FIRST AID KIT – Ruins (2018)


“COM RUINS, O FIRST AID KIT PROCURA A PERMANÊNCIA ACEITANDO A EFEMERIDADE DA VIDA”

Descobertas no Youtube cantando músicas da banda americana Fleet Foxes, as irmãs suecas Klara e Johanna Söderberg mostraram rapidamente que tinham talento para compor canções próprias de folk e country que soassem antigas, mas com jovialidade para dar feições próprias ao exporem seus sentimentos.

Em 2010 lançaram seu disco de estreia, “The Big Black & Blue”, seguido de The Lions’s Roar (2012). “Stay Gold” (2014), já pela Columbia/ Sony Music, foi muito elogiado, alcançando impacto popular. Logicamente, também porque o disco apresentava um bom punhado de canções excelentemente cantadas.

Quatro anos se passaram (o maior intervalo entre os seus discos), até o lançamento de “Ruins”, também pela Columbia. Para a produção, contaram com o prestigiado produtor Tucker Martine (The Decemberists, Grandaddy, REM, Iron And Wine, My Morning Jacket), que as levou a se moverem de forma fluida entre estilos e sons. Talvez por causa disso e porque todos gostem das vozes e das músicas das irmãs, tocaram também tocaram no álbum músicos do quilate de Peter Buck do R.E.M. e Glenn Kotche , do Wilco. Presente também em algumas faixas, há momentos mais relaxados com um maravilhoso trio de cordas, sempre amparado num excelente jogo vocal das duas irmãs e num folk e country, se mostrando um pop classudo, coisa cada vez mais extinta nos dias atuais.

“Ruins” apresenta letras que misturam desconsolo e otimismo em melodias sutis mas duradouras, mostrando um grande avanço na composição lírica, aproximando-se do efêmero e valorizando o agora, sempre seguras nos belíssimos vocais de Klara e Johanna.

Suas vozes complementam-se tão naturalmente e com tanta graça que é fácil esquecer o quanto há de trabalho artesanal utilizado nessas músicas e quanta ingenuidade elas colocam em seus vocais: a maneira como cada uma canta sem palavras em “Fireworks” para reforçar a melancolia do outro. Os vocais principais, a maneira como eles agilizam suas vozes em “Distant Star”, a maneira como eles esticam as vogais como “It’ a Shame” provam o apuro estético para que o trabalho soasse de forma única.

Um disco muito bom, que quase chegou lá. Os melhores momentos do disco se apresentam quando se utilizam do folk e country para compor suas belíssimas melodias, indo muito além desses estilos.

:: NOTA: 8,0

:: FAIXAS:
01. Rebel Heart
02. It’s a Shame
03. Fireworks
04. Postcard
05. To Live a Life
06. My Wild Sweet Love
07. Distant Star
08. Ruins
09. Hem of Her Dress
10. Nothing Has to Be True

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