KRAFTWERK – Pop Art (2015)


Pop Art falha como registro consistente da carreira do Kraftwerk

Pelo tempo de duração de Pop Art, documentário sobre o grupo alemão Kraftwerk produzido pela BBC inglesa e dirigido por Hannes Rossacher e Simon Witter, dá pra antever que muita coisa ficará por ser abordada na produção.

O próprio histórico da banda, as saídas de integrantes, o estúdio Kling Klang, tudo isso já tomaria um grande espaço e, apesar da discografia relativamente pequena em relação a sua trajetória, os álbuns do Kraftwerk são pequenos compêndios musicais que requerem sempre uma análise aprofundada, o que o documentário não pretende evidentemente.

“Pop Art” opta por focar em aspectos pontuais, um deles a importância e influência da música do combo alemão nas artes, musicais ou não, como no surgimento ou renovação de gêneros musicais diversos, incluindo aí o hip-hop, o techno e a dance music. Com uma ligeira incursão pelo rock, mostrando, por exemplo, como o Coldplay transformou a melodia de “Computer World” no riff guia para a faixa “Talk”.

Mas é principalmente na influência que a música “fria e dura”, e de batidas precisas, dos alemães acabou por exercer do outro lado do mundo que o documentário vai focar variados momentos, na música dançante feita dos EUA na dobradinha fim dos 70/início dos 80.

Segue-se um apanhado de artistas que começaram a utilizar as batidas eletrônicas oriundas daquela “fria” banda alemã em suas músicas que seriam sucesso nas boates americanas, seja via remixes de François Kevorkian ou a surrupiada de “Trans Europe Express” e “Numbers” pelo Afrika Bambaata.

Da tempo para contar um pouco da história da banda dentro do cenário musical alemão, mostrando desde o seu surgimento, com trechos interessantes de suas primeiras apresentações. Trechos de uma preciosa entrevista com Ralf Hütter em 1981 (que saiu originalmente num documentário da mesma época), fundador e único membro remanescente da formação inicial.

Outra preciosidade são os trechos da apresentação conjunta para a TV com o Can, outra importante banda do que se convencionou chamar de krautrock, termo usado para designar as bandas alemãs surgidas na época; e comentários do baixista Holger Czukay. Esses trechos seriam bem mais preciosos se desde 2014 já não estivesse disponível no Youtube o vídeo com a apresentação completa.

Como não poderia deixar de ser, um apanhado de entrevistas com artistas e jornalistas fazendo suas análises a respeito da “usina de força”, tradução da o nome da banda: Paul Morley (jornalista musical), Francois Kevorkian (DJ), Peter Boettcher (fotógrafo da banda), dentre outros.

Para os fãs não deixa de ser um deleite, ainda que historicamente muita coisa fique de fora: as saídas de Florian Schneider e Karl Bartos, dois dos principais membros do grupo; álbuns fundamentais como “Radioactivity” e “Man Machine”, por exemplo, quase não são citados ou de forma rápida, bem como os primeiros Kraftwerk e Kraftwerk 2 ; o seu estúdio Kling Klang e a participação no grupo Organisation.

Tivesse sido produzido no Brasil, “Pop Art” falaria também da influência das batidas dos alemães no funk e hip hop carioca, seja de forma direta ou através de seus copiadores/influenciados.

De qualquer forma, o documentário falha no quesito abrangência, ao optar por focar em aspectos específicos como as influências da banda, não fornecendo assim um panorama mais extensivo como, por exemplo, as ideias que permearam a discografia do grupo.

:: Para quem deseja um documentário mais abrangente sobre o Kraftwerk, recomendo ‘Kraftwerk and the Electronic Revolution’, documentário de 2008 com quase três horas de duração. Esse documentário pode ser encontrado no Youtube, dividido em dez partes, só não tem legendas.

:: Assista ao documentário na íntegra:

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