Heaven Up Here (Echo and the Bunnymen, 1981)


Entro na Loja de discos Aky Discos (ou seria A Modinha?).

– Pois não?! Pergunta o vendedor.
– Tem disco do Echo and the Bunnymen?
– Quem?
– Echo and The Bunnymen. Repito.

Ele pede que o acompanhe. Vamos até outro vendedor e o primeiro vendedor pede que eu repita a pergunta.

– Disco do Echo and the Bunnymen, vocês tem?
– Não. responde de forma segura o outro vendedor.

Vou até a prateleira, pego um dos três exemplares do ‘Heaven Up Here’, do Echo and the Bunnymen, e digo que vou levar. O primeiro vendedor franze a testa, tenta repetir o nome da banda, olha um lado e outro do disco e tira a nota a ser paga no caixa.

Alguns dirão que o que fiz foi tiração de onda, mas não. Apenas queria comprovar minha teoria de que a maioria dos vendedores de lojas de discos não conhecem o produto que vendem. Não lembro se naquela época (por volta de 1988/89) ou se naquela loja havia um sistema para olhar o estoque, mas o fato é que a situação aconteceu dessa forma mesmo.

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Quando comprei o álbum já o conhecia de cor e salteado.

Numa tarde de domingo, após uma visita na casa de um dos frequentadores do saudoso Cabaret Voltaire, e maior fã dos Bunnymen que conhecíamos (ele até tinha visto o show da banda em Sampa), voltamos de lá maravilhados com os quatro primeiros álbuns da banda embaixo do braço.

A tarefa era gravá-los numa fita K7 o mais rápido possível e devolver ao dono, não só para que ficássemos com crédito para novos empréstimos, como também por entendermos o quão significativo deveriam ser aqueles álbuns para seu dono.

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Poderia estar aqui falando de qualquer dos quatro primeiros álbuns do Echo and the Bunnymen, mas por que falar do ‘Heaven’?

A verdade é que em cada álbum da banda era (é) possível perceber uma personalidade diferente e hoje percebo o encanto individual, mas na época o que mais me chamou a atenção foi este. Com certeza pela sua pegada mais forte, seus riffs secos e cozinha pulsante. Sua urgência.

‘Heaven up Here’ é o álbum em que Will Sergeant conseguiu seus melhores, mais poderosos e alguns dos mais emblemáticos riffs e fraseados de guitarra; e a cozinha de Pete de Freitas (falecido em 89 em um acidente de moto) e Les Pattinson se mostra em perfeita sincronia. Não há dúvidas: “Show of Strenght”, “With a Hip”, “Over The Wall”, “All my Colours”, são muitas boas canções, e até a curtinha “The Disease” tem seu charme.

Difícil escolher a melhor canção do álbum, mas a climática “All my Colours” e “Heaven Up Here”, com seus riffs rasgantes de guitarra, são as duas preferidas não só do álbum, mas da banda.

Apesar de lançado em 1980, suas canções preencheram muitas das minhas tardes do final da referida década e do início da de 90. E sempre que o ouço é difícil não rolar o bis, difícil não me pegar pensando em sua atemporalidade, pois sempre me soa atual, principalmente quando vejo tantas bandas novas tentando emular a magia desse som.

:: FAIXAS:
01. Show of Strength
02. With a Hip
03. Over the Wall
04. It Was a Pleasure
05. A Promise
06. Heaven Up Here
07. The Disease
08. All My Colours
09. No Dark Things
10. Turquoise Days
11. All I Want

:: Ouça o álbum no Spotify:

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