MERCENÁRIAS – Cadê as Armas


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“Cadê as Armas é um verdadeiro ‘chute no olho’ e um dos melhores álbuns do rock brasileiro”

Se essa seção seguisse uma ordem cronológica na sequência de aquisição dos meus vinis, “Cadê as Armas” seria o primeiro disco resenhado. Mas os caminhos que trilhamos aqui são “erráticos”, no sentido de não haver uma cronologia, seguindo mais o “humor” deste que vos escreve.

Considero “Cadê as Armas” o primeiro disco que comprei em minha vida.

Na época, havia recém descoberto a loja Cabaret Voltaire (comentada em episódios anteriores), e entre vários vinis belamente expostos na parede, lá estava esse da Mercenárias. Coisa fina, hoje rara, lançado pelo selo Baratos Afins.

Ouvi o álbum rapidamente. A emoção pela compra do primeiro disco “de verdade” era tanta que talvez não tenha prestado a devida atenção. Mas sabia que ali estava representado tudo que eu esperava de uma banda independente nacional.

E o disco não me decepcionou!

Com sua pegada “Do it Yourself”, as Mercenárias construíam canções simples que podiam seguir tanto por uma pegada mais punk, quanto pós-punk. E o baixo? Para um jovem aprendiz, estava ali uma grande aula de como criar linhas diretas e interessantes.

As Mercenárias mostravam, seguindo o lema punk (como muitas outras bandas), que o resultado final poderia ser muito bom sem precisar ser muito técnico. Um lema que me segue até hoje.

E as letras? As letras misturavam críticas ácidas as instituições de forma direta ou em forma de ironia, mas também eram poesias musicadas que mostravam a inadequação do indivíduo num mundo que lhe parece hostil, as pressões a que estamos submetidos na virada pós adolescência. Capitaneavam assim todo o meu sentimento da época.

Há vários trechos líricos lindos no álbum, alguns que merecem destaque:

“De que adianta arranjar treta comigo se sou inimigo do seu inimigo” (Inimigo)

“Somos carreiras, somos imagens, somos sucesso…somos imagens, somos beleza, somos fracasso, somos sucesso” (Imagem)

“Vozes, vidros quebrados, estiletes na mente. O Eu fragmentado, amor Inimigo. A solidão é um fato!” (Amor Inimigo)

“Corremos atrás do que é tão novo. Chegamos antes que tenha nascido. Corremos muito mais e aceleramos, como um no fliperama pervertido” (Labirintos)

E a mais ácida de todas: “O jovem rebelde e criativo questiona e desobedece o poder, daí encontra com Jesus e as leis da Santa Igreja vai obedecer. Vai se foder!” (Igreja)

“Cadê as Armas” é um álbum curto, em 45 RPM. Dá seu recado de forma perfeita em menos de vinte minutos (na época tinha que ouvir duas vezes, por terminar tão rápido). Mas até hoje uma aula para bandas iniciantes, ministrada por quatro garotas no longínquo ano de 1986 e cantada com uma intensidade/sinceridade incrível.

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cade-as-armas-mercenárias-1986

:: FAIXAS:
01. Me perco
02. Polícia
03. Imagem
04. Inimigo
05. Pânico
06. Amor inimigo
07. Loucos sentimentos
08. Labirintos
09. Além acima
10. Santa igreja

 

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:: Ouça o álbum “Cadê as Armas” na íntegra:

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2 COMENTÁRIOS

  1. Avatar
    Ângelo Fernandes
    10/01/2019
    Responder

    Esta seção sempre foi especial pra mim, porque sempre estive por perto dos acontecimentos que você relata… Parabéns por mais uma boa e construtiva lembrança, pois o punk (do it yourself) acabou sendo o principal pilar para nossa formação de modo geral.

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