BRVNKS – Morri de Raiva (Sony Music, 2019)


Foto de Bruna Guimarães para resenha do álbum Morri de Raiva

“Bruna Guimarães exorciza a adolescência em álbum de estreia”

Brvnks, projeto de Goiania capitaneado pela compositora e vocalista Bruna Guimarães, vem se juntar a um oceano de bandas do cenário nacional para ratificar a diversidade da cena musical independente brasileira, apresentando em seu álbum de estreia um indie-pop que converge em nomes dos anos 80, como os britânicos do The Primitives, e dos canadenses da Alvvays, tanto na doçura vocal, quanto nos instrumentais melodiosos, embora Bruna cite influências de bandas como sonoridades mais barulhentas, Smashing Pumpkins, por exemplo.

Morri de Raiva, seu álbum de estreia, vem três anos após o bem recepcionado EP Lanches, onde já se delineava uma parte das ideias presentes no álbum cheio, agora de forma melhor desenvolvidas, o que dá uma maior coesão ao álbum nos aspectos instrumentais. No que se refere às letras, muitas falem de sentimentos como raiva e frustração de forma bastante direta, explicitados de pronto no título do disco.

Não é um álbum temático, “Snacks”, por exemplo, fala de sanduíches do McDonalds e Subway, enquanto “Fred” é uma homenagem a um amigo que se foi, e “Yas Queen” narra a história de uma amiga que sonhava com um músico da banda Misfits dentro da geladeira tomando leite. Muitas das canções do álbum foram escritas na adolescência, revela a vocalista, e há essa camada de rebeldia adolescente perpassando o disco.

Bruna optou por nadar contra a corrente, se considerarmos que boa parte da música pop é sobre o amor, escrevendo várias canções sobre o seu oposto.

E pode parecer antagônico em alguns momentos que a leveza que permeia a canção esteja envolta em versos duros como “Eu não gosto muito de você, Não é minha culpa, Eu não deveria me importar… Eu sou tão egoísta agora, Estou te colocando pra baixo, Mas não é minha culpa” (Tristinha); “E eu só quero que você queime no inferno com aquela garota de cabelo encaracolado / Eu queria que você estivesse morto ou nunca nascido” (Don’t), com ambientação climática devido a camadas de teclados.

“Eu odeio todos vocês porque vocês são tão estúpidos, porque vocês são tão perdedores / Eu queria que todos pudessem morrer / Eu odeio todas essas coisas que me fazem sentir”, ela canta em “I Hate All Of You”, um dos momentos em que Morri de Raiva ganha uma pegada mais intensa, assim como no punk-pop de “I Am My Own Man”, espécie de carta de intenções e desabafo: “Eu sou meu próprio homem, Eu tenho minha própria banda. Sou namorada de ninguém. Você não deveria ser tão burro, Eu estou carregando meu violão, são cegos? O que você acha que estou fazendo aqui?”.

Morri de Raiva não se constrói apenas nos sentimentos que declarados em seu título hiperbólico, serve mais como um elemento chamativo para uma série de sentimentos conflituosos comuns principalmente na adolescência, embora não se fixe apenas neles. Serve como espécie de exercício para que Bruna Guimarães “exorcize seus demônios”, ao tempo que capta de forma quase fotográfica a turbulência de um período em forma de canções.

:: NOTA: 7,5


NOTA DOS REDATORES:

EDUARDO SALVALAIO: –
ISAAC LIMA: –
EDUARDO JULIANO: –
MÉDIA: 7,5


LEIA TAMBÉM:

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ALVVAYS – Antisocialites (2017)


Capa do álbum "Morri de Raiva", de Brvnks

:: FAIXAS:

01. Tristinha
02. Fred
03. Don´t
04. Yas Queen
05. F.I.J.A.N.F.W.I.W.Y.T.B (Freedom Is Just A Name For What I Want You To Be)
06. I Hate All of You
07. Tired
08. I Am My Own Man
09. Your Mom Goes To College
10. Snacks

 


:: Ouça o álbum na íntegra:

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