Castlevania (Castlevania)


“Inspirada em jogo clássico dos anos 80, série Castlevania tem elementos para agradar a fãs e público em geral”

Emissora: Netflix
Temporadas: uma até agora (a segunda temporada já está confirmada para 2018)
Episódios: 04 (duração entre 23−25 minutos)
Diretor: Sam Deats
Gênero: Animação adulta, Horror, Aventura

Foi com grande ressalva que muitos admiradores da série de games Castlevania, iniciada nos anos 80, e o grande público em geral, receberam a notícia de mais uma adaptação do jogo para série de TV. Isso porque as outras adaptações, em sua grande maioria, não conseguirem atender público e crítica de forma satisfatória.

Anunciada desde o início de 2017, muito se especulou sobre do que se trataria a série, que mostrava o embate da família Belmont e seus descendentes contra o Conde Drácula. Quando o produtor Adi Shankar confirmou que seria inspirado pelo jogo ‘Castlevania III: Dracula’s Curse’, do vídeogame Nintendo (Nes), de 1990, os fãs do jogo tiveram motivos de sobra para comemorar, já que foi o mais bem sucedido dos jogos dentre todos os consoles, onde misturava uma série de elementos que viriam a se tornar referência em consoles futuros. Um jogo a frente do seu tempo.

Sem muito alarde, a primeira temporada estreou no Netflix no dia 7 de julho, com apenas quatro episódios de mais ou menos 25 minutos, mas o suficiente para os fãs esperarem ansiosos por uma segunda temporada.

Como no jogo original, a série acompanha a história de Trevor Belmont, último descendente de uma longa linhagem de caçadores de vampiros, que encontra-se desmotivado pela forma como sua família foi “banida”, apesar de ter dado tudo pela vida dos humanos. Apesar disso, Trevor deve dar o melhor para deter a ameaça de Drácula, que em seu desejo de vingança por causa da execução de sua esposa, está matando todos os habitantes da região da Wallachia.

A série tem início no ano de 1455, onde é apresentado o personagem de Vlad Tepes, O Impalador, materializando o real significado do seu apelido. Mostrando um personagem complexo, cheio de ambiguidades, Drácula é apresentado não como o personagem temível de outras mídias, mas um homem da ciência, cujos fins não são entendidos pelos reles mortais. Depois de acontecimento fortuito, tem início uma série de eventos, que fazem com que o público perceba aquele personagem tão conhecido de outrora.

Por outro lado, Trevor Belmont só é apresentado ao fim do primeiro capítulo, de uma maneira não tão digna para ser o protagonista dessa trama, sendo mostrado como um homem com todo o fardo que o nome de sua família carrega, por uma batalha que esta resolveu escolher em benefício da humanidade. Beberrão, amargurado e de pouca conversa, Trevor passará por testes até que reconheça o real valor da luta que sua família abraçou por várias gerações e parece nunca ter fim.

Várias são as questões levantadas sobre o comportamento dos personagens no desenrolar da primeira temporada. Em um primeiro momento, Drácula não é o cara mal e Trevor o salvador da pátria iluminado. Existem aqui camadas de cinza que fazem com que o espectador torça pelo próprio Drácula nos minutos iniciais da série.

A igreja também tem um papel fundamental na trama, trazendo para a realidade atual o malefício que as muitas delas fazem ao renegar e exterminar tudo aquilo que ela não conhece ou que não possa subjugar, fato que ocorre em todo desenrolar da trama. Castlevania conta com essa nuance da trama que critica de maneira ácida os perigos da superstição religiosa. Ali pela metade do primeiro episódio, nos vemos simpatizando com Drácula e colocando a igreja – e seu arcebispo – no papel dos antagonistas. Drácula pode até ser do mal, mas a humanidade é doentia.

A animação adapta de maneira incrível a ambientação gótica desse universo: vilarejos, igrejas e castelos, todos ornamentados de maneira primorosa. Tudo é visto de forma que remete a experiências passadas em filmes dessa temática, da perseguição das bruxas à implicância da igreja com métodos científicos, até vampiros reclusos, monstros em túneis secretos e bestas infernais. A violência é representada de forma realista, algumas cenas com mortes de crianças, vísceras aparecendo e muito sangue, com momentos de gore, que dão o tom da trama. Mostra como a sociedade daquele período era muito mais violenta que a atual.

Sobre os personagens, a maior parte carece de um melhor desenvolvimento, com exceção dos dois principais. Por se tratar de uma série curta, provavelmente serão melhor dissecados na temporada seguinte.

Um dos maiores acertos de Castlevania é apostar em uma história que funciona para todos: pode-se assistir aos quatro episódios e aproveitar o material mesmo sem ser um fã dos jogos da franquia, para quem quer uma boa animação sobre vampiros ou até para quem busca uma adaptação digna da franquia de jogos.

NOTA: 8,0

:: Saiba mais sobre a série:
IMDB
Rotten Tomatoes

:: Assista ao trailer da primeira temporada:

Anteriores BETO CUPERTINO – Tudo Arbitrário (2017)
Próximo Amadou & Mariam – La Confusion (2017)

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE SEU COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado.