolvente que lembra muito Clara Nunes, Elis Regina.

Little Electric Chicken Heart é uma obra autentica, original.  Uma obra que tem muito a dizer sobre o nosso Brasil. E evidencia uma jovem artista, compositora que tem muito a dizer. E pode ser considerada uma das melhores descobertas de sua geração. E você, tem certeza que não vai aproveitar esse momento para ouvir Little Electric Checker Heart?

NOTA: 9.0


NOTA DOS REDATORES:

Eduardo Salvalaio: –
Eduardo Juliano:
Isaac Lima:
Luciano Ferreira: 7.5

MÉDIA: 8.3


CApa do álbum Litle Electric Chicken Heart de Ana Frango Elétrico

:: FAIXAS:

01. Saudade
02. Promessa e Previsões
03. Se no Cinema
04. Tem Certeza?
05. Chocolate
06. Vinheta
07. Torturadores
08. Devia Ter Ficado Menos
09. Caspa

 


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:: Ouça o álbum na íntegra:


:: Assista ao videoclipe de “Roxo”:


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