Star Wars – Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi, 2017)


“Novo filme da franquia expande positivamente a saga de ficção mais icônica do cinema”

Escrito e dirigido por Rian Johnson, diretor do interessante Looper e de alguns episódios de Breaking Bad, em Star Wars – Os Últimos Jedi, Rian conseguiu uma proeza: subverteu alguns clichês da já tão batida “jornada do herói”, num exercício constante de quebra de expectativa.

Isso remeteu a sensação que tive quando vi Pulp Fiction do Quentin Tarantino pela primeira vez, lembro de, naquela época, ter saído do cinema pensando o quanto era genial ser surpreendido por histórias que começavam sempre indicando um caminho conhecido, mas no seu desenrolar éramos surpreendidos por algo que mudava tudo, ou seja, quebrava a nossa expectativa. Essa característica aplicada a uma saga blockbuster que existe há quarenta anos é algo muito bem vindo!

Este oitavo episódio da saga começa mostrando logo de cara uma sequência épica de batalha de tirar o fôlego, na qual os rebeldes liderados pela princesa Leia levam a pior e se veem cercados pelas naves da primeira ordem, restando-lhes apenas dezesseis horas até que o combustível e consequentemente o escudo da nave acabe. Enquanto isso, do outro lado da galáxia, Ray tenta convencer um relutante Luke Skywalker a atender o pedido de socorro dos rebeldes, mas ele não parece estar nem um pouco interessado em voltar a usar “a força”, muito menos em ser o mestre Jedi que Ray e a resistência tanto precisa.

Gostaria de dizer que o filme é perfeito, mas não é. Algumas sub tramas se tornaram cansativas, não acrescentaram nada substancial ao enredo e temos algumas soluções preguiçosas para colocar determinados personagens em certas situações apenas para fazer a história andar. Isso não chega a tirar o seu brilho, pois os acertos são tão intensos que nos fazem perdoar esses pequenos erros.

Do ponto de vista técnico e visual, é o Star Wars mais belo já visto, com imagens e frames que eu gostaria de ter pendurados como quadros em minha parede, mérito da direção de arte e da fotografia impecáveis.

Há que salientar que é o tipo de filme que irá agradar a todo mundo, primeiro por tomar algumas liberdades criativas que não condizem com o restante da saga, segundo por apresentar personagens sofridos, quebrados, indecisos e relutantes em suas jornadas, e terceiro por ter um segundo ato arrastado dando a impressão que o filme demora pra engrenar e prejudica assim todo o senso de urgência que o primeiro ato estabeleceu.

Mesmo assim, o filme emociona, arrepia e empolga num terceiro ato que nos deixa maravilhados e coloca esse episódio num patamar tão elevado que o torna, desde já, um dos melhores filmes da saga.

O que o faz ser tão especial é que ele deixa claro que o bem e o mal se complementam e trazem o equilíbrio ao universo. Esse conceito vem sendo trabalhado desde que o primeiro filme da franquia foi lançado, porém todos os diretores e roteiristas acabavam sempre optando por soluções mais fáceis e de maior apelo popular, abrindo mão de toda a filosofia Yin e Yang em prol da figura do inabalável herói que salva a todos no fim do dia e restabelece a superioridade do bem sobre o lado sombrio da força.

Aqui a opção é por um caminho mais corajoso, e abraça a filosofia do equilíbrio das forças como nenhum outro episódio. A linha tênue e dolorida entre um lado ou outro da força, pela qual os protagonistas passeiam, se atraem e se repelem, talvez seja o que o filme traga de melhor.

Outro ponto forte a ser salientado é a atuação primorosa do Mark Hamill, pois Luke Skywalker nunca foi tão complexo e expressivo como nesse episódio. Apesar do ator ter declarado publicamente que não concordava com a visão e com as escolhas do diretor sobre o seu personagem, Mark entregou a interpretação mais emocionada, humana e visceral possível.

Star Wars – Os Últimos Jedi tem duas horas e trinta e dois minutos de duração, a versão original do diretor tinha entre quarenta e cinco a sessenta minutos a mais. Mesmo com tantos cortes, o diretor não tirou nenhuma das cenas envolvendo a atriz Carrie Fisher, morta em 2016. Aproveitou todas elas com muita sensibilidade, respeito e admiração.

Mesmo sem ser um filme perfeito, Star Wars – Os Últimos Jedi, sem sombra de dúvida merece muito ser visto e revisto, pois expande positivamente a saga de ficção mais icônica do cinema.

:: NOTA: 8,0

:: Assista abaixo ao trailer do filme:

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