10 PERGUNTAS PARA THE COMPLETERS


Foto da banda The Completers
Foto: Julia Tarragó

The Completers é um quarteto gaúcho que, no quesito influências, bebe diretamente na fonte, buscando em ícones oitentistas do Pós-Punk inglês, mas não só isso, a banda também tem conexões com o punk, e Wipers, banda de Portland, sempre é citada como referência nas conversas com o grupo.

Visualmente, em fotos e videos, a banda explora o preto-e-branco, algo comum nas bandas punk e algumas do pós-punk, embora se mostrem abertos a outras paletas.

A banda foi formada em 2015, tem dois 7″ lançados: Silence b​/​w Be Gone (Yeah You!, 2017) e Unspoken Signals (Thrash Unreal Records, 2018), o primeiro produzido em parceria com Diego Poloni, e o segundo auto-produzido. No momento estão em fase de preparação de seu primeiro álbum, ainda sem data prevista para lançamento.


01. Pra início, quem está na The Completers atualmente e em que ponto se encontra o trabalho da banda?

R: Antes de tudo, Luciano, agradecemos o espaço e desejamos vida longa ao Urge!.

A formação da banda se mantém a mesma desde o começo: Felipe Vicente – vocal, guitarra e synth; Jonas Dalacorte – guitarra; Lucas Richter – baixo; Guilherme Chiarelli Gonçalves – bateria e pads. A The Completers é de 2015, mas nos conhecemos há muito tempo, dividimos os mesmo espaços, experiências e tocamos em outras bandas juntos.

Neste momento estamos em processo de gravação do nosso primeiro álbum com dez músicas, talvez saia um single antes com uma prévia do que vem pela frente.

02. É correto afirmar que a The Completers é uma banda Pós-Punk e até que ponto essa definição pode ser um fator limitante, musicalmente falando?

R: A última coisa que isso vai acabar sendo é limitante, pois o post-punk é muito amplo. Procuramos não nos apegarmos a isso, vamos compondo as músicas e elas acabam soando dessa maneira. Então, o estilo acaba sendo a consequência, não a causa de tudo. Tanto que as influências que temos no ajudaram a extrapolar a ideia que tínhamos inicialmente para a banda.

Utilizamos o termo post-punk para, digamos assim, situar quem não nos conhece e vai nos ouvir pela primeira vez, mas cada pessoa é livre para tirar suas próprias conclusões.

03. A partir dos anos 2000, vimos o Pós-Punk ressurgir com força, seja em bandas como Interpol e várias outras, seja no cinema, com filmes como “Control”. Como vocês avaliam essa redescoberta e de que forma isso influenciou a The Completers?

R: O post-punk existe desde o fim dos anos 70 e são as coisas produzidas nessa época que nos influenciam. Começamos a prestar mais atenção nas bandas atuais depois que começamos a tocar com a The Completers. Acontece que a Indústria Cultural precisa ser renovada de tempos em tempos, então de vez em quando aparece esses “ressurgimentos”, mas quem curte mesmo o estilo sabe que é algo que sempre se manteve vivo.

04. O uso do preto e branco nas fotos e também na capa dos trabalhos faz parte da estética da The Completers? E de que forma a parte estética está ligada a parte musical da banda?

R: Estaríamos mentindo se não disséssemos que a estética é importante e faz parte do conjunto artístico que é a banda. Temos todo o cuidado como isso e discutirmos muito tudo que produzimos para manter um conceito.

O lance do preto e branco faz parte do punk e muitas vezes é algo incidental, a arte já foi produzida assim e a mantemos da forma original. Essa carga visual não está necessariamente ligada à música.

Se fôssemos artistas visuais, talvez usássemos muito dessa estética por questões do gosto pessoal de cada um. Não é um limitante, tanto que nosso EP é em vinil vermelho e acompanha uns cards coloridos. Nada impede, por exemplo, de no futuro fazermos um som menos introspectivo e linkar isso ao uso de muitas cores.

05. Encontro e despedida são os temas das letras de “Unspoken Signal” e “Flowers”, intercaladas pela instrumental “Words (Never Again)”, o que poderiam comentar a respeito? Foi algo criado de forma conceitual?

R: Não. Nunca pensamos dessa maneira, muito boa essa tua percepção. Lançamos esse EP com a intenção de reunir músicas que para nós estão entre o primeiro single e o álbum, como se fosse uma transição. Apesar das letras falarem de encontros e despedidas, não são de autoria da mesma pessoa e foram escritas em momentos e contextos diferentes.

Capa do 7" Unspoken Signals, da banda The Completers

06. De que forma as letras da banda se conectam com a música?

R: Ambas as coisas se conectam 100%. Primeiro se pensa em um tema ou no que sentimento que se quer transmitir, tipo, já imaginando o contexto todo. Geralmente a letra vem antes da música, mas já nasce junto com a melodia. Depois, nos ensaios, desenvolvemos e criamos o resto. Algumas vezes as músicas nascem de improvisos e pensamos só depois na letra.

07. Além da música, quais manifestações artísticas lhes atraem e influenciam no seu trabalho?

R: Minimalismo.

08. Vocês percebem ou sentem influência da cidade onde vivem na música que fazem? E como se enxergam no panorama musical nacional?

R: Ainda que localizados no sul do país e longe de outras capitais, Porto Alegre é uma metrópole com uma cara bem provinciana. Carregamos no inconsciente o peso da cidade e essa ambientação acaba sendo transmitida para as músicas. Nosso som é completamente urbano.

Em relação ao panorama musical nacional, nos percebemos insignificantes. E isso não está mal. Viemos do underground e gostamos de fazer as coisas da nossa maneira.

09. Vocês já afirmaram ser fãs dos Smiths*, o que acham das recentes declarações e polêmicas em que Morrissey tem se envolvido?

R: Espera… Está ocorrendo um equívoco aqui. Você deve estar confundindo com uma vez que citamos The Smiths como uma influência clássica do post-punk, mas jamais afirmamos sermos fãs. Se ainda fosse The Cure ou Wipers… (risos)

Ele é só mais um dos tantos conservadores que existem por aí querendo polemizar com assuntos que são muito sérios… Foda-se Morrissey! Viva Robert Smith!

10. Quais seus álbuns preferidos de sempre e o que tem escutado em 2019?

R: O Jonas tem escutado Fontaines DC, Idles, essa “nova onda” do punk europeu, e gosta muito do “Wave”, da Patti Smith, que é um disco fundamental na vida dele.

Na casa do Lucas sempre rola o “Tente Mudar o Amanhã” do Cólera e o “Young, Loud and Snotty” do Dead Boys. Agora em 2019 ele tem pirado no “Shadows” do Twin Tribes.

Já o Felipe tem ouvido muita música ambiente, de Klaus Schulze a Brian Eno – “Ambient 1: Music for Airports” é trilha da vida. Ultimamente tem ouvido alguns discos do Sonic Youth que até então não haviam ganhado muito de sua atenção, como “EVOL” e “Master-Dik”.

Um álbum marcante para o Guilherme é o “Start Today”, do Gorilla Biscuits e, em 2019, ele anda ouvindo bastante o “The Gate”, do Pleasure Leftists, e está ansioso pelo novo do Black Marble, “Bigger Than Life”.

*Nota do Editor: A fonte para a informação sobre o The Smiths foi retirada dessa entrevista.


:: Discografia:
– Unspoken Signals 7″ (2018)
– Silence b​/​w Be Gone 7″ (2017)


:: Mais sobre a banda: Facebook | Bandcamp


:: Ouça”Unspoken Signals”:

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