CUT COPY – Haiku From Zero (2017)


Banda australiana lança quinto disco projetado em seu passado, apesar de a glória não se repetir por completo.

O ser humano deveria ter o costume de avaliar as coisas atuais sem olhos para o passado. Seria como se nós anulássemos tudo que estivesse em nossas mentes para julgar um novo disco, filme ou mesmo uma obra de arte. Dessa forma evitaríamos comparações, julgamentos precipitados e assim formularíamos novos parâmetros para o que está em evidência na avaliação. Ouvi ‘Haiku  From Zero’ com um pensamento lá em ‘In Ghost Colours’ (2008). Tentei evitar, foi impossível. Talvez pensando na regularidade que observei nos discos posteriores do grupo como ‘Free Your Mind’ (2013). Ou seja, o ser humano quer novamente aquilo que o conquistou, quer uma repetição, resgata sua memória, não aceita um momento mais fraco daquilo que ele parecia confiar. Precisa de outro choque sensorial – aqui no caso o exemplo é a música – e se reencontrar novamente com a banda.

Sim, mas a verdade é que ‘Haiku From Zero’ tem muita coisa emprestada de ‘In Ghost Colours’. As primeiras músicas como ‘Standing In The Middle Of The Field’ e ‘Counting Down’ me lançaram ao passado.

A melodia contagiante, o eletrônico dançante bem casado com um sentimento pop-rock e as nuances vocais (que considerava uma das características pertinentes do trio)

Acontece que o Cut Copy optou em fazer um disco não tão longo, arriscar pouco, apenas nove canções (ao contrário das dezesseis faixas que preenchiam o disco de 2008). A sonoridade permanece a mesma, intocável. ‘Haiku From Zero’ tem as inspirações sonoras que alçaram o grupo ao mundo: New Wave 80’s (reflexos do Duran Duran em ‘Black Rainbows’), o eletrônico em fusão com o orgânico (‘No Fixed Destination’), e para quem comparava o grupo ao New Order pode até continuar nessa empreitada (‘Stars Last Me A Lifetime’). A voz de Dan Whitford é bem diferente de Bernard Summer, mas a inserção dos arranjos balanceados entre eletrônica e o rock lembra bastante o New Order, sobretudo na regular fase ‘Republic’ (1993).

‘Haiku From Zero’ acaba sendo inteligente ao não ser muito longo e evitar um erro maior, pois no final faixas como ‘Memories We Share’ e ‘Living Upside Down’ não tem o mesmo brilho, desgastam um pouco a audição do álbum. Não é um disco poderoso, mas também não destrói a banda e ainda consegue deixá-la numa posição tranquila, sobretudo para os fãs. É um álbum ensolarado, sem espaço pra melancolia (mesmo com a paisagem mais introspectiva e climática de ‘Tied To The Weather’). Funciona em pista de dança ou mesmo na rotina do nosso trabalho. Segue a cartilha do eletrônico, continua trazendo as referências que o trio absorveu.

Com a cabeça nesse disco e na atualidade, deixo 2008 para trás, digo e aviso que é preciso seguir em frente, mesmo que o passado ainda venha à tona. Além do mais, o grupo precisa agora planejar seu futuro.

NOTA: 6,5

:: FAIXAS
01. Standing In The Middle Of The Field
02. Counting Down
03. Black Rainbows
04. Stars Last Me A Lifetime
05. Airborne
06. No Fixed Destination
07. Memories We Share
08. Living Upside Down
09. Tied To The Weather

:: Mais sobre a banda:
Allmusic
Site oficial
Twitter

:: Assista ao vídeo de ‘Airborne’

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